terça-feira, 28 de julho de 2026

SP trava batalha contra o mar e usa nova engenharia para impedir que ilha se forme no litoral, OESP

 SP trava batalha contra o mar e usa engenharia para impedir que nova ilha se forme no litoral

Capa do video - SP trava batalha contra o mar e usa engenharia para impedir que nova ilha se forme no litoral

Objetivo é evitar abertura de barra no Estreito do Melão; processo erosivo já desalojou famílias e ameaça 3 comunidades. Crédito: Fundação Florestal/Divulgação

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Barreiras com tubos geotêxteis cheios de areia estão sendo instaladas para conter a erosão marinha que ameaça dividir uma parte da Ilha do Cardoso, em Cananéia, no litoral sul do Estado de São Paulo. De acordo com o governo estadual, serão instaladas duas barreiras de 450 metros, uma em cada lado do Estreito do Melão, onde as marés ameaçam abrir uma nova barra (ligação) entre o oceano e o Canal de Ararapira.

Equipes trabalham na instalação de barreiras com geotubos no Estreito do Melão, na Ilha do Cardoso, em Cananéia, litoral sul de São Paulo.
Equipes trabalham na instalação de barreiras com geotubos no Estreito do Melão, na Ilha do Cardoso, em Cananéia, litoral sul de São Paulo. Foto: Fundação Florestal/Divulgação

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O Estreito já havia perdido uma parte de seu território em 2018, quando a primeira barra se abriu e atualmente supera os 200 metros de largura. Na época, as comunidades Vila Rápida e Enseada foram obrigadas a se mudar. Se a nova barra abrir, serão impactadas as comunidades de Restinga, Vila Mendonça e Nova Enseada – esta pode ter sua segunda mudança causada pelas erosões.

No dia 9 de março deste ano, a Justiça concedeu nova liminar com o objetivo de conter a erosão na Ilha do Cardoso. A decisão atende a pedido da Promotoria Regional do Meio Ambiente do Vale do Ribeira com o objetivo de fazer com que o Estado de São Paulo e a Fundação Florestal adotem medidas para conter o problema e proteger as famílias que moram no local.

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Técnica é usada em praia de Santos

Cada tubo geotêxtil, semelhante aos que foram usados para conter o avanço do mar na Ponta da Praia, em Santos, tem 25 metros de comprimento e 1,8 de altura e são preenchidos com areia do próprio Canal de Ararapira. Eles estão fixados em linha no ponto de arrebentação das ondas no lado do oceano e junto à margem do canal no lado oposto.

A intervenção, conduzida pela Fundação Florestal em parceria com a SP Águas, marca o início da execução de uma solução técnica construída a partir de estudos especializados, monitoramentos em campo e diálogo com a comunidade local, segundo o governo. O investimento será de cerca de R$ 12 milhões (veja o vídeo acima).

Barreiras de geotubos vão conter erosão que pode dividir Ilha do Cardoso.
Barreiras de geotubos vão conter erosão que pode dividir Ilha do Cardoso. Foto: Fundação Florestal/Divulgação

A obra prevê a dragagem e o reposicionamento de sedimentos para recomposição e estabilização do cordão arenoso no Estreito do Melão, a área mais impactada pela dinâmica costeira da região. Com duração prevista de nove meses, os trabalhos têm como objetivo a segurança das comunidades tradicionais que vivem na Ilha do Cardoso, reduzir efeitos do processo erosivo e proteger os ecossistemas locais.

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Mudanças foram aceleradas

Conforme a Fundação Florestal, o processo erosivo está associado a fenômenos naturais característicos da região, influenciados pela interação entre marés, correntes marítimas, ventos, ressacas e movimentação de sedimentos. Nos últimos anos, o Estado intensificou o monitoramento da área diante da aceleração dessas transformações devido às mudanças climáticas e dos potenciais impactos ambientais e sociais decorrentes da alteração do cordão arenoso.

Parte da Ilha do Cardoso está se separando, formando uma nova ilha no litoral
Parte da Ilha do Cardoso está se separando, formando uma nova ilha no litoral Foto: PlanetScope via SCCON

O fenômeno foi registrado por imagens captadas por satélites da chamada Constelação Dove, da empresa Planet, que reúne cerca de 100 satélites. Elas são fornecidas pela plataforma SCCON, que faz o monitoramento com a detecção de mudanças e emissão de alertas. A iniciativa integra o Programa Brasil MAIS (Meio Ambiente Integrado e Seguro), maior projeto de sensoriamento remoto do País.

A Fundação contratou a intervenção após a conclusão do projeto executivo elaborado pela SP Águas. O processo foi acompanhado pelo Ministério Público durante vistorias técnicas realizadas na região, que também contaram com a participação de representantes das comunidades locais, da Defensoria Pública e de equipes especializadas dos órgãos estaduais.

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Comunidades não querem sair

Para Jorge Cardoso, engenheiro ambiental, caiçara e que vive na Enseada da Baleia - comunidade que precisou ser realocada em 2017 devido ao avanço do mar -, a intervenção é um marco para os moradores. “As comunidades não desejam sair dos seus espaços. Existe um vínculo afetivo com seu território. A intervenção representa uma resposta a uma demanda construída coletivamente”, diz.

Tatiana Cardoso, assessora técnica comunitária da Articulação dos Povos e Comunidades Tradicionais da Ilha do Cardoso, diz que a obra é resultado de anos de mobilização comunitária e contribuirá para reduzir os riscos enfrentados pelas comunidades tradicionais, ajudando a garantir a permanência das famílias em seus territórios e a continuidade dos modos de vida caiçaras.

Antes do início das atividades operacionais, foram executadas etapas preparatórias para a obra, incluindo sondagens geotécnicas, análises laboratoriais dos sedimentos, levantamentos batimétricos - que medem a profundidade e as características do fundo do canal -, elaboração do projeto executivo, contratação da empresa responsável e mobilização dos equipamentos e embarcações necessários para a execução dos trabalhos.

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Nesta fase, as equipes iniciam a dragagem e o reposicionamento controlado de sedimentos em pontos previamente definidos pelos estudos técnicos. O método consiste na retirada e redistribuição de material arenoso para recompor a faixa afetada pela erosão e aumentar sua estabilidade diante da dinâmica costeira local. A barreira geotêxtil ajudará a conter os sedimentos e reduzir o impacto das marés.

Visitação controlada

Localizado no Parque Estadual da Ilha do Cardoso, o Estreito do Melão é considerado o trecho mais vulnerável da Unidade de Conservação em relação ao avanço da erosão costeira.

Estudos já realizados na região apontam que, na parte sul da ilha, esse processo erosivo foi causado pela ação do homem, com a abertura do Canal do Varadouro nos anos 1950. O processo se intensificou ao longo do tempo e, nos últimos anos, foi acelerado devido à crise climática, com mais ressacas.

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A região integra um dos mais importantes mosaicos ambientais do País, reunindo remanescentes preservados de Mata Atlântica, manguezais, restingas e comunidades caiçaras que mantêm uma relação histórica com o território e os recursos naturais. O entorno da ilha é propício para o avistamento de baleias e golfinhos. O acesso ao parque é feito exclusivamente por transporte náutico e a visitação é controlada.

Foram identificados quatro tipos de pensadores. Qual deles você é? 0Teh Guardian

 Uma investigação sobre o que as pessoas pensam trouxe à tona a mente moderna, revelando pensamentos dominados pelo trabalho, pela necessidade de café e por um forte desejo de voltar para a cama.

O estudo também encontrou evidências de quatro grupos distintos de pensadores que passam mais tempo do que a maioria se preocupando com o mundo ; refletindo sobre tarefas domésticas e finanças; concentrando-se na mente e no corpo; ou combinando trabalho árduo e lazer intenso, ou seja, carreira e prazer.

Os grupos não são definitivos e as pessoas irão transitar entre eles, mas a descoberta mostra como a amostragem aleatória dos pensamentos das pessoas pode fornecer uma visão matizada dos padrões de pensamento humano, de acordo com os pesquisadores.

Economistas da Claremont Graduate University, na Califórnia, e da Universidade de Wuhan, em Hubei, na China, exploraram os pensamentos conscientes das pessoas após constatarem uma surpreendente escassez de trabalhos sobre o tema. "Grande parte do que significa ser humano está relacionada ao que se passa em nossas mentes", disse o Dr. Joshua Tasoff, um dos autores principais do estudo. "O fato de nós, economistas, não termos realmente analisado isso é extraordinário."

Para o estudo, 258 voluntários com idades entre 19 e 71 anos baixaram um aplicativo que emitia um sinal sonoro oito vezes aleatoriamente por dia, durante duas semanas. A cada sinal sonoro, eles deveriam anotar seus pensamentos, o que estavam fazendo e avaliar seu nível de felicidade.

Parte do estudo testou uma afirmação de Marco Aurélio: "A felicidade da sua vida depende da qualidade dos seus pensamentos." Fotografia: imageBROKER/Alamy

Após coletar mais de 23.000 respostas em tempo real, os economistas observaram que os pensamentos das pessoas acompanhavam o ritmo do dia, direcionando-se principalmente para o trabalho durante o dia e para o entretenimento à noite. Aproximadamente metade dos pensamentos eram intencionais, enquanto o restante consistia em pensamentos intrusivos ou acidentais, resultantes de devaneios ou lembretes.

Informações sensoriais, incluindo sensações de cansaço e sonolência, e impressões mentais, representaram quase um quinto de todos os pensamentos. Em seguida, vieram o trabalho, com 17%, e a comida, com 14%. Cerca de 10% dos pensamentos se concentraram em hobbies, jogos, brincadeiras e arte, com uma quantidade semelhante voltada para relacionamentos.

Quando os pensamentos se concentravam no que as pessoas desejavam, quase metade envolvia comida ou bebida, especialmente café. Isso coincidia com os pensamentos que mencionavam necessidades, com 29% buscando relaxamento, e cochilos e sono em particular.

O estudo descobriu que a mente raramente estava vazia, com apenas uma fração de um por cento das respostas indicando ausência total de pensamentos. No entanto, ainda menos pensamentos pareciam ser sobre sexo, levando os pesquisadores a suspeitar de reticência. "Pode haver coisas que as pessoas não querem compartilhar conosco. Sabe: informação demais", disse Tasoff. Talvez relacionado a isso, um quarto dos sinais sonoros não foi respondido, de acordo com uma versão preliminar do estudo , que ainda não foi publicada em uma revista científica com revisão por pares.

Parte do estudo testou uma afirmação do imperador e filósofo romano Marco Aurélio, que disse: "A felicidade da sua vida depende da qualidade dos seus pensamentos". Os pesquisadores descobriram que o que as pessoas pensavam era um indicador de felicidade mais forte do que qualquer outro fator analisado. "Talvez Marco Aurélio tivesse razão", concluíram.

Os autores alertaram para os riscos de extrapolar as conclusões para a população global, uma vez que a psicologia dos voluntários, todos classificados como ocidentais, instruídos, industrializados, ricos e democráticos – ou "estranhos" –, poderia diferir drasticamente da de outras populações.

Os quatro tipos de pensadores

A análise dos pensamentos conscientes das pessoas mostrou que eles se agrupavam em quatro grupos, mas as categorias são provisórias e as pessoas provavelmente transitam entre elas. Tasoff afirmou que um estudo mais longo, com um número maior de participantes, seria necessário para confirmar os resultados. Os rótulos foram criados para capturar a "essência" de cada grupo, acrescentou.

Os grupos são baseados em temas comuns nos pensamentos das pessoas, mas não são definidos pela origem ou pelas atividades profissionais de cada indivíduo. Pessoas em diferentes grupos realizavam atividades semelhantes e havia apenas pequenas diferenças em dados demográficos, como idade, renda, escolaridade e nível socioeconômico.


Os preocupados

Os participantes preocupados refletiram sobre eventos mundiais, política e questões sociais cerca de 60% mais do que a média, com suas mentes ocupadas por preocupações com guerras, a pandemia de Covid-19 em seu auge e outros eventos importantes. Eles pensaram sobre sua segurança e saúde cerca de 50% mais do que a média. Palavras que tipicamente surgiam em seus pensamentos incluíam Covid, acordado, solitário, dor, fome e fadiga. Curiosamente, o grupo pensou em música quase duas vezes mais do que a média, possivelmente para atenuar o impacto emocional de seus outros pensamentos, especularam os pesquisadores.

Os domésticos

Um grupo mais focado em assuntos práticos e domésticos, os domésticos dedicam cerca de 50% mais pensamentos do que a média às tarefas, à casa, às finanças, mas também a histórias através de filmes, livros e televisão. As palavras que frequentemente descreviam seus pensamentos eram bastante variadas, incluindo resolver, processar, debater e documentar.

Os pensadores corporais

Nenhum outro grupo reflete tanto sobre seus sentidos, sentimentos e impressões mentais de si mesmos e do mundo quanto este. Como grupo, os pensadores corporais são os mais jovens, com uma média de idade de 32 anos, e quase dois terços são mulheres. Eles apresentam a maior taxa de pensamentos indesejados e intrusivos, com 28%. Palavras que aparecem frequentemente em seus pensamentos são terapeuta, dor e sobrecarga. O grupo pode exemplificar como as pessoas podem transitar de um padrão de pensamento para outro. A maior proporção de mulheres neste grupo pode ser atribuída aos efeitos do ciclo menstrual. Também reflete pessoas que apresentaram problemas de saúde física ou mental durante o estudo, direcionando seus pensamentos para seus corpos, sintomas e cuidados.

Os que trabalham duro e se divertem muito

Suas mentes estão amplamente divididas entre trabalho e lazer, pensando no trabalho 50% mais do que a média, enquanto ainda pensam em hobbies, jogos e arte cerca de 25% mais. O grupo tem a maior renda e os maiores índices de felicidade entre todos os grupos e possui uma ligeira predominância de homens em relação às mulheres. Palavras-chave usadas para descrever seus pensamentos incluem relaxamento, apresentação, voo, unhas, projeto e academia.