sexta-feira, 13 de março de 2026

PT da Sapucaí subestimou a candidatura de Flávio, Alvaro Costa e SIlva, FSP

 Com ondas altas e perigosas, o mar está para Flávio Bolsonaro. Sua candidatura à Presidência foi subestimada pelos petistas carnavalescos, pela direita que finge usar talheres finos, pelos centrões e até pelo deus-mercado. Da cadeia, o pai Jair, que conhece bem seu rebanho, enxergou longe.

No calçadão da praia, sem molhar os pés, os sabichões garantem que nas próximas pesquisas Flávio poderá aparecer à frente de Lula e continuar subindo até o dia das eleições. Oceanógrafos mais experientes, contudo, preveem uma disputa voto a voto para conseguir a menor rejeição (no placar do recente Datafolha, o petista tem 46%; o bolsonarista, 45%) e, a menos de sete meses do pleito, constatam a cristalização do cenário: 90% dos votantes dizem não se arrepender da escolha feita em 2022.

Dois homens aparecem em retratos lado a lado. O da esquerda tem cabelo curto castanho, usa óculos e terno escuro com camisa branca e gravata vermelha. O da direita tem cabelo branco, barba branca, veste terno escuro com camisa branca e gravata azul, e usa um aparelho auditivo preto no ouvido direito.
Flávio Bolsonaro e Lula - Evaristo Sá - 17.dez.25 e 9.mar.26/AFP

Aproveitando essa brazilian storm, Flávio surfa na onda Master, com formato perfeito para atacar o STF e desacreditar a condenação dos golpistas, incluindo no pacote (ou no caixote) o governo. Por outro lado, uma investigação isenta —sem vazamentos seletivos e blindagens de nomes— não livra o bolsonarismo da arrebentação da onda.

Além de Daniel Vorcaro e de seu braço direito, o pastor Fabiano Zettel —doadores da campanha de Bolsonaro—, estão ligados ao escândalo Antônio Rueda, presidente do União Brasil; Ciro Nogueira, presidente do PP e "um grande amigo de vida", segundo Vorcaro; os governadores do Rio, Cláudio Castro, de São PauloTarcísio de Freitas, e do DF, Ibaneis Rocha; Davi Alcolumbre, presidente do Senado; e o deputado influencer Nikolas Ferreira, que usava os jatinhos da milícia engravatada.

Não por último está Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central "independente" indicado por Bolsonaro, em cuja gestão o Banco Master foi criado e cresceu em meio a trambiques, bajulações e festanças. Vorcaro fez 24 visitas ao gabinete de Campos Neto, era praticamente um hóspede, só faltava levar a escova de dente.

Agora é ver quem consegue vender melhor o peixe podre. Se a situação ou a oposição.

Participação de bloco de controle na Raízen pode cair de 88% para 30%, Raquel Landim - FSP

 Notícia de presente

processo de recuperação extrajudicial da Raízen, protocolado nesta quarta-feira, 11, vai mudar bastante a composição acionária da empresa. Segundo pessoas ligadas às negociações, a empresa deve continuar com um bloco de controle, mas com uma participação acionária bem menor e com uma configuração diferente.

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Hoje, o bloco de controle detém 88% das ações da empresa. Esse bloco é dividido de forma igualitária entre Shell e Cosan, com 50% das ações para cada grupo.

Na nova configuração, esse bloco deve passar a deter algo em torno de 30% da companhia. O bloco passará a ser dividido entre Shell, Cosan e Aguassanta, a holding de Rubens Ometto, controlador da Cosan. A Shell será a maior acionista individual.

Para você

Não está claro ainda, no entanto, como esse controle da empresa será exercido. A questão da divisão do conselho de administração, por exemplo, ainda está em discussão.

Além disso, credores e outros acionistas da Raízen negociando uma conversão de cerca de R$ 25 bilhões de dívida em capital. Se chegarem a um acordo, devem se tornar sócios da empresa.

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A avaliação é que, ao final do processo de recuperação, a dívida da empresa, que está hoje em torno de R$ 65 bilhões, cairia para algo como R$ 35 bilhões. É o maior processo extrajudicial desse tipo já visto no Brasil. Oi e Odebrecht tiveram débitos maiores reestruturados, mas foram processos feitos já no âmbito judicial.

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As pessoas ouvidas pela reportagem, em condição de anonimato, dizem também que, nesse momento, não há uma busca por um novo investidor para a empresa.

Cenário macroeconômico e dificuldades setoriais

O aporte de capital dos controladores na Raízen deve ficar em R$ 4 bilhões: R$ 3,5 bilhões virão da Shell e R$ 500 milhões serão aportados por Ometto, por meio da Aguassanta.

Nas últimas semanas, representantes de Shell, Cosan, Raízen e BTG Pactual (acionista da Cosan) fizeram uma série de reuniões, buscando chegar a um acordo sobre quanto dinheiro deveriam aportar na empresa, que não evoluiu além dos R$ 4 bilhões decididos. As conversas incluíram até um encontro, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em fato relevante divulgado nesta quarta-feira, a Raízen atribui a deterioração da situação financeira do grupo a uma combinação de fatores macroeconômicos e setoriais, incluindo ciclos recentes de menor produtividade agrícola, compressão de margens e aumento do custo do endividamento.

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Segundo o documento, mudanças no ambiente econômico e no próprio setor sucroenergético prejudicaram o desempenho das companhias operacionais do grupo nos últimos anos e acabaram pressionando toda a estrutura financeira das empresas envolvidas.

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“A alteração do cenário macroeconômico e setorial - decorrentes de ciclos de colheita de menor produtividade, queda das margens e alto custo do endividamento financeiro - prejudicou a atividade das companhias operacionais e, por consequência, toda a operação estruturada pelas Devedoras ao longo de anos de atuação no segmento”, afirma.

O texto também destaca o impacto do forte aumento das taxas de juros no Brasil no período recente. De acordo com o documento, houve uma “alta expressiva da taxa básica de juros no mercado doméstico”, com a Selic passando de cerca de 2% em 2020 para aproximadamente 15% em 2026. Esse movimento, segundo o plano, elevou significativamente o custo do endividamento das empresas do grupo e contribuiu para o agravamento da situação financeira./Colaboraram Leandro Silveira e Gabriel Azevedo

quinta-feira, 12 de março de 2026

Choque no petróleo é positivo ou negativo para economia do Brasil?, Braulio Borges, FSP

 O agravamento das tensões no Oriente Médio gerou, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a maior disrupção da história na oferta de energia (petróleo bruto, derivados e gás natural). O fechamento do estreito de Hormuz, por onde transitam 20 milhões de barris por dia de hidrocarbonetos (20% da demanda global), é o principal responsável por isso.

Mas há fatores que preocupam ainda mais, por terem consequências mais duradouras. A guerra está destruindo várias infraestruturas de produção e transporte naquela região, que podem levar bastante tempo para serem recuperadas. E quanto mais tempo durar o conflito maiores serão os potenciais prejuízos causados a toda essa infraestrutura.

Refletindo isso, observou-se uma alta expressiva da cotação do preço do petróleo, de cerca de US$ 70 no final de fevereiro para algo em torno de US$ 100/barril nos últimos dias, considerando o tipo Brent. E a elevação percentual nos preços dos derivados, sobretudo o diesel e o gás natural liquefeito (GNL), tem sido ainda maior, justamente pelo fato de a região onde ocorre o conflito concentrar parte relevante da extração e do refino mundial.

Como isso impacta a economia brasileira? É difícil apontar se o saldo líquido é favorável ou desfavorável, em termos agregados. Por um lado, o impacto tende a ser claramente negativo: os preços dos combustíveis deverão sofrer reajuste expressivo em breve, uma vez que a defasagem ante a cotação internacional é elevada e a Petrobras, principal player nesse mercado, não tem capacidade de suportar esse descompasso por muito tempo. Como o Brasil ainda tem uma dependência muito elevada do modal rodoviário (cerca de 60%), os efeitos indiretos desse reajuste serão sentidos em praticamente todos os demais bens e serviços, o que pode levar a uma taxa Selic mais elevada.

Ademais, preços de derivados no mercado interno muito abaixo dos internacionais inviabilizam a importação —e o Brasil tem uma elevada dependência de diesel importado, comprando lá fora quase 30% do diesel consumido internamente. Portanto, caso a Petrobras não reajuste os preços, aproximando-os das referências internacionais, corre-se o risco de déficit de suprimento —o que pode ser ainda pior do que uma elevação dos preços.

Por outro lado, ao longo dos últimos dez anos ocorreu uma transformação muito expressiva: o Brasil, que historicamente foi importador líquido de energia (petróleo bruto, derivados e eletricidade de Itaipu, referente à parcela paraguaia), se tornou um grande exportador líquido, basicamente por conta do desenvolvimento da exploração de petróleo e gás natural no pré-sal. Em 2025, o Brasil produziu cerca de 4,9 milhões de barris por dia de petróleo e gás natural, ao passo que o consumo aparente doméstico foi de 2,4 milhões (49% da produção).

O saldo comercial em petróleo e derivados foi superavitário em quase US$ 30 bilhões no ano passado (em 2014 tivemos um déficit de US$ 17 bilhões). Embora tenhamos um superávit, boa parte dele está associado ao petróleo bruto, uma vez que a capacidade de refino brasileira, sobretudo para produzir diesel, é insuficiente para atender a demanda doméstica (algo que vem sendo amenizado pelo aumento da incorporação do biodiesel e pelo uso de biometano).

Assim, uma alta dos preços do petróleo pode ter impacto positivo sobre o PIB brasileiro via comércio exterior, além de gerar uma melhora dos resultados fiscais brasileiros (em 2022 houve um acréscimo de 0,6% do PIB das receitas fiscais refletindo apenas o efeito direto do repique observado naquele ano).

É nesse contexto que é difícil apontar qual o impacto líquido desse choque. Provavelmente ele tende a ser favorável em termos agregados (mais PIB, resultado fiscal melhor), mas bastante desfavorável para boa parte da população.