Um velho ditado do futebol —"o jogo é jogado e o lambari é pescado"— norteia nossa política. Como prometido à galera, o governo veta o projeto que reduz a pena de Bolsonaro e outros condenados na trama golpista. No mesmo dia, a oposição anuncia que vai derrubar o veto no Congresso Nacional. A disputa tende a acabar no STF. E assim vamos.
Em três anos de Planalto, com uma ou outra bola dentro, Lula perdeu todas as divididas. Ao sancionar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, ele recusou o trecho que ampliava mais ainda o fundo partidário, cuja previsão é de R$ 4,9 bilhões, farra de dinheiro público injustificável sob qualquer ponto de vista.
De novo, caberá ao Congresso decidir se mantém ou não o veto. A medida que concedia aos partidos cerca de R$ 160 milhões extras, foi aprovada em dezembro, com PL e União Brasil aliando-se a petistas.
O fundo partidário é fichinha se comparado às emendas parlamentares —um total de R$ 44,61 bilhões movimentados no ano passado. Suspensas em setembro pelo ministro Flávio Dino, só as emendas chamadas PIX, cuja artimanha é mandar os recursos direto aos cofres de estados e municípios, sem necessidade de apresentar e detalhar um projeto, somaram R$ 6,77 bilhões ao longo de 2025.
Quem precisa de mais dinheiro para fazer uma campanha tradicional dispondo desse tipo de transação? Não por acaso, a Polícia Federal tem se desdobrado em operações sobre desvios de recursos.
Apesar da marcação de Flávio Dino, hoje o grande vilão de Brasília, superando Alexandre de Moraes no antagonismo a deputados e senadores, a LDO impôs ao governo a obrigação de pagar 65% das emendas impositivas até junho de 2026, cerca de R$ 26,5 bilhões.
O derrame de verbas não garante que Lula conseguirá aprovar, no primeiro semestre, e sem mudanças significativas, duas pautas ligadas à campanha da reeleição: a PEC da Segurança e o PL Antifacção. Além da tramitação da PEC que propõe o fim da escala 6x1. São lambaris bem difíceis de serem pescados.

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