O novo prédio do Itaú Cultural será desenhado pelo Estúdio Módulo, escritório de arquitetura de Marcus Vinicius Damon, Guilherme Bravin e Erica Tomasoni. O projeto do trio para o novo centro cultural na avenida Paulista —o vencedor entre seis concorrentes— foi apresentado numa coletiva de imprensa, nesta segunda-feira.
Situado ao lado do edifício da Fiesp, quase na esquina com a rua Pamplona, a nova sede do Itaú Cultural terá seis andares expositivos, um teatro de 428 lugares e um auditório com capacidade para 104 pessoas, que pode abrigar eventos e espetáculos de teatro infantil ou de caráter mais experimental. Haverá também um restaurante, um café e uma área para crianças pequenas, todos localizados no subsolo.
A previsão é de três a quatro anos de obras, com conclusão esperada para 2031. Segundo Alfredo Setubal, presidente do Conselho do Itaú Cultural, o orçamento do prédio ainda não foi definido e ele será integralmente construído com verbas da Fundação Itaú —ligada ao banco de mesmo nome—, sem usar leis de incentivo como a Rouanet.
Com onze anos de existência, o Estúdio Módulo venceu uma disputa entre seis firmas convidadas a concorrerem —FGMF e Libeskindllovet, que foram as outras duas finalistas, Studio MK27, SPBR Arquitetos e Bernardes Arquitetura. Nenhum escritório estrangeiro foi chamado para apresentar projeto, porque segundo Setubal o Brasil tem uma "tradição arquitetônica suficientemente boa".
Pela maquete e imagens apresentadas, o novo Itaú Cultural se desenha muito diferente do atual. O prédio será composto de dois volumes retangulares de tamanhos diferentes sobrepostos, com recortes nas fachadas que estabelecem uma comunicação com a rua. Tais volumes serão recobertos por uma pele branca vazada —brises de ripas metálicas ou cerâmicas, a ser definido—, sendo que nas fachadas laterais haverá uma parede atrás dos brises com cores aplicadas.
A ideia é criar movimento nas laterais, ilusão que pode ser experimentada pelos pedestres conforme eles circulam nos entornos do prédio, de acordo com Marcus Vinicius Damon, um dos sócios do Estúdio Módulo. Ele exemplificou o conceito apresentando uma obra de Carlos Cruz-Díez, mestre da arte cinética com suas obras coloridas que simulam a ideia de movimento.
A parte frontal do prédio, quase na porta do metrô Trianon Masp, terá uma entrada ampla, sem catracas ou vidros de separação com a calçada, de modo a convidar os passantes a ingressarem no centro cultural. Neste andar, o piso será de pedra portuguesa, o mesmo utilizado por décadas na Paulista e que remete à ideia de uma praça pública.
Na fachada frontal —que utilizará mais vidro que as laterais— ficam também um terraço aberto com vista para a rua e as escadas de circulação entre os andares, estas em tonalidade terracota, cor que faz referência às artes populares brasileiras feitas em barro.
Damon, do Estúdio Módulo, disse que o escritório "queria criar uma presença na Paulista, mas com alguma sutileza", e por isso ele e seus parceiros de projeto imaginaram um "edifício com características convidativas para o usuário". Além disso, Damon destacou a dificuldade de projetar ao lado da Fiesp, um prédio "com uma presença muito forte".
Setubal, do Itaú, argumentou que o projeto vencedor era o que melhor solucionava "o equilíbrio entre funcionalidade e arquitetura". De acordo com ele, um dos incentivos para a construção do novo prédio, num terreno de aproximadamente 1.300 metros quadrados, foi o fato de que o Itaú Cultural atual não atende bem o tanto de público que recebe.
Foram 500 mil pessoas no ano passado, que tiveram de lidar com elevadores pequenos e espaços expositivos não ideais, de pé-direito baixo para mostras de arte contemporânea, com obras que exigem mais espaço. No novo edifício, o pé-direito de algumas galerias terá seis metros de altura, quase o dobro da metragem atual, e os elevadores carregarão até 40 pessoas ao mesmo tempo.
Toda a programação do Itaú Cultural futuro será gratuita, como é hoje, e ainda não está definido se o prédio atual ficará ou não ativo. O projeto Ocupação, as exposições permanentes e as temporárias passarão para a nova construção, que faz parte das comemorações de 40 anos da instituição, a serem completados no ano que vem.
No fim do ano passado, o banco Itaú comprou o terreno na avenida Paulista onde vai construir uma nova torre para abrigar o seu centro cultural, hoje num prédio na mesma avenida paulistana desenhado por Roberto Loeb. Só o terreno, com 200 metros quadrados a mais que o espaço da sede atual, custou R$ 50 milhões aos cofres do banco.
A comissão que selecionou o projeto vencedor foi composta por Setubal, Elizabeth Machado, presidente do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Heitor Martins, presidente do Masp, o Museu de Arte de São Paulo, Jader Rosa, superintendente do Itaú Cultural, o arquiteto Jaime Cupertino, que trabalhou no grupo Itaú, e Rodrigo Villela, também da Fundação Itaú.
O Estúdio Módulo ganhou o concurso para o projeto do Centro Cultural Rio-África, no Rio de Janeiro —com obras previstas para começarem em semanas—, e tem no currículo o complexo Ágora Tech Park, em Joinville, em Santa Catarina. Na cidade de São Paulo, também projetaram o Oscar 2525, prédio da incorporadora Idea!Zarvos que está subindo em frente a Unibes Cultural, numa das entradas do metrô Sumaré.
Antes de entrar para o escritório, Damon, um dos sócios, ajudou a desenvolver o Museu da Memória e dos Direitos Humanos, em Santiago, no Chile.


