domingo, 18 de janeiro de 2026

Menor município do Brasil ganha sistema de baterias e fica quase imune a apagões, FSP

 

Serra da Saudade (MG)

A menor cidade do Brasil, Serra da Saudade (MG), também será agora conhecida como a primeira a ter um sistema de baterias na rede de distribuição de energia do país. A Cemig instalou no município, de 833 habitantes, painéis solares acoplados a 16 racks de baterias capazes de armazenar energia suficiente para deixar a população local com eletricidade por até 48 horas em caso de apagões.

A estrutura é inédita no país. Na cidade de Registro (SP), por exemplo, a Isa Cteep opera um robusto sistema de baterias, mas que fica acoplado à rede de transmissão de energia. É comum também casos em que donos de painéis solares tenham sistemas de armazenamento acoplados às placas, mas nesse caso eles se enquadram como geradores.

Vista aérea de usina solar com várias fileiras de painéis fotovoltaicos alinhados em terreno cercado por vegetação e estrada de terra. Área ao redor é verde com algumas árvores e veículos estacionados próximos à estrutura técnica.
Sistema de placas solares e baterias em Serra da Saudade (MG) - Divulgação/Cemig

Na distribuição, parte da rede elétrica responsável por entregar a energia para os consumidores, é a primeira vez.

No sistema criado e operado pela Cemig em Serra da Saudade, placas solares com capacidade instalada de 500 kW (quilowatt) precisam de apenas 12 horas para abastecer as baterias posicionadas ao lado. Quando o armazenamento está cheio, as placas param de gerar energia e as baterias ficam à espera para atuar em eventuais interrupções de energia na cidade.

Quando não estão exercendo a função de apoio de segurança da rede elétrica, as baterias também podem atuar em outras frentes do sistema, como equilibrar a tensão da energia que passa pelos cabos de distribuição da Cemig.

"Eu acho que o futuro vai ser esse sistema devido ao preço das baterias, que está caindo. E nós estamos sendo pioneiros em trazer isso para a distribuição, para atender o nosso objetivo principal, que é levar mais energia para os municípios, de uma forma ininterrupta", afirma Marney Antunes, vice-presidente de distribuição da Cemig.

Ao todo, foram gastos R$ 7 milhões com o projeto, quase metade dos R$ 13 milhões inicialmente estimados. O preço menor se deu pelo desconto oferecido pela Weg, empresa brasileira que produz sistemas de armazenamento de energia, em relação aos concorrentes chineses, que historicamente oferecem as baterias mais baratas do mercado.

O sistema foi inaugurado oficialmente na última quinta-feira (15), em cerimônia que contou com a participação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e seu vice e pré-candidato ao governo do estado, Matheus Simões (Novo).

Na prática, o sistema já estava funcionando há algumas semanas. Nesta semana, por exemplo, técnicos da Cemig desligaram a rede elétrica da cidade por 30 segundos, período em que as baterias foram acionadas para escoar energia para o município. De acordo com a distribuidora, nenhuma alteração foi sentida pela população local durante a troca.

Serra da Saudade foi escolhida como o primeiro local a receber o sistema, segundo técnicos da empresa, porque a cidade tem um DEC (índice que mede o período anual que uma região fica sem energia elétrica) de 24 horas, considerado alto pelo setor.

Inicialmente, para diminuir o tempo, a Cemig projetava criar um cabeamento reserva conectando a cidade à subestação mais próxima (a 30 quilômetros), mas os investimentos necessários seriam de R$ 30 milhões. Assim, com base em exemplos internacionais, a Cemig optou pelo sistema de baterias e placas solares, mais baratos.

Da forma como foi instalada, a tecnologia impede que eventuais restrições no cabeamento que conecta a subestação à cidade bloqueie o escoamento de energia à população. As baterias, no entanto, não inibem apagões em caso de problemas na rede de dentro da cidade, como quedas de postes –razões consideradas minoritárias pelos técnicos da Cemig.

Agora, a empresa planeja implantar o mesmo modelo em outras 12 cidades ou comunidades em Minas Gerais, em um projeto que deve movimentar R$ 85 milhões em investimentos.

No futuro, a Cemig pretende vender a quantidade de energia gerada pelas placas que não são repassadas para as baterias. Hoje, há restrições regulatórias que impedem isso, já que uma distribuidora não pode gerar energia com fins comerciais. No caso de Serra da Saudade, por exemplo, a mudança permitiria que as placas solares de 500 kW fornecessem toda a potência necessária para a cidade, além de municípios vizinhos.

Está nos planos da empresa também participar dos leilões de baterias, prometidos pelo Ministério de Minas e Energia para abril desse ano.

"O que vem chegando de novo no mundo é a bateria, seja essa de pequeno porte, para dar um apoio mais próximo para pequenos municípios, seja a de grande porte, ligada ao SIN (Sistema Interligado Nacional). E é um objetivo estratégico da Cemig participar desses leilões", diz Reynaldo Passanezi, CEO da Cemig.

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