sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Mortes: Investigou sequestro de Silvio Santos e outros casos famosos, FSP

 Paulo Eduardo Dias

São Paulo

Nascido em Águas de Lindóia (SP), o delegado Itagiba Antonio Vieira Franco se notabilizou por conduzir investigações de grande repercussão midiática em sua carreira na Polícia Civil paulista.

Durante passagem pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), trabalhou em ocorrências de destaque, como a morte do músico Alexandre Magno Abrão, o Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr., o assassinato de Mércia Nakashima e o esquartejamento de um motorista de ônibus em que partes do corpo foram espalhadas pela região central da capital.

Um dos casos mais complexos sob sua responsabilidade foi a morte de cinco integrantes de uma família na Brasilândia, zona norte de São Paulo, em 2013. Entre as vítimas estavam um casal de policiais militares. A investigação concluiu que os assassinatos foram cometidos pelo filho deles, de apenas 13 anos.

Homem de meia-idade com cabelo grisalho curto, veste terno cinza, camisa branca e gravata preta, olhando levemente para a direita, fundo neutro.
Delegado Itagiba Antonio Vieira Franco faleceu aos 81 anos - @Itagiba Franco no Facebook

Antes disso, em 2001, o delegado enfrentou outro caso de grande repercussão: o sequestro de Patrícia Abravanel, filha do apresentador Silvio Santos. O policial atuava na Divisão de Proteção Comunitária da Polícia Civil.

Horas após o fim do sequestro, o criminoso Fernando Dutra Pinto ligou para a casa do apresentador pedindo ajuda para seu irmão, que havia sido preso, e para sua família. Franco conversou com Silvio Santos por quase quatro horas naquela ocasião.

"Procurei ouvir o relato direto de como a história aconteceu, porque até só tínhamos uma única versão, a da Polícia Militar", disse o delegado na época.

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No dia seguinte ao telefonema, Dutra Pinto trocou tiros com policiais civis em Barueri, na Grande São Paulo, matando dois investigadores e ferindo um terceiro. Na manhã seguinte, invadiu a casa de Silvio Santos, mantendo-o refém por cerca de sete horas.

"Ele achou que era o único lugar que poderia se esconder sem ser percebido", afirmou.

Itagiba não teve uma vida fácil quando criança. "De origem pobre, seu pai também era da Polícia Civil e morreu quando ele era ainda criança. Ficou com a mãe e três irmãos mais velhos. Acabaram indo para a cidade de Amparo, onde foi criado", contou a filha do delegado, a também policial Bruna Balido, 44 .

Com o tempo, foi sozinho para São Paulo sozinho. Passou em um concurso para escrivão e depois para delegado.

A delegada Elisabete Sato, diretora do DHPP quando Franco atuava no departamento, lembrou das diversas ocorrências em que trabalharam juntos. "Era respeitado por seu profissionalismo, amor à instituição e por solucionar homicídios", disse.

Já aposentado, adorava contar suas histórias policiais e era extremamente protetor. "Tenho três filhas que eram a vida dele", afirmou Bruna.

Itagiba Franco morreu aos 81 anos em 7 de janeiro. Suas cinzas serão jogadas em Amparo.

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