segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Enrolado com o Master, Cláudio Castro foge do Palácio Guanabara, Alvaro Costa e Silva -FSP

 Cláudio Castro fez três pedidos ao gênio da lâmpada. A urgência é escapar da condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A ação no TSE teve início em novembro, dias depois da chacina nos complexos do Alemão e da Penha. A relatora Isabel Gallotti votou pela cassação e inelegibilidade. O ministro Antônio Carlos Ferreira pediu vista, e a expectativa é que o processo seja retomado em fevereiro.

O segundo desejo depende do primeiro, pois Castro recebeu a ordem de se candidatar ao Senado, ordem dada por Bolsonaro. As especulações eram que ele deixaria o governo após o Carnaval. No entanto, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto —o primeiro na linha sucessória—, foi comunicado da permanência no cargo até 5 de abril, prazo limite fixado pela legislação eleitoral.

A jogada é fazer do chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, um governador-tampão em uma possível eleição indireta na Assembleia Legislativa. A escolha de Miccione —que se filiou ao PL, mas não agrada os bolsonaristas— reforça a aliança de Castro com Eduardo Paes, que, em sua candidatura ao governo do estado, enfrentaria um concorrente sem o comando da máquina. André Ceciliano, ex-presidente da Alerj, deve entrar no páreo pela interinidade, com apoio da esquerda.

O certo é que Castro tem pressa em deixar o Palácio Guanabara. Uma das razões é fugir da bomba prestes a explodir com o déficit orçamentário de R$ 18,9 bilhões. A outra envolve o Banco Master, que anda puxando a esfera política para um buraco negro. Estados e municípios serão responsáveis finais por cobrir rombos em fundos de previdência caso tenham prejuízos ligados ao Master. O Rioprevidência investiu R$ 970 milhões num curto espaço de tempo. Os aportes surgiram depois de o Tribunal de Contas do Estado do Rio ter alertado para graves irregularidades na relação da autarquia com o banco.

Mais complicado de todos, o terceiro desejo encomendado ao gênio interrompe uma tradição fluminense. Cláudio Castro pediu para não ser preso.

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