terça-feira, 29 de setembro de 2026

Por que mentiras, como a envolvendo a Nossa Senhora Aparecida, decidem eleições no Brasil? Entenda- Rodrigo da Silva - OESP

 Presidente falou sobre a notícia falsa em entrevista ao Canal Livre, da TV Band.

Às 21h50 da quarta-feira, 23 de setembro, o influenciador Jeferson Monteiro publicou isso aqui no X:

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“Católico não vota em nenhum Bolsonaro e nem em nenhum candidato que queira retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira e Rainha do Brasil”.

Seis minutos depois, outro perfil acrescentou que grupos evangélicos pressionariam Flávio Bolsonaro a fazer exatamente isso caso fosse eleito.

Na noite seguinte, a jornalista Maria Cristina Fernandes comentou na GloboNews que havia na Igreja uma reação a evangélicos interessados em tirar da santa o título de padroeira do Brasil. Ela não citou Flávio. O trecho passou a circular como se tivesse citado.

Flávio Bolsonaro, durante evento de campanha em SP
Flávio Bolsonaro, durante evento de campanha em SP  Foto: Vittor Sales

A proposta a que a jornalista se referia existiu. Mas foi apresentada no longínquo ano de 2007 pelo deputado Victório Galli, então no PMDB do Mato Grosso. A proposta era trocar, na lei do feriado de 12 de outubro, a expressão “Padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A Câmara a arquivou em 2008. Flávio nunca teve relação com o projeto.

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Foi um fuzuê. Em pouco mais de dois dias, o Instituto Democracia em Xeque contou quase 1 milhão de publicações sobre o assunto e 8,5 milhões de interações. Entre os perfis de políticos monitorados, a esquerda fez dois de cada três posts. A primeira-dama Janja publicou uma foto de Lula diante da imagem da santa. O vice-presidente Geraldo Alckmin garantiu que as tradições religiosas seriam “protegidas e preservadas”. O alarmismo religioso tomou conta do último final de semana antes do primeiro turno.

Na quinta-feira, a GloboNews corrigiu a informação e pediu desculpas pelo ocorrido. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, mandou as plataformas removerem as publicações que atribuíam a ideia a Flávio ou à família Bolsonaro.

No mesmo dia, George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, a Secom, repostou uma mensagem com o seguinte pedido:

“Parem de divulgar a retratação. Deixem o assunto rolar. [...] Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada”.

A Secom diz que o perfil dele é pessoal.

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Jeferson Monteiro, o autor do post original, é o criador do Dilma Bolada, o perfil ativista que parodiava Dilma Rousseff nas redes sociais e chegou à marca de 1,5 milhão de seguidores.

Lula em comício em Belém (PA) na reta final da campanha eleitoral
Lula em comício em Belém (PA) na reta final da campanha eleitoral Foto: Reprodução/PT/YouTube

Mentiras em escala industrial

A mentira não é uma novidade na eleição brasileira. O que mudou ao longo do tempo foi a escala. A grosso modo, a mentira política no Brasil passou por três fases: a do documento forjado, a da peça de campanha e a da produção em série.

Na primeira fase, uma mentira dava trabalho. Em outubro de 1921, o jornal carioca Correio da Manhã publicou duas cartas atribuídas a Artur Bernardes, presidente de Minas Gerais e candidato à Presidência da República. Numa delas, Bernardes chamava o marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente e chefe do Clube Militar, de “sargentão sem compostura” e dizia que os militares eram uma “canalha” que precisava de reprimenda para entrar na disciplina.

As cartas eram falsas. Dois falsários, Oldemar Lacerda e Jacinto Guimarães, tinham conseguido papel timbrado da Imprensa Oficial mineira, imitado a letra de Bernardes e tentado vender o material aos dois lados da disputa. Um cartório se recusou a reconhecer as assinaturas. O jornal publicou mesmo assim. Uma comissão do Clube Militar declarou a carta autêntica, e os falsários só confessaram a obra meses depois, quando a relação entre Bernardes e o Exército já estava envenenada. Bernardes venceu a eleição e governou quase todo o mandato sob estado de sítio.

O Plano Cohen e o udenismo

Dezesseis anos depois, uma falsificação serviu para mudar o regime. Em setembro de 1937, o governo Vargas divulgou pelo rádio um suposto plano comunista de insurreição.

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O documento tinha sido escrito pelo capitão Olímpio Mourão Filho, chefe do serviço secreto da Ação Integralista Brasileira, que mais tarde diria tê-lo redigido como uma “simulação”.

O chefe do Estado-Maior do Exército, general Góis Monteiro, apresentou a “simulação” como um material apreendido. Com o Plano Cohen nas mãos, Vargas obteve do Congresso o estado de guerra e, no dia 10 de novembro, fechou o próprio Congresso e instalou a ditadura do Estado Novo. A fraude só foi admitida em 1945.

Em 1955, Carlos Lacerda repetiu o método contra João Goulart, candidato a vice na chapa de Juscelino Kubitschek. Ele exibiu na televisão uma carta atribuída ao deputado argentino Antonio Brandi que ligava Jango a contrabando de armas e à formação de “brigadas operárias” inspiradas no peronismo.

No dia da eleição, Lacerda divulgou um laudo argentino que considerava a assinatura “sumamente provável”. Um inquérito militar obteve a confissão de dois falsários argentinos, condenados no ano seguinte. JK e Jango foram eleitos. Na sentença, o juiz considerou que Lacerda agira “dolosamente” ao publicar um documento sobre o qual tinha dúvidas.

Mentiras na democracia

Com a redemocratização, a mentira saiu do papel timbrado e foi para o horário eleitoral.

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Em 1989, na primeira eleição direta para presidente em 29 anos, Lula foi a principal vítima. O programa de Fernando Collor pôs no ar Míriam Cordeiro, ex-namorada dele e mãe de sua filha Lurian, dizendo que o candidato lhe oferecera dinheiro para abortar.

Na véspera do segundo turno, a polícia de São Paulo apresentou os sequestradores do empresário Abílio Diniz, ligados a um grupo guerrilheiro chileno, com material de campanha do PT. Em 2014, Luiz Antônio Fleury Filho, secretário de Segurança de São Paulo em 1989, admitiu que a polícia vestiu os presos com camisetas do partido. Collor venceu na ocasião.

Mas Lula não é apenas uma vítima dessa história. O candidato à reeleição pelo PT tem um longo histórico de contribuição à deformação do debate político no país. A começar por desacreditar o próprio processo eleitoral.

Em 1994, Lula suspeitou publicamente da eleição e disse que “desviar dois ou três milhões de votos neste país é mais fácil que tirar pirulito de criança”.

Em 2002, já com a urna eletrônica, disse que “nada é infalível, só Deus” e que “não sabemos se a urna pode ser manipulada ou não”.

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A passagem da mentira artesanal para a mentira organizada começou em 2006, quando a Polícia Federal prendeu num hotel perto do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, dois homens ligados ao PT com R$ 1,168 milhão e US$ 248 mil em dinheiro vivo. O dinheiro serviria para comprar da família Vedoin, dona da Planam – a empresa no centro da fraude na venda de ambulâncias que ficou conhecida como máfia dos sanguessugas –, fotos e vídeos de José Serra em entregas de ambulâncias da época em que era ministro da Saúde.

Serra disputava o governo de São Paulo, e o material serviria para associá-lo ao esquema. Entre os envolvidos estava Jorge Lorenzetti, responsável pela área de inteligência da campanha de reeleição de Lula. O presidente chamou o grupo de “aloprados”.

Em 2010, a mentira ganhou funcionários. Uma investigação da BBC Brasil publicada em 2018 reconstituiu o funcionamento do blog Seja Dita Verdade, que durante a campanha se apresentava como desmentidor de boatos contra Dilma Rousseff e publicava, entre outras coisas, que o Vaticano discutia excomungar Serra. O blog era assinado por Armando Santiago Jr., “um cidadão brasileiro indignado com a ação criminosa dos tucanos”, casado, 56 anos, morador de Poços de Caldas.

Só que o tal Armando Santiago Jr. não existia. Também não existiam os donos de 131 perfis no Twitter, criados entre maio e agosto de 2010 com fotos de pessoas reais, como uma blogueira finlandesa e uma escritora argentina, com biografias sob medida. Internamente, eles eram chamados de “ectos”, de ectoplasma. Quatro funcionários operavam os perfis de um apartamento em Higienópolis, em São Paulo, por R$ 3,5 mil a R$ 4 mil por mês. Os ex-funcionários apontaram como contratante uma agência chamada Ahead.

Não houve pagamento à empresa na prestação de contas de Dilma. Mas houve na de Fernando Pimentel, candidato do PT ao Senado por Minas Gerais: R$ 234 mil para a firma de um dos sócios. Pimentel era, naquele momento, coordenador da campanha de Dilma à Presidência.

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No ano seguinte, a estrutura ganhou nome. Em outubro de 2011, o PT criou núcleos de Militância em Ambientes Virtuais, mais conhecidos como MAVs, para treinar filiados a rebater notícias negativas nos comentários de portais, no Twitter e no Facebook. Estava previsto até um “manual do tuiteiro petista”.

Quando um boato sobre o fim do Bolsa Família levou uma multidão às agências da Caixa em maio de 2013, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, escreveu que ele “deve ser da central de notícias da oposição”. Dias depois, a Caixa admitiu que havia liberado os pagamentos antecipadamente, um dia antes do boato, e a Polícia Federal concluiu que ele surgiu de forma espontânea.

Havia também dinheiro público no ecossistema. Segundo levantamento da Folha, 13 sites alinhados ao governo, entre eles Brasil 247, Conversa Afiada e Diário do Centro do Mundo, receberam R$ 5,1 milhões em publicidade da Secom e de estatais só em 2015. Os repasses foram a zero em julho de 2016, já no governo Temer.

Em 2014, a máquina estava pronta. Em abril, o PT reuniu militantes num Camping Digital em São José dos Campos, ao custo de R$ 300 mil. Entre os palestrantes estava Jeferson Monteiro, do Dilma Bolada.

Nas mãos de Santana, a propaganda oficial fez o resto. Quando Marina Silva cresceu nas pesquisas, a campanha de Dilma pôs no ar uma peça em que a autonomia do Banco Central defendida por Marina entregava o país aos banqueiros enquanto a comida desaparecia do prato de uma família.

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No dia 20 de setembro, num comício na zona sul de São Paulo, Dilma disse que o Bolsa Família “vai acabar se eles forem eleitos”. O programa de Marina previa manter o Bolsa Família e ampliá-lo.

Aécio Neves tinha apresentado no Senado, menos de um ano antes, um projeto para transformar o Bolsa Família em política de Estado. Na reta final, o TSE vetou uma inserção de Dilma que acusava Aécio de agir “em tempos ditatoriais” em Minas. Santana diria em 2020 que a peça dos banqueiros foi um “jogo metafórico” e que faria tudo de novo. Marina resumiu o episódio em 2018 – disse que não foi Donald Trump o inventor das fake news: “Foi o João Santana, na campanha da Dilma”.

Passada a eleição, o governo fez o que a campanha atribuíra aos adversários. Três dias depois do segundo turno, o Banco Central subiu os juros. No dia 30 de dezembro, duas medidas provisórias endureceram as regras da pensão por morte, do auxílio-doença, do seguro-desemprego e do abono salarial. Em 2015, a conta de luz subiu em média 51% e a inflação fechou em 10,67%, a maior desde 2002.

É verdade que a mentira também corria contra o PT. Entre 2014 e 2016, espalhou-se que um filho de Lula era dono da Friboi e que o PT trouxera haitianos para votar.

Em 2018, Jair Bolsonaro exibiu no Jornal Nacional o livro “Aparelho Sexual e Cia” como parte de um “kit gay” que o governo petista teria distribuído nas escolas. O material de combate à homofobia a que ele se referia fora suspenso em 2011, antes de chegar a qualquer escola, e o Ministério da Educação nunca comprou aquele livro.

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Já no governo, em 2020, o Facebook removeu uma rede de 88 contas e páginas ligadas aos gabinetes de Jair, Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro, e identificou entre os responsáveis um assessor do Palácio do Planalto, Tércio Arnaud Tomaz.

Em 2021, Bolsonaro leu numa transmissão ao vivo que vacinados contra a covid desenvolveriam AIDS “mais rápido”. Em julho de 2022, reuniu embaixadores no Palácio da Alvorada para repetir falsidades sobre as urnas, o que acabou por torná-lo inelegível.

A campanha de Lula respondeu com as mesmas armas. O TSE suspendeu, por unanimidade, uma propaganda do PT que recortava uma entrevista antiga de Bolsonaro para associá-lo ao canibalismo. Alexandre de Moraes, então presidente do tribunal, mandou a campanha de Lula e o partido apagarem 48 links que associavam Bolsonaro à pedofilia, entre eles um post da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, por “fato sabidamente inverídico, com grave descontextualização”.

Neste ano, o PT transformou a militância digital em jogo. No dia 9 de junho, o partido lançou em Brasília o programa Porta-Vozes do Lula, uma plataforma em que os militantes recebem “missões” diárias, acumulam pontos, sobem num ranking e distribuem conteúdo em grupos de WhatsApp. O partido anunciou 50 mil inscritos na primeira semana.

É desse ecossistema que saiu o primeiro post sobre a padroeira. O criador do Dilma Bolada é o mesmo palestrante do Camping Digital de 2014.

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Em março de 2023, Jeferson Monteiro foi nomeado gerente na EBC, a empresa pública de comunicação do governo federal, com salário na casa dos R$ 18 mil. Mas saiu em agosto, depois de viajar à Europa sem ter direito a férias. O presidente da EBC chamou a viagem de “injustificável”.

Entre as cartas de 1921 e a padroeira de 2026, a disposição de mentir permanece intacta. O que mudou foi o custo e a escala. A mentira já não é mais artesanal. E hoje, toma mais tempo do debate público do que as propostas dos candidatos.

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Interesses difusos ou confusos?- Jerson Kelman FSP

 A Constituição assegura "independência funcional" ao Ministério Público para defender os interesses difusos e coletivos, inclusive das populações indígenas. A instituição Ministério Público é que tem "independência funcional".

Todavia, consagrou-se a interpretação de que cada membro do órgão é individualmente independente e pode catapultar sua convicção pessoal sobre qualquer tema numa ação institucional.

Melhor seria se houvesse mecanismos de revisão colegiada das iniciativas de qualquer membro do Ministério Público, como ocorre na maioria das instituições. Se assim fosse, o posicionamento institucional do Ministério Público resultaria da soma de múltiplas visões, aproximando-se de um comportamento normal, no sentido matemático (Teorema do Limite Central).

Todavia, como a instituição atua atomizada pelo tirocínio solitário de cada procurador ou promotor, pode-se afirmar que a atuação do Ministério Público "não é normal", no sentido estritamente matemático. Nesse ambiente "anormal", são comuns as iniciativas bem-intencionadas, mas desprovidas de visão sistêmica.

É o caso de recente intervenção do órgão demandando a criação do Comitê de Bacia Hidrográfica do Tapajós. Aparentemente, uma providência bem-intencionada. Eu mesmo, como professor universitário e primeiro presidente da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento), dediquei grande parte de minha vida profissional à visão de que a gestão de recursos hídricos deve ser participativa, via comitês de bacia.

Porém, tudo indica que se trata de mais um ato na longa e persistente cadeia de esforços do Ministério Público para impedir qualquer atividade econômica na região. Se o órgão tivesse uma visão mais holística, enxergaria não apenas os malefícios associados a qualquer obra de infraestrutura, que certamente existem, mas também os benefícios.

Na primeira categoria, os efeitos potencialmente deletérios sobre comunidades indígenas e a não realização da CLPI (Consulta Livre Prévia e Informada), preconizada pela Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Tratei desse assunto neste mesmo espaço, em 7/7/2026.

Na segunda categoria, a contribuição que as duas usinas hidrelétricas planejadas, mas não construídas (São Luiz do Tapajós e Jatobá, 10,3 GW), dariam ao SIN (Sistema Interligado Nacional). Hoje, o SIN sofre com o excesso de energia intermitente (solar e eólica) e com a falta do que as hidrelétricas têm: potência, flexibilidade e inércia. Como benefício adicional, uma hidrovia seria viabilizada por eclusas para transporte fluvial da produção agrícola do Brasil central.

Hoje, o trecho navegável do rio Tapajós cobre apenas cerca de 40% do que seria essa hidrovia. Porém, mesmo esse reduzido trecho está sob ameaça de ficar não navegável se de fato ocorrer o anunciado super-El Niño.

O governo até tomou providências: amparado no novo marco legal de licenciamento ambiental, planejou uma dragagem preventiva de manutenção, com dispensa de complexos estudos socioambientais. Mas o Ministério Público divergiu da interpretação porque entende que a iniciativa pode impactar as comunidades indígenas. E o governo cedeu.

Então ficamos assim: caso a seca extrema em rios amazônicos se confirme, possivelmente toda a produção agrícola terá de ser inteiramente transportada por caminhões, queimando expressivo volume de combustíveis fósseis.