sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Receita de R$ 37 bi e mais de 180 marcas: veja o raio-X das bets no Brasil- OESP

 O setor de apostas online, conhecidas como bets, e de cassinos digitais terá um dia decisivo pela frente nesta sexta-feira, 25, com a expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assine, no fim da tarde, uma medida provisória (MP) que proibirá essas empresas de atuar no Brasil.

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Em 2024, o Ministério da Fazenda criou a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) para regular o setor. Ao longo daquele ano, a pasta publicou mais de dez portarias com as regras para o funcionamento desse mercado.

Para operar, as empresas precisaram pagar uma outorga de R$ 30 milhões. Cada autorização tem validade de cinco anos e permite que a empresa opere até três marcas. Para obter autorização para mais marcas, é necessário pagar uma nova outorga.

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Desde outubro de 2024, só podem operar no País as bets autorizadas pelo governo brasileiro. O marco oficial do início do mercado regulado é 1º de janeiro de 2025, quando o Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP) passou a concentrar também o envio de dados das operações das bets autorizadas, permitindo à Fazenda monitorar e fiscalizar o setor.

Qual o faturamento das bets?

No ano passado, a Receita Bruta de Jogos (GGR, na sigla em inglês) das empresas regularizadas foi de R$ 37 bilhões, segundo dados disponíveis no Relatório de Gestão Integrado do Ministério da Fazenda.

Esse valor corresponde, na prática, ao dinheiro que fica com a empresa depois de descontados os prêmios pagos aos apostadores. O lucro líquido, porém, depende da dedução de outros custos e despesas, como impostos, taxas, despesas operacionais e publicidade.

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Desse montante, cerca de R$ 4,5 bilhões foram destinados a políticas públicas nas áreas de seguridade social, esporte, educação e proteção do consumidor.

Ainda segundo o Ministério da Fazenda, também foram arrecadados aproximadamente R$ 9,95 bilhões em tributos federais, R$ 2,5 bilhões em outorgas de autorização e R$ 95,5 milhões em taxas de fiscalização.

Receita Bruta de Jogos das bets regularizadas foi de R$ 37 bilhões em 2025.
Receita Bruta de Jogos das bets regularizadas foi de R$ 37 bilhões em 2025. Foto: Wpadington/Adobe Stock

Quantas bets tem no Brasil?

A aba de empresas autorizadas a operar no setor, disponível no site da SPA e atualizada na quinta-feira, 24, lista 85 companhias.

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Cada uma delas pode operar até três marcas. Dessas, 40 operam três marcas; 23 operam duas; e 22 operam uma. Ao todo, são 188 marcas comerciais em operação.

Quantos apostadores tem no Brasil?

Em 2025, pelo menos 25,2 milhões de brasileiros participaram de apostas, segundo informações repassadas ao Ministério da Fazenda pelas 79 empresas autorizadas a operar no País naquele ano.

Um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, divulgado nesta sexta-feira, mostrou que o Brasil tem 50 milhões de apostadores nas capitais.

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Segundo a pesquisa, o gasto médio mensal com apostas é de R$ 213, chegando a R$ 314 na classe A/B. O levantamento foi feito online entre 25 de maio e 4 de junho e ouviu 800 pessoas que realizaram compras pela internet nos últimos 12 meses.

Em agosto, o Ministério da Fazenda informou que cerca de 827 mil pessoas estavam impedidas de apostar em plataformas autorizadas pela SAP em razão da renegociação de dívidas. A pasta também afirmou ter bloqueado o acesso às plataformas de apostas de 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Quantos empregos as bets geram?

O estudo “A Saúde dos brasileiros em jogo”, desenvolvido pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) em parceria com a Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental (FPSM) e a Umane, apontou que, em 31 de dezembro de 2024, o subsetor em que o mercado de apostas atua tinha 1.144 empregos formais ativos, distribuídos entre 60 empregadores - uma média de 19 vínculos por empresa. Os dados foram retirados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

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Já um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), com base em dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostrou que, em 2025, a classe atividades de exploração de jogos de azar e apostas alcançou 3.315 vínculos formais.

Longe do bafo do povo - Ruy Castro - FSP

 Rio de Janeiro

Ninguém precisa acreditar, mas, há pouco mais de cem anos, ministros de Estado, parlamentares da pesada e juízes superiores iam de bonde para o trabalho. Aguardavam na fila, subiam pelo estribo e sentavam-se ao lado de pessoas como você e eu. Todos moravam no Rio, em casa comprada com seus recursos ou alugada de particulares. Suas mulheres organizavam chás de caridade, lanchavam na Colombo e participavam de saraus literários. Seus filhos estudavam em escolas públicas, remavam no Flamengo e trabalhavam no comércio. O Rio era a capital federal e, em torno do poder, situado no centro da cidade, havia uma coisa chamada povo.

A mudança da capital para Brasília, promovida por JK em 1960, criou um problema: ninguém queria ir para lá. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário eram obrigados, mas seus membros, individualmente, precisaram ser subornados para aceitar a transferência. E dá-lhe de salários duplicados, bônus por comparecimento, casas à beira do lago construídas para eles, carro com motorista e, mais importante, passagens aéreas para o Rio ou para seus estados. O mesmo, em escala menor, se fez com os funcionários públicos. O que era descarado suborno cristalizou-se no que hoje se chama mordomia. E a cornucópia nunca estancou.

Até por isso, o material humano de que se compõe o poder piorou muito nesses 66 anos. Provincianizou-se, acafonou-se. Nossos maiores são uns deslumbrados que dão expediente em palácios na praça dos Três Poderes, a 300 metros um do outro e a um infinito de distância de um brasileiro normal. Como não têm de ir à esquina nem para comprar um retrós (não há mais retroses e, esquinas, nunca houve), não sentem o bafo do povo e acham natural ser movidos a agrados.

Daí, tome-lhe também de bocas-livres, putas, surubas, charutos, uísques, jatinhos, desconto em hotéis de luxo, temporadas de esqui, ingressos para a Fórmula 1, camarote na Sapucaí, contratos em nome de terceiros, comissões.

Só provincianos, cafonas e deslumbrados se deixam vender por tão pouco.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O governo despejaria mais de R$ 250 bi em queijos fiscais se acreditasse na política econômica?- Celso Ming - OESP

 Queijo de graça, só o de ratoeira. Esse antigo ditado popular tem lá sua aplicação para os pacotes sucessivos de bondades eleitoreiras, supostamente de graça, distribuídos pelo presidente Lula ao longo deste ano.

Se o governo acreditasse que a política econômica fosse a maravilha que vem propagando, não teria de despejar de R$ 250 bilhões a R$ 270 bilhões em queijos fiscais para tentar convencer o eleitor a depositar seu voto no candidato Lula.

Queijo de graça, só o de ratoeira; assim como os pacotes eleitoreiros de Lula, que impõem custos para a economia, que caem na conta do contribuinte
Queijo de graça, só o de ratoeira; assim como os pacotes eleitoreiros de Lula, que impõem custos para a economia, que caem na conta do contribuinte Foto: Marcos Müller/Estadão

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Vale mencionar alguns. É a isenção do Imposto de Renda para contribuintes que ganham até R$ 5 mil mensais; são os subsídios aos combustíveis, destinados a amenizar os traumas da disparada dos preços do petróleo, que se seguiram ao fechamento do Estreito de Ormuz; o novo modelo de crédito imobiliário; o programa Reforma Casa Brasil; o da Luz do Povo, que isenta de tarifas o fornecimento de energia elétrica para população carente; o saque complementar do Fundo de Garantia; o programa Gás do Povo; o Move Brasil, para motoristas de aplicativo e linhas de crédito para compra de caminhões e ônibus; o reajuste de 15% do Bolsa Família; são os programas Desenrola para renegociação da dívida das famílias na rede bancária; e há outros programas para a indústria e exportadores.

Não entram nessa relação os R$ 61 bilhões do chamado Orçamento Secreto e das Emendas do Relator decididos ao longo de 2026, passados aos políticos que os redistribuem sem nenhuma transparência em suas bases eleitorais.

Trata-se de injeção monumental de recursos públicos ou de renúncias tributárias, que não saem de graça para a sociedade. Impõe custos severos para a economia, que caem na conta do contribuinte de várias maneiras.

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Esses pacotes trabalham contra a política monetária do Banco Central, que fica obrigado a redobrar o tamanho dos juros e, nessas condições, aumenta a dívida pública e repassa a alta dos custos do crédito para empresas e pessoas físicas.

O rombo fiscal, por sua vez, acaba por produzir avanço artificial da atividade econômica, uma das razões pelas quais o avanço do PIB não passa do chamado efeito voo de galinha.

Produzem outras distorções. Além de tirar competitividade ao etanol e ao biodiesel, os subsídios à gasolina e ao óleo diesel bloqueiam o impulso do consumidor de trocar combustível fóssil por combustível limpo.

O Desenrola, por sua vez, acabou por enredar ainda mais o orçamento das famílias em suas dívidas que, em seguida, engrossam o caudal das inadimplências.

O distributivismo proporcionado pelo reajuste exagerado do Bolsa Família é um dos fatores que explicam a redução da procura por emprego e, nesse sentido, ajudam a escassear artificialmente o mercado de mão de obra.

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Enfim, esses pacotes não ficarão baratos para a sociedade. Quem sobreviver verá.