domingo, 15 de fevereiro de 2026

Primeira-dama de SP indica demissões e incomoda aliados de Tarcísio, FSP

  

São Paulo

Presença frequente em agendas oficiais de Tarcísio de Freitas (Republicanos), a primeira-dama de São Paulo, Cristiane Freitas, tem sido cada vez mais vista por auxiliares do Palácio dos Bandeirantes como uma das principais conselheiras políticas do governador e como um dos polos informais de decisão no governo.

Servidores atribuem a ela influência na indicação ou veto de nomes para a equipe e na avaliação de uma eventual candidatura de Tarcísio à Presidência da República.

Na opinião de assessores e funcionários ouvidos pela Folha, sua atuação extrapola o papel institucional da primeira-dama à frente do Fundo Social, órgão voltado a projetos sociais, cursos de qualificação e campanhas de arrecadação.

O governo nega que haja interferência de Cristiane em qualquer assunto além de suas funções.

Quatro pessoas no primeiro plano posam para selfie com celular vermelho em ambiente interno lotado. Ao fundo, várias pessoas sentadas e em pé observam a cena.
Tarcísio de Freitas e Cristiane Freitas posam para selfie com duas apoiadoras no Palácio dos Bandeirantes - Bruno Ribeiro/Folhapress

Um dos episódios mais recentes citados por auxiliares foi o veto ao retorno de Diego Dourado, cunhado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), à equipe da Casa Civil. Dourado atuou como articulador político do governador e estava envolvido nas negociações para a liberação de emendas de deputados estaduais. Ele deixou o governo no fim do ano passado, alegando cansaço, segundo integrantes da gestão.

Em janeiro, quando Tarcísio nomeou Roberto Carneiro, presidente do Republicanos-SP, para o comando da Casa Civil, Dourado foi chamado para retornar pelo novo secretário. De acordo com relatos colhidos pela Folha, Cristiane se opôs à volta do parente de Bolsonaro ao governo, e sua opinião levou ao veto.

Com a mudança no comando da pasta, ainda segundo auxiliares que falaram sob reserva, o novo secretário teria recebido uma lista de servidoras a serem dispensadas, atribuída à primeira-dama. A reportagem pediu entrevista com o secretário por mensagem e via assessoria, sem sucesso.

Ao menos quatro integrantes, todas assessoras especiais do gabinete, foram desligadas do fim de janeiro para cá, entre elas funcionárias que despachavam diretamente com o governador. Segundo auxiliares, a decisão teria relação com o desconforto da primeira-dama em relação à proximidade das servidoras com o marido. Carneiro resistiu à demissão de uma quinta indicada.

"Não houve e não há interferência da primeira-dama em nenhum assunto ou decisão da gestão estadual para além do escopo de atuação do Fundo Social. Os relatos mencionados não condizem com a realidade", disse o governo, em nota. A Folha pediu entrevista a Cristiane, que não foi concedida.

Cristiane, 53, está casada com Tarcísio desde 1997. Natural de Parnamirim (RN), filha de militar, cresceu na vila militar da cidade e casou-se com o governador quando ele ainda era segundo-tenente do Exército. Eles têm um filho de 20 anos e uma filha de 17. Pessoas próximas a descrevem como atenta à rotina pessoal do marido, incentivando-o a manter hábitos mais saudáveis.

A primeira-dama é formada em gestão pública. Ainda no Rio Grande do Norte, foi gerente de uma loja de shopping. Quando Tarcísio era servidor federal em Brasília, o casal foi sócio do ex-deputado federal Major Vitor Hugo (PL-GO) em um curso preparatório de concursos públicos.

O marido dá projeção às políticas públicas tocadas pela mulher, em especial em eventos de formatura de alunos de cursos profissionalizantes do Fundo Social. Um desses eventos ocorreu em dezembro, lotando o auditório do Palácio dos Bandeirantes. Outro foi realizado na última quinta-feira (12).

Na solenidade desta quinta, no auditório lotado, a aposentada Jane Ivanovski, 69, moradora de São Bernardo do Campo (Grande SP), se espremeu entre seguranças e outros alunos para tirar uma selfie com Cristiane. "Dou todo o apoio a eles. Todo o respeito. É a primeira-dama que a gente sonha", disse, ao lado de amigas que frequentam cursos do programa.

No palco do evento, estava o deputado Paulo Freire (PL-SP), mas não a deputada federal Rosana Valle (PL-SP), nome que Michelle Bolsonaro defende para uma das vagas ao Senado. Foi um sinal de desprestígio, atribuído à primeira-dama.

A deputada negou o constrangimento. À Folha, disse que já havia estado no palco em outras cerimônias de formatura e que o governo faz um rodízio entre os deputados que colaboram com a iniciativa.

Em janeiro, Cristiane entrou na mira do clã Bolsonaro após comentar nas redes sociais de Tarcísio que o Brasil precisava "de um novo CEO, meu marido". A equipe do governador afirmou, à época, que se tratava de uma forma habitual de tratamento do casal, sem conotação política.

Auxiliares relatam que Cristiane passou a se informar com mais frequência sobre temas de governo por meio de sua chefe de gabinete no Fundo Social, Raquel Berti, ex-assessora da deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL).

Em outubro de 2024, Cristiane levou Raquel para o Fundo Social, após a assessora se desentender com Valéria na Secretaria da Mulher. No mesmo período, aliados relataram insatisfação do governador com o desempenho da pasta.

Raquel acompanhou a solenidade desta quinta no palco, em área reservada às autoridades. Ao agradecer à equipe do órgão, Tarcísio olhou na direção dela e acenou com a cabeça. A reportagem tentou contato com a chefe de gabinete, que não respondeu.

Empresas de IA dominaram o Super Bowl: mau sinal, Ronaldo Lemos, FSP

 O ponto mais importante do Super Bowl de 2026 não foi só o cantor Bad Bunny. Foi o fato de o evento ter sido tomado por anúncios das empresas de inteligência artificial. Só lembrando, esses espaços publicitários estão entre os mais caros do mundo.

Em 2026 houve anúncios de Anthropic, OpenAI, Amazon (focando na Alexa+), Google Gemini e de nomes menos conhecidos como a Base44, a empresa Artlist (que usou IA para criar seu próprio comercial) ou a startup Genspark.

Isso é um mau sinal. Nas duas últimas vezes em que a final do futebol americano foi dominada por anúncios de empresas de tecnologia, aquele foi também o ano de implosão de bolhas especulativas no setor.

Homem jovem com cabelo curto e barba aparada sorri para a câmera em ambiente externo com fundo desfocado de árvores. Texto branco sobreposto diz: 'Ads are coming to AI. But not to Claude.'
No Super Bowl, Anthropic usou o comercial para ironizar decisão da OpenAI de incluir publicidade na plataforma - Reprodução

Por exemplo, o ano de 2022 foi chamado de o Super Bowl das criptomoedas. As empresas de cripto viviam um momento de exuberância. Exibiram comerciais no evento a Crypto.com, a Coinbase, eToro e a FTX. Note que o Super Bowl foi realizado dia 13 de fevereiro daquele ano.

Três meses depois, as criptomoedas desabaram. Em maio de 2022, a stablecoin chamada LUNA implodiu, gerando prejuízos bilionários. Em novembro foi a vez da FTX. Não só a empresa capotou brutalmente, como pouco depois seu fundador acabou sendo preso por fraude financeira.

Um cenário similar se repetiu no ano 2000. Foi quando houve o espetacular colapso da bolha das chamadas empresas "pontocom". Naquele ano o Super Bowl teve anúncios de empresas como a Pets.com, que vendia ração pela internet. Ou a Computer.com, que vendia computadores pela rede. Ou ainda, a Ourbeginning.com, que oferecia serviços de listas de casamento online.

Com tanto dinheiro de investidores, essas empresas foram capazes de comprar espaços no Super Bowl. Dez meses depois de terem seus anúncios exibidos no evento, nenhuma delas existia mais.

Anúncios extravagantes geram desconfiança. Passam a impressão de que as empresas estão desesperadas por aumentar o número de usuários para amortizar o monumental investimento feito até agora no setor e na sua infraestrutura. Esse padrão não está acontecendo só nos EUA, mas na China também.

A semana que passou foi a de véspera do Ano-Novo Chinês. Trata-se do feriado mais importante do país. Milhões de pessoas viajam, a audiência na TV e na internet explode e os anúncios se multiplicam. Tal como no Super Bowl houve um frenesi de marketing das empresas de IA.

O Alibaba chegou a distribuir US$ 420 milhões em dinheiro entre quem entrasse na sua IA chamada Qwen neste período. A Tencent fez a mesma coisa e distribuiu US$ 140 milhões entre novos usuários da sua IA chamada Yuanbao. Houve até distribuição de "bubble tea" para novos usuários.

Já a ByteDance, dona da IA mais popular da China, chamada Doubao, comprou o espaço publicitário no Gala de Fim de Ano Chinês, o Super Bowl do país. Em suma, Ocidente e Oriente estão unidos no afã de conseguir novos usuários para suas plataformas de IA, em busca de convertê-las em produtos de massa. Antes que as bolhas do chá ou do dinheiro estourem. Aliás, feliz ano novo chinês!

Já era – o estouro da bolha das empresas pontocom do ano 2000

Já é – queda significativa do mercado de cripto neste começo de 2026

Já vem – o estouro da bolha da IA?