quinta-feira, 25 de junho de 2026

Beto Sicupira e filho de Jorge Lemann são alvo da PF em ação sobre fraude de R$ 54 bi da Americanas, OESP

 Por Fausto Macedo e Felipe de Paula

Atualização:

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 25, a segunda fase da Operação Disclosure, que busca aprofundar as investigações sobre as fraudes contábeis estimadas em R$ 54 bilhões nas Lojas Americanas. Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão o empresário Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, ambos ligados ao grupo controlador da varejista. A operação também atinge executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander, além de ex-integrantes do conselho de administração da companhia.

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Após a ofensiva da PF, a Americanas informou que “seguirá colaborando com as investigações” e afirmou ser “a maior interessada no esclarecimento dos fatos”. O Santander declarou que “está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes”. Já o Bradesco disse que acompanha a operação e que está à disposição das autoridades.

A reportagem pediu manifestação do Itaú e busca contato com a defesa de todos os alvos da investigação. O espaço está aberto para manifestação.

Segundo as investigações, os alvos desta segunda fase da Operação Disclosure teriam conhecimento das fraudes contábeis praticadas ao longo de anos pela varejista.

As irregularidades estariam relacionadas às operações de risco sacado - modalidade de crédito utilizada para antecipar pagamentos a fornecedores por meio de instituições financeiras - e ao registro de contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) sem respaldo econômico suficiente para justificar sua contabilização.

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Carlos Alberto Sicupira
Carlos Alberto Sicupira Foto: Expert/XP

Na ação de hoje, policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.

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Os alvos da Polícia Federal na segunda fase da Operação Disclosure:

  • Alexandre Abdo — executivo do Santander
  • André Almeida — executivo do Santander
  • Carlos Alberto Sicupira — controlador da Americanas
  • Carlos Henrique Villela Pedras — executivo do Bradesco
  • Eduardo Saggioro — ex-integrante do conselho da Americanas
  • Gustavo Balassiano — executivo do Itaú
  • José Rudge — executivo do Itaú
  • Paulo Alberto Lemann — ex-integrante do conselho da Americanas e filho do controlador Jorge Paulo Lemann
  • Sérgio Rial — ex-presidente do Santander e ex-CEO da Americanas
Fraude de R$ 54 bi das Lojas Americanas faz PF cumprir buscas e investigar manipulação de mercado
Fraude de R$ 54 bi das Lojas Americanas faz PF cumprir buscas e investigar manipulação de mercado Foto: Pedro Kirilos/Estadão

As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.

‘Maior interessada no esclarecimento dos fatos’, alega Americanas

“A Americanas informa que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a Operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos.”

Estamos ‘ao lado das partes prejudicadas’, diz Santander

“O Santander informa que está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo a Americanas e segue colaborando com as autoridades competentes, como tem feito desde o início das apurações. A instituição reitera seu compromisso com a ética, a transparência e o estrito cumprimento da regulamentação em suas operações.”

Uma empresa de colchões foi condenada por… ter homens na liderança, The News

 

(Imagem: Gemini)

O Tribunal Superior do Trabalho decidiu manter a condenação de R$ 300 mil contra a fabricante de colchões Ortobom. O motivo? A ausência total de mulheres nos 24 cargos de gerência na unidade de Arapongas, no Paraná.

A Ortobom já havia sido condenada pelo tribunal regional, mas acabou recorrendo da decisão. Para a Corte do TST, a empresa não apresentou uma boa justificativa para ter apenas homens na liderança.

  • Curiosamente, o cargo de CEO, o mais alto da companhia, é ocupado por uma mulher, Carolina Pires, desde o final de 2025.

Por que isso importa? A decisão abre um precedente importante no país ao punir uma grande marca com base na chamada "discriminação estrutural". Isso significa que a Justiça não precisou de uma denúncia individual ou de uma prova explícita de machismo para condenar a empresa.

A legislação brasileira proíbe qualquer diferença de critérios de contratação e promoção por motivo de gênero. Na prática, a empresa precisa provar que os processos de seleção são neutros — algo que, segundo o TST, a Ortobom não conseguiu.

Zoom out: No Brasil, cerca de 17,4% das empresas tem mulheres na presidência. Já ao redor do mundo, a média de mulheres no cargo de CEO das grandes corporações globais é de apenas 6%. O Tribunal que condenou a empresa possui 7 das 27 vagas ocupadas por uma mulher.

Um país que só existe hoje e até a esquina, Ruy Castro _)FSP

 

Rio de Janeiro

Faça um teste com qualquer pessoa das que lhe prestam serviços, em sua casa, no seu prédio ou na rua. Pergunte-lhe se sabe o que aconteceu no Brasil em 1964. Ou sobre qual veio primeiro, se a Segunda Guerra ou a Guerra do Paraguai. Ou em que ano foi proclamada a República, 1822 ou 1889. Não quero antecipar nada, mas temo que as respostas não sejam muito animadoras. Converso com muita gente, de todas as classes e categorias, e sinto nelas um distanciamento crescente entre as premências da vida real e um conhecimento básico do país. É como se, para elas, o Brasil só existisse hoje e até a esquina.

Todos recebemos com satisfação os dados do recente levantamento do IBGE, que registrou a queda do analfabetismo para, pela primeira vez, abaixo de 5% da população. É uma vitória –há cerca de 100 anos, a taxa era de monstruosos 80%. Um fator fundamental para a escalada da alfabetização foi a transferência da população rural para as cidades nas décadas de 1960 e 1970. Mais da metade dos 4,9% atuais que não sabem ler nem escrever tem acima de 60 anos, o que confere com o dado anterior. São os brasileiros que ficaram para trás, e os governos não foram até a eles para alfabetizá-los.

Mas, para mim, o chocante são os 29% da população entre 15 e 60 anos, hoje, que sabem identificar as palavras e os números, mas não conseguem entender textos pouco além da cartilha nem multiplicar 3 vezes 9 ou dividir 12 por 4. Chama-se a isso analfabetismo funcional e atinge até quem está nas faculdades. Pode-se aceitar que 12% dos atuais matriculados no ensino superior sejam analfabetos funcionais? Serão esses os nossos profissionais do futuro?

Dos 16 anos que se exigem de alguém para se educar (nove no ensino fundamental, três no médio e quatro no superior), o brasileiro passa só dez anos na escola. O americano, 14. Sim, temos bolhas de alta realização –sempre as tivemos. Só que todos os países também as têm e, na média, mais do que nós.

Mas chega de pessimismo. Neste momento, há um livro vendendo aos milhões no país: o álbum de figurinhas da Copa.