A Gen Z agora quer se desconectar | ||
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A tendência de ficar “cronicamente offline” — ou seja, reduzir o uso de aplicativos e voltar a hobbies presenciais — está viralizando entre os jovens justamente nas próprias redes sociais. | ||
O motivo se deve ao fato de que a Gen Z (15 a 29 anos) tem demonstrado uma maior preocupação com a saúde mental, e enxerga que “deixar o celular de lado” acaba trazendo benefícios. | ||
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Para se ter ideia, o movimento tem ganhado tanta força que já existem ferramentas sendo vendidas para auxiliar no bloqueio de apps. | ||
Ao que tudo indica, a geração que nasceu conectada parece estar redescobrindo algo simples: ficar offline também virou tendência — e, para muitos jovens, talvez até um novo símbolo de status. | ||
Capadocianas
Notícias, idéias, e impressões de um mundo particular
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
A Gen Z agora quer se desconectar, The News
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Medicina já debate se ciúme pode ser doença de verdade, Marcelo Leite FSP
A linguagem cotidiana já diz quase tudo quando se fala que a pessoa tem um ciúme doentio: a escalada obsessiva dessa paixão escura, tão comum, tem mesmo um quê de doença. Daí a aceitar que passe a fazer parte do rol oficial de distúrbios mentais, bem, é outra história.
Dá o que pensar a pergunta lançada por dois psicólogos da Suécia em artigo de opinião no Jama Psychiatry, um dos periódicos da associação médica dos EUA: "O ciúme obsessivo tem lugar na psiquiatria?" David Mataix-Cols e Johan Åhlén, do Instituto Karolinska, propõem que sim, seria útil contar com uma nova categoria de diagnóstico, algo como transtorno de ciúme obsessivo, ou mórbido.

Primeira coisa que vem à cabeça: caso seja criado um número CID para essa perturbação, poderia ela vir a ser empregada por advogados de defesa como atenuante em casos de feminicídio? Matei porque estava doidão, literalmente louco de ciúme, e aqui está o médico para testemunhar que não estou inventando.
Seriam os sucedâneos médicos da violenta emoção, da perda momentânea de razão e da legítima defesa da honra que o direito tem banido da argumentação legal, sob pressão da opinião pública enojada com a covardia machista. Nada como um laudo para tirar o próprio da reta, a consagrada saidinha Bolsonaro.
Mulheres, claro, também podem manifestar ciúme doentio. Mas parece óbvio que são os homens, na maioria dos casos, os que se atribuem a prerrogativa de recorrer a agressões e violência letal. Estão aí as estatísticas para provar.
Verdade que, ao pesar prós e contras do novo diagnóstico, Mataix-Cols e Åhlén sequer cogitaram tal possibilidade. Não vivem no Brasil. Limitam-se a discutir se teria cabimento patologizar comportamento tão comum, para não dizer universal.
O busílis, argumentam, está em fixar critérios objetivos para estabelecer quando essa paixão se torna excessiva, intrusiva, persistente e incontrolável, dando margem a comportamentos compulsivos de vigilância, confrontação ou agressão. Com parâmetros para identificar os casos verdadeiramente patológicos, prevenção e tratamento poderiam ser mais eficazes.
Para isso, defendem, é preciso fazer mais pesquisas. Estudo com um milhar de suecos ciumentos, que teve Åhlén entre os autores, indicou que a obsessão prejudica trabalho, lazer e relacionamentos, estando associada com abuso de álcool. Por outro lado, histórico de ciúme em relacionamentos anteriores parece tornar a pessoa mais propensa a buscar assistência psicológica.
Talvez esteja aí a chave da responsabilização moral em caso de violência. Qualquer indivíduo que não esteja imbuído da convicção de superioridade pessoal ou de um sentimento de propriedade sobre o outro, em geral alicerçados em noções emboloradas de gêneros masculino e feminino, saberá reconhecer que passou do limite e precisa de tratamento para não recorrer às vias de fato.
Essa é a doença da atualidade: uma tendência a se fazer de vítima das próprias pulsões ou incapacidades e a brandi-las como álibis para o desempenho antissocial. O corolário disso, na medicina, vem com a proliferação de diagnósticos que estilhaçam numa miríade de transtornos o caroço duro da infelicidade contemporânea.
Em visita à Índia, Lula vai reforçar discurso da soberania e assinar acordo, FSP
Com acordos sobre minerais críticos, governança digital e inteligência artificial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende reforçar o discurso da soberania e defesa do multilateralismo, além de fazer contraponto aos Estados Unidos, durante visita de Estado à Índia nesta semana.
Em Nova Déli, Lula participa nesta quinta (19) da Cúpula Impacto da Inteligência Artificial, ao lado de outros 20 chefes de Estado e governo, entre eles o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. No sábado (21), o mandatário faz reunião bilateral com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e anuncia ao menos 10 acordos bilaterais.
A Folha teve acesso ao conteúdo da Parceria Digital Brasil-Índia para o Futuro, acordo guarda-chuva que será anunciado no próximo fim de semana.

A Parceria prevê um centro de excelência conjunto em infraestrutura pública, com colaboração em identidade digital, pagamentos digitais e compartilhamento de dados, e uma rede aberta de IA para ação climática em países em desenvolvimento. Também inclui cooperação em inteligência artificial, na adoção e desenvolvimento de grandes modelos de linguagem, além de parceria em semicondutores – a Índia está construindo uma fábrica de chips avançados com investimentos de US$ 20 bilhões.
Também serão anunciados acordos sobre governança de internet e inovação em IA com respeito a direitos autorais.
A cooperação com um grande país do chamado "Sul Global" em minerais críticos e inteligência artificial faz parte da agenda do presidente Lula de combate à desigualdade.
O pano de fundo, segundo disseram funcionários de vários ministérios, é impedir que o chamado "Sul Global" fique para trás na revolução tecnológica da IA. Combate à desigualdade, nessa visão, não se resume a reduzir a fome e a pobreza, mas também evitar que se aprofunde o poço de desigualdade no acesso e no desenvolvimento das tecnologias.
"A cadeia de IA que vai desde as terras raras até o software não pode levar a um maior desequilíbrio entre países nem aprofundar a desigualdade dentro dos países. É muito importante debater quem vai produzir a tecnologia, como ela vai ser distribuída, e como o Brasil se insere nisso de uma maneira diferente das últimas mudanças tecnológicas, em que ficamos correndo atrás", disse à Folha Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação.
Lula também deve reforçar a defesa da soberania do Brasil para estabelecer regulação das Big Techs.
O governo Trump vem ameaçando retaliar com tarifas a União Europeia por causa de suas leis de regulação de serviços digitais, IA e taxação de big tech. No Brasil, medidas do governo e do Supremo que atingem as Big Tech foram citadas como um dos motivos para a imposição do tarifaço de Trump, em julho do ano passado, e ainda são alvo da investigação da seção 301 do Escritório de Comércio da Casa Branca, que pode resultar em sanções.
O mandatário também vai voltar a fazer uma defesa da ONU e do sistema multilateral, sob ataque do governo Trump, e da necessidade de uma governança global de IA, que enfrenta enorme oposição dos EUA.
Outro acordo a ser lançado será um memorando de entendimento sobre minerais críticos. Ainda que se restrinja a aspectos mais gerais, é significativo por ser o primeiro acordo bilateral do Brasil específico para minerais críticos e se dê com a Índia, longe da disputa entre Estados Unidos e China para dominar a cadeia de suprimento dos minerais essenciais para alta tecnologia.
O acordo e as declarações do presidente Lula na Índia devem sinalizar os princípios do Brasil em relação a minerais críticos. Um deles é a universalidade: o Brasil se recusa a assinar tratados que exigem exclusividade no fornecimento. Os EUA vêm pressionando países a fecharem entendimentos com essas amarras, rechaçadas pelo governo do Brasil, que tem a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo. Também deve ser enfatizado o princípio de estimular o processamento em solo brasileiro, e não apenas o fornecimento das matérias primas.
Do ponto de vista da Índia, um dos objetivos é reduzir a dependência da China, líder em produção e processamento de minerais críticos. O governo indiano já fechou acordos nesse setor com Argentina, Austrália e Japão.
Na questão da governança de IA, alinhar-se a Nova Déli traz riscos. Brasil e Índia compartilham o objetivo de investir em soluções locais, para não ficar excessivamente dependentes de Estados Unidos e China em relação a inteligência artificial e minerais críticos. Mas há diferenças importantes. Enquanto a Índia foca aumentar o uso de IA no país e desenvolver aplicativos locais, o Brasil tem uma agenda forte de regulação dos riscos e danos dessa tecnologia.
"A Índia aposta muito na moderação de conteúdo, inclusive muitas vezes o governo tem mão pesada nessa área; mas para além disso, o foco é se vender como destino de investimentos, e a maioria das regras são compromissos voluntários das próprias empresas de tecnologia, sem fiscalização ou responsabilização", diz Astha Kapoor, diretora do Instituto Aapti. "Já o enfoque em democratização do acesso é para ampliar o uso, mas não para assegurar que os direitos das pessoas sejam respeitados, nem para que haja medidas de transparência."
Estão confirmados na comitiva de Lula os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores); Camilo Santana Educação); Alexandre Padilha (Saúde); Esther Dweck (Gestão e Inovação); Luciana Santos (Ciência e Tecnologia); Wellington Dias (Desenvolvimento Social); e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), além de Audo Faleiro, assessor-adjunto da Assessoria Internacional do Planalto.

Uma recente pesquisa mostrou que
Nos Estados Unidos,
Globalmente, o tempo médio nas redes caiu cerca de 10% desde o pico registrado em 2022.