quinta-feira, 2 de julho de 2026

Prefeitura inaugura praça em último endereço ocupado pela Cracolândia: ‘Não vão voltar mais’, OESP

 A Prefeitura de São Paulo inaugurou nesta terça-feira, 1.º, uma praça localizada entre as ruas dos Protestantes e General Couto Magalhães, último endereço ocupado pela Cracolândia, aglomeração de usuários de drogas cravada por três décadas no centro da capital. A cerimônia ocorreu pouco mais de um ano após o esvaziamento do chamado “fluxo” de dependentes químicos, que até maio do ano passado concentrava-se por ali.

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“Estamos hoje devolvendo para a cidade de São Paulo um espaço que era ocupado pelos traficantes e pela malandragem, que não vão voltar mais”, disse o prefeito Ricardo Nunes (MDB). A inauguração da chamada Praça do Triunfo, que conta inclusive com quadra e academia ao ar livre, recebeu investimento de cerca de R$ 2,5 milhões.

Além do prefeito, a cerimônia de inauguração contou ainda com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que destacou as ações integradas para intensificar as internações e coibir o tráfico na região, incluindo as ações para acabar com uma espécie de “ecossistema” do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região. “A Praça do Triunfo significa muito, significa a vitória sobre uma chaga de mais de 30 anos”, disse.

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Efeitos do 'fim' da Cracolândia

Capa do video - Efeitos do 'fim' da Cracolândia

Um ano após esvaziamento do fluxo, apreensão cai nas regiões de Campos Elíseos e Santa Ifigênia, mas sobe em bairros vizinhos em São Paulo. Crédito: Gráficos: Lucas Keske e William Brizola/Edição: Andressa Brito

Como mostrou levantamento recente do Estadão, as apreensões de crack caíram pela metade no centro após o esvaziamento da Cracolândia, em redução puxada pelas regiões de Campos Elíseos e Santa Ifigênia, últimos endereços do fluxo. Ao mesmo tempo, mais do que dobraram na Sé e na Consolação.

Prefeitura inaugura praça em último endereço ocupado pela Cracolândia, na Santa Ifigênia, centro de São Paulo.
Prefeitura inaugura praça em último endereço ocupado pela Cracolândia, na Santa Ifigênia, centro de São Paulo. Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo

Pesquisadores afirmam que os dados reforçam a necessidade de um trabalho continuado e a percepção de uma possível migração de usuários para outros pontos, como a Praça 14 Bis, na Avenida Nove de Julho, e os arredores da Baixada do Glicério e do Parque Dom Pedro II, perto da Avenida do Estado. Moradores relatam novas aglomerações também em áreas como o entorno da Comunidade de Gato, perto da Marginal do Tietê, e a Avenida Roberto Marinho, na zona sul.

A gestão estadual nega que tenha havido dispersão e atribui as altas a esforços crescentes contra o tráfico, enquanto a Prefeitura fala em avanços “evidentes e incontestáveis” nos últimos meses. Balanço do governo do Estado aponta que mais de 34 mil encaminhamentos já foram feitos pelo Hub de Cuidados com Crack e Outras Drogas, “repaginação” do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod).

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Aglomeração de usuários de droga na Rua General Rondon, nos arredores da Praça Princesa Isabel.
Aglomeração de usuários de droga na Rua General Rondon, nos arredores da Praça Princesa Isabel. Foto: Taba Benedicto/Estadão - 06/05/26

Segundo o governador, após o esvaziamento, as gestões estadual e municipal têm intensificado os “braços de assistência” de saúde e assistência social também em outras regiões. “Para que a gente não permita mais ter aglomeração de dependentes químicos sem que eles sejam encaminhados para um tratamento, sem que eles tenham uma porta”, disse.

Tarcísio ressaltou que a inauguração da praça se dá em um contexto de melhorias na região para receber o novo centro administrativo, com investimento estimado de cerca de R$ 5 bilhões. “A gente tinha que resgatar a autoestima dos comerciantes daqui”, afirmou durante a cerimônia. “Daqui a alguns anos, o centro de São Paulo vai ser absolutamente diferente.”

Como mostrou recentemente o Estadão, um ano após o esvaziamento do fluxo, os roubos e furtos caíram na região onde a aglomeração de dependentes químicos permaneceu por décadas, apontam dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP). Comerciantes da região reconhecem que houve melhoras, mas queixam-se da falta de clientela.

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Dono de comércio mira lojas vizinhos com anúncios de "aluga-se" na região de Santa Ifigênia.
Dono de comércio mira lojas vizinhos com anúncios de "aluga-se" na região de Santa Ifigênia. Foto: Taba Benedicto/Estadão - 29/04/26

Moradora da Rua dos Gusmões, Mônica Macedo, de 48 anos, foi surpreendida com a inauguração da Praça do Triunfo quando passava por ali. O primeiro instinto foi tirar o celular do bolso e gravar um vídeo para mandar no grupo do condomínio. “No prédio tem muita criança, adolescente, e eles só ficam numa quadra menor, um pedacinho. Tenho um filho de 12 anos que vai adorar que agora tem quadra aqui”, disse à reportagem.

“Agora não tem mais essa de ficar pulando no prédio, discutindo com irmão. Vou falar: ‘vai para a quadra’”, comentou outra mãe, que assistia à movimentação intensa de crianças pela quadra. A única ponderação, disse ela, é que podiam ter mais equipamentos na academia ao ar livre para adultos.

Praça conta com quadra poliesportiva; investimento foi de R$ 2,5 milhões.
Praça conta com quadra poliesportiva; investimento foi de R$ 2,5 milhões. Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo

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Conforme a Prefeitura, a praça foi implantada por meio da parceria público-privada (PPP) municipal da habitação para inaugurar um conjunto de intervenções destinadas a requalificar uma área estratégica da região central. A obra foi realizada pela Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) e pela Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab-SP).

A gestão municipal acrescentou que, na mesma quadra, que antes possuía instalações do Teatro de Contêiner, será construído também um empreendimento com 97 unidades habitacionais, três unidades comerciais e novos espaços públicos de lazer, desenvolvido em parceria entre município e Estado, com previsão de início das obras em novembro de 2026.

Musculação reprograma células do fígado e ajuda a reverter danos da obesidade, Agência Fapesp

 Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Estudo desenvolvido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostra que os benefícios da musculação vão além do ganho de músculos e da perda de gordura. Em experimentos com camundongos, os pesquisadores observaram que o treinamento de força induz uma verdadeira reprogramação molecular no fígado. A descoberta ajuda a entender como a prática modula o funcionamento do genoma para mitigar a doença hepática esteatótica – condição caracterizada pelo acúmulo de gordura no órgão e intimamente ligada ao surgimento do diabetes tipo 2.

“Queríamos entender como algo que ocorre nos músculos poderia interferir e beneficiar um problema no fígado. Para isso, fomos investigar o cerne do metabolismo, que é o nosso DNA. O objetivo foi compreender como a obesidade agride esse DNA e, depois, como a musculação consegue protegê-lo”, relata Leandro Pereira de Moura, professor da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA-Unicamp) e coordenador da pesquisa, em entrevista à Agência FAPESP.

Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram divulgados em novembro na revista Life Sciences.

Para descobrir como o trabalho muscular impacta o fígado, a pesquisa focou na epigenética. Essa área da ciência avalia de que forma fatores externos – como hábitos de vida e condições ambientais – alteram o funcionamento dos genes sem modificar o código do DNA.

Um dos fenômenos epigenéticos mais estudados é a metilação do DNA. Ela consiste na adição de uma molécula química (o grupo metil) na chamada região promotora do gene, que funciona como o “botão de ligar”. Essa marcação química atua como uma barreira física que torna o gene menos acessível para as enzimas da célula, inibindo a sua atividade.

Nos experimentos com roedores, os pesquisadores verificaram que oito semanas de musculação foram suficientes para alterar a metilação do gene MTCH2 (homólogo 2 do transportador mitocondrial), que está fortemente envolvido na forma como o fígado processa e utiliza a energia.

Como explica Moura, a obesidade obriga o fígado a trabalhar em um ambiente tóxico. O excesso de gordura se acumula nos hepatócitos – as principais células do fígado –, desencadeando uma inflamação crônica e falhas nas mitocôndrias, que são as "usinas de energia" celulares. O fígado busca se regenerar, mas, sem energia suficiente, esse processo falha. O tecido sadio vai sendo substituído por tecido cicatricial (fibrose) em um processo que destrói aos poucos a função do órgão. É nesse cenário de estresse extremo que o corpo desregula o funcionamento do gene MTCH2, acelerando ainda mais a progressão da doença.

Nos experimentos com os camundongos treinados, os cientistas observaram algo intrigante: embora as células do fígado até emitissem o comando genético (RNA mensageiro) para ativar o MTCH2, a quantidade final da proteína ligada a esse gene diminuiu. Segundo Moura, isso ocorre porque a musculação devolveu a capacidade energética ao órgão e reduziu a inflamação. Ao perceber que o ambiente não era mais tóxico, o organismo desligou o "modo de emergência". Sem o estresse celular e os sinais de autodestruição, o próprio corpo bloqueou as etapas finais de formação dessa proteína.

Resistência à insulina

Um dos papéis do fígado é ajudar a manter estável o nível de açúcar no sangue (glicemia) para garantir o funcionamento de todos os órgãos, principalmente do cérebro. Sob o comando da insulina, o fígado armazena o açúcar excedente logo após as refeições na forma de glicogênio; já nos períodos de jejum, ele libera essa reserva de volta na corrente sanguínea. Em condições normais, a insulina funciona como um mensageiro que avisa o fígado para parar de liberar glicose quando o corpo já está abastecido. Mas quando o órgão está sufocado pela gordura e inflamado, ele desenvolve resistência à insulina, ou seja, fica “surdo” a esse aviso e continua mandando açúcar para a circulação. Um dos achados da pesquisa é que, nos roedores obesos que praticaram treinamento de força, o fígado recuperou a sensibilidade à insulina.

Os resultados também indicam que a atividade física inibiu a ação de enzimas que causam a fibrose e o crescimento celular desordenado. E impulsionou a produção de ATP5, proteína essencial para a geração de energia mitocondrial. “Com energia abundante, as células saem do estado de alerta e deixam de ativar o gene MTCH2, favorecendo a regeneração do tecido”, resume Moura. “Levantar pesos fortalece não só os músculos, mas também controla como o DNA do fígado funciona.”

O artigo Epigenetically modulated MTCH2 and regulated ATP5 in the liver of obese mice subjected to strength training pode ser lido em: sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0024320525007416.
 

Com inaugurações no metrô, SP chega a quase 400 km de trilhos; veja como fica o mapa, FSP

 Fábio Pescarini

São Paulo

Com a inauguração do primeiro trecho da linha 6-laranja nesta quinta-feira (2) e a abertura na última terça-feira (29) da estação Washington Luís, da linha 17-ouro —ambas do metrô—, o sistema metropolitano de São Paulo passa a contar com 393,3 km de trilhos.

Ao todo, são 188 estações de trens e de metrô.

Em cerimônia marcada para as 10h desta quinta-feira, serão inauguradas seis estações da linha 6-laranja.

O ramal abre ao público nesta sexta-feira (3), um dia depois da cerimônia, e cerca de 18 anos após seu projeto ser anunciado.

O trecho a entrar em operação será entre as estações João Paulo 1º e Perdizes e compreenderá também as paradas Frequesia do Ó, Santa Marina, Água Branca e Sesc-Pompeia.

Até o fim do ano, a linha vai operar em horário reduzido, das 10h às 15h e de segunda a sexta-feira (exceto feriados). Não haverá cobrança de passagem aos usuários.

Ao todo, a linha 6-laranja contará com 15 estações e vai ligar a Brasilândia, na zona norte, à Liberdade, na região central.

O percurso, por enquanto, será feito com dois trens em sistema de ida e volta, com velocidade aproximada de 30 km/h (eles podem alcançar até quase 90 km/h). O trecho entre as seis estações deve ser percorrido em 19 minutos. Apenas um acesso em cada estação estará aberto aos passageiros.

A Água Branca, uma das que serão abertas, tem integração com a estação homônima da linha 7-rubi, do trem metropolitano.

Como o túnel entre as duas não está pronto, o passageiro que chegar de metrô precisará sair da estação e acessar o outro prédio pelo lado externo, onde pagará tarifa para embarcar na rede ferroviária.

Duas das primeiras estações do trecho norte da linha 6 —Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado— devem ser abertas ao público no fim do ano.

Dois trabalhadores com capacetes estão em plataforma elevatória azul entre estruturas de concreto e metal. Um terceiro trabalhador observa no chão, em área de construção com equipamentos e materiais.
Funcionários trabalham no fim de obra da estação Washington Luís, da linha 17-ouro do metrô, que passou a funcionar em horário reduzido na última terça-feira (30) - Danilo Verpa - 30.jun.26/Folhapress

A estação Maristela, a segunda da linha na zona norte, com 68% das obras concluídas, conforme a última atualização, deve ficar pronta apenas em 2027, assim como as demais, menos a 14 Bis-Saracura, na Bela Vista, região central —devido a achados arqueológicos, as obras no local só foram liberadas recentemente pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Na linha 17-ouro, o trecho aberto nesta semana tem cerca de 800 metros.

Também em horário reduzido por causa de operação assistida, as oito estações do monotrilho do aeroporto de Congonhas funcionam das 9h às 16h. Igualmente não há cobrança de passagem.