segunda-feira, 22 de junho de 2026

Brasileiros valorizam economia circular, mas resistem na hora de comprar produtos reciclados, Agencia de Notícias da Indústria

 

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Foto: Shutterstock

Até que ponto você apoia modelos de produção e consumo que priorizam a reutilização, reparo, remanufatura e reciclagem de materiais para estender a vida útil dos produtos? A chamada: economia circular? Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o comportamento do consumidor nesse universo é contraditório. Os brasileiros apoiam a economia circular em teoria, mas ainda relutam quando precisam levar um produto reciclado para casa. 

O levantamento mostra que, embora 72% da população veja de forma positiva empresas que investem em sustentabilidade, ainda existe resistência para o consumo de produtos reciclados e para a adoção de hábitos mais circulares no país. 

É o caso de quem apoia a reciclagem e a reutilização de recursos, mas prefere comprar um tênis convencional em vez de um modelo fabricado com borracha de pneus reciclados ou fibras reaproveitadas. Ou de quem considera importante reduzir a geração de resíduos, mas desconfia da qualidade de embalagens biodegradáveis.

Os dados da pesquisa foram apresentados no evento “Liderança Empresarial pelo Futuro do Clima | COP31”, promovido pela CNI na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) nesta segunda (1). A iniciativa integra a programação da Rio Nature and Climate Week e reunirá representantes da indústria, do governo e do setor financeiro para discutir prioridades e propostas do setor privado para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), marcada para novembro, na Turquia. 

A pesquisa de opinião pública da CNI foi realizada pela Nexus e entrevistou presencialmente 2.019 pessoas em todas as regiões do país entre 11 e 13 de fevereiro. Segundo a pesquisa, 43% dos brasileiros afirmam resistir à compra de produtos reciclados, independentemente do valor. Entre os principais motivos estão a preferência por produtos novos (34%) e dúvidas sobre a durabilidade dos itens reciclados (30%). 

Para o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, os dados mostram que a transição para uma economia circular passa pela oferta de soluções sustentáveis e pelo fortalecimento da confiança do consumidor. 

“Existe interesse da sociedade por práticas mais sustentáveis, mas ainda há barreiras relacionadas à informação, percepção de qualidade e acesso. Isso reforça a necessidade de ampliarmos o debate sobre economia circular e criarmos condições para que escolhas mais sustentáveis façam parte do cotidiano dos brasileiros”, afirma.

 

Economia circular depende de uma transformação sistêmica

“Temos espaço para ampliar a conscientização da sociedade sobre circularidade e fortalecer políticas públicas capazes de incentivar modelos mais sustentáveis de produção e consumo. A economia circular depende de uma transformação sistêmica, que envolve informação, infraestrutura, ambiente regulatório e engajamento de toda a cadeia produtiva”, destaca Davi Bomtempo. 

Segundo a CNI, esse cenário reforça a importância da aprovação do Projeto de Lei 1874/2022, que cria a Política Nacional de Economia Circular (PNEC). Para a entidade, a proposta pode estimular investimentos, ampliar a competitividade da indústria brasileira e incentivar práticas sustentáveis de consumo. 

Economia Regenerativa começa em casa e pode transformar o futuro, Dal Marcondes, in Envolverde

 𝘿𝙖𝙡 𝙈𝙖𝙧𝙘𝙤𝙣𝙙𝙚𝙨  - A Envolverde convida você para uma jornada de reflexão sobre os fundamentos da economia regenerativa, que não é apenas um conceito abstrato de grandes corporações ou políticas governamentais, mas uma prática que começa no microcosmo de nossas vidas domésticas, moldando a maneira como interagimos com o mundo e com os recursos.

Atualizado em 19/05/2026 às 19:05, por Dal Marcondes.

Um ilustração que mostra a economia circular

Por Dal Marcondes - 

A transição para modelos sustentáveis exige uma mudança de mentalidade que permeia todas as esferas da atividade humana, a começar pelos hábitos cotidianos que formam a nossa base de cuidado e responsabilidade. "Se queremos mudar o mundo, comecemos por arrumar a nossa cama," uma conexão do micro ao macro.

Os princípios da economia regenerativa encontram seus paralelos mais potentes nas tarefas domésticas mais simples. É neles que aprendemos a noção de zeladoria, o primeiro passo para uma verdadeira economia ecológica.

Quando as crianças aprendem a arrumar suas camas ou organizar suas coisas, não estão apenas aprendendo disciplina. Elas estão absorvendo a compreensão de que os recursos exigem manutenção, que o ambiente não é externo a elas e que as ações individuais têm impacto no espaço comum. É o fundamento do respeito pelo esforço do outro e pelos recursos que sustentam a vida.

A lógica da continuidade: lavar a louça e o ciclo da vida

Na economia tradicional, o foco é muitas vezes o descarte. Na visão regenerativa, o foco é na preparação para o ciclo seguinte. O ato de lavar a louça após uma refeição é uma metáfora poderosa para a circularidade natural, onde o fim de uma atividade dá o início a outra, que prepara o ambiente para um novo ciclo de alimentação. "Nada pode ser deixado para depois," transpondo essa lógica doméstica para os fluxos de materiais na indústria, resíduos devem ser vistos como insumos para novas produções.

A arte da restauração vs. a cultura do descarte

Consertar um aparelho quebrado, costurar uma roupa ou restaurar um móvel é um ato de resistência contra a obsolescência programada. É uma forma de honrar a energia, o trabalho e os materiais investidos naquele objeto. Esta é a mentalidade de dar valor ao que já foi produzido e evitar o desperdício, é a base para a logística reversa e a economia de restauração em escala industrial.

Transpondo do lar para o mercado

A grande questão é: como esses hábitos informam as estratégias macroeconômicas? A resposta está curar e deixar melhor do que antes.

A trindade regenerativa permeia toda a atividade econômica:

  1. Produzir: Criar valor sem destruir a base de recursos.
  2. Circular: Cadeias curtas, logística eficiente e fluxos de materiais fechados.
  3. Consumir: Escolhas conscientes baseadas na durabilidade e no impacto socioambiental.

A transição gera impactos mensuráveis em eficiência e restauração, como indicam dados de modelos lineares e regenerativos.

Cadeias curtas e locais: a economia ecológica na prática

Reduzir a distância entre produtor e consumidor uma forma de eliminar o desnecessário, aumentar a transparência e fortalecer a comunidade. O localismo na economia regenerativa promove:

  • Menor pegada de carbono no transporte.
  • Transparência e confiança no consumo.
  • Fortalecimento do PIB local e resiliência social.

A Economia Regenerativa é um chamado para uma ação que começa dentro de nós e de nossas casas. Não é um futuro distante, mas uma prática que construímos a cada escolha consciente, a cada ato de cuidado e a cada reparo realizado. É a transição de uma economia de exploração para uma economia de zeladoria, onde cada atividade humana deixa o mundo um pouco melhor do que o encontrou.

O futuro é regenerativo. Comece hoje, comece agora, comece em casa.
 

Envolverde

Relicitação da ferrovia Malha Oeste terá duas audiências públicas, PP - março23

 

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) aprovou por unanimidade, na quinta-feira (30), a realização de duas audiências públicas sobre a relicitação da Malha Oeste. A ferrovia tem 1.625,3 quilômetros de extensão entre Mairinque (SP) e Corumbá (MS) e atravessa Mato Grosso do Sul passando por Três Lagoas e Campo Grande até chegar ao Pantanal.

Relicitação da ferrovia Malha Oeste foi debatida durante reunião de diretoria da ANTT no dia 30 de março de 2023 (Foto: Reprodução/Youtube/ANTT)
Reunião de diretoria da ANTT (Foto: Reprodução/Youtube/ANTT)

Segundo o aviso publicado pela ANTT, as sessões públicas serão realizadas no dia 26 de abril, em Campo Grande, e no dia 3 de maio, em Brasília (presencial e virtual). O período para envio de contribuições será aberto em 10 de abril e seguirá até 17h (horário de MS) do dia 25 de maio de 2023.

O objetivo é tornar público, colher sugestões e contribuições às minutas de edital e contrato e aprimoramento dos estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental da concessão.

Incluindo o ramal entre Campo Grande e Ponta Porã, a Malha Oeste tem extensão total de 1.973 quilômetros. Porém, conforme os estudos, foi definido o cenário de relicitação sem a reativação do ramal de Ponta Porã, por isso o trecho que será relicitado totaliza 1.625,30 km.

Mapa da ferrovia Malha Oeste (Foto: Reprodução/ANTT)
Mapa da Malha Oeste (Foto: Reprodução/ANTT)

A ferrovia conecta-se a Bolívia, aos portos de Ladário e Porto Esperança, em Mato Grosso do Sul, ao Porto de Santos, em São Paulo, e ao Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro. Atualmente é controlada pela Rumo Malha Oeste, que também detém as concessões das Malhas Paulista, Norte, Central e Sul.

Reunião da ANTT

O relator do processo da Malha Oeste na ANTT, diretor Lucas Asfor Rocha Lima, destacou no voto que os estudos foram analisados pela Sucon (Superintendência de Concessão da Infraestrutura), que expediu uma nota técnica em 23 de março atestando a viabilidade financeira da concessão e apresentando um detalhamento do projeto, identificando as principais melhorias e inovações contratuais.

“Em relação aos meios de reequilíbrio, além da possibilidade da revisão dos valores de outorga, foram incluídas ainda a possibilidade de revisão da tabela tarifária bem como a prorrogação do contrato de concessão por uma única vez, a critério do poder concedente por até 5 anos conforme modelagens recentemente utilizadas. Por fim, considero que a proposta esteja pronta para ser apresentada à sociedade, através de audiência pública, oportunizando a participação de todos os interessados, sejam proponentes licitantes ou usuários da ferrovia, para que possam contribuir para o aprimoramento do projeto”, explicou o relator.

“Voto de acordo, registrando aqui a importância desse projeto não só para Mato Grosso do Sul, pro estado de São Paulo, mas para o Brasil. Temos trabalhado e avançado no processo de relicitação de rodovias e esse processo é mais um passo pro processo de relicitação do modo ferroviário e com grandes e importantes evoluções na estrutura e concepção do projeto”, destacou o diretor Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio.

“É uma honra muito grande a gente estar vivendo uma revolução ferroviária no país, com vários investimentos, modernização da malha existente, e esse é um projeto que contribui pra isso”, afirmou o diretor Luciano Lourenço da Silva.

Ao acompanhar o voto do relator, o diretor Felipe Fernandes Queiroz pontuou que a relicitação é um instrumento relativamente recente. “A agência tem enfrentado diversos desafios na relicitação, e esse é o primeiro no âmbito do setor ferroviário, por isso ele é bastante relevante. Que possamos em breve chegar a conclusão desse processo, com um leilão de fato e a ferrovia operando.”

Por fim, o diretor-geral da ANTT, Rafael Vitale Rodrigues, ressaltou a importância da relicitação. “Importante passo no processo de relicitação, pra retomada do transporte ferroviário no interior do estado de São Paulo, mas principalmente pro escoamento das commodities agrícolas, minerais e outras riquezas do estado de Mato Grosso do Sul. Torcemos pra que essa etapa seja vencida o mais breve possível e a gente possa estar realizando um novo leilão”, concluiu.

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Em 21 de julho de 2020, a Rumo apresentou à ANTT um requerimento de relicitação da Malha Oeste. O empreendimento ferroviário foi qualificado em 18 de fevereiro de 2021 no âmbito do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), da Presidência da República, para fins de relicitação.

Características gerais da ferrovia Malha Oeste (Foto: Reprodução/ANTT)
Características gerais da Malha Oeste (Foto: Reprodução/ANTT)

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