quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Deirdre Nansen McCloskey - Sobre a imprevisibilidade das revoluções, FSP

 As revoluções são imprevisíveis, é claro. Parece que o regime iraniano cairá em breve. Parece que Maria Corina Machado achava que "entregar" o Prêmio Nobel da Paz ao presidente Trump e dizer que ele o merece poderia convencê-lo a defender a democracia na Venezuela. Parece que o governo cubano está nas últimas.

Uma boa razão para ler sobre história é que ela nos torna mais sábios sobre esperanças e medos ingênuos em relação às revoluções, sejam elas boas, sejam ruins. A revolução moderna mais importante depois da liberal norte-americana de 1776 e da originalmente liberal francesa de 1789 foi a decididamente antiliberal russa de 1917. A vitória comunista foi apertada. Sem Lênin e Trotski, teria fracassado e, nesse caso, a Rússia poderia ter desenvolvido uma monarquia limitada e liberal. No entanto, os russos parecem amar os tiranos.

Afinal, um terço do mundo acompanhou os russos na ideia de que uma economia é como uma fábrica e uma fábrica, como um exército —ou mesmo que os exércitos são como a ideia comunista de uma fábrica, completamente invertida. Na década de 1980, ninguém previu a queda da União Soviética. Hordas de acadêmicos declararam que o comunismo jamais cairia... até que caiu.

As tiranias sempre parecem invulneráveis, até que, de repente, deixam de ser. Elas dependem do medo, e quando o medo desaparece, o tirano perde seu prestígio.

Estive na Polônia por um tempo em agosto de 1988, pouco antes do momento em que o governo, a contragosto, aceitou negociar com o Solidariedade, o movimento a favor da democracia. A população já não temia o governo. Ficou claro, então, que os soldados, se recebessem ordens, não atirariam contra as pessoas. Havia muitas piadas, contadas para multidões enquanto os soldados e a polícia secreta apenas olhavam.

Portão principal da Estaleira de Gdańsk com grande letreiro branco. Bandeira do movimento Solidariedade pendurada e cartazes fixados no portão. Edifício azul com placa e loja de souvenirs à direita. Calçada de paralelepípedos e hidrante vermelho em primeiro plano.
Portão 2 do estaleiro de Gdansk, onde o sindicato Solidariedade realizou grandes manifestações contra o comunismo na Polônia em 1980 - Leandro Colon - 7.nov.14/Folhapress

Ao contrário do senso comum, por outro lado, muitas repúblicas têm sido mais estáveis do que a maioria das tiranias. A Suíça sobrevive no coração da Europa sem um rei no poder há muitos séculos. A República Holandesa durou de 1588 (na verdade, 1568) a 1795. Os EUA têm sido não tirânicos há 250 anos. Estou preocupada, e você também deveria estar, pois os EUA podem estar no curso de uma revolução autoritária.

Por outro lado, como historiadora, sei bem que o país sobreviveu a convulsões parecidas, desde a Primeira Guerra Civil, de 1776 a 1783, ou a eleição de 1800, ou o autoritarismo de Andrew Jackson, ou a Segunda Guerra Civil, de 1861 a 1865, ou o "medo vermelho" após a Revolução Russa, ou o período do macartismo no início da Guerra Fria, ou a Guerra do Vietnã, ou o escândalo Watergate de Nixon, para citar apenas alguns exemplos. Mas um liberalismo de dignidade equivalente é o propósito adulto dos seres humanos. Acho que ele sobreviverá à atual onda de autoritarismo indigno, servil e infantil.

Porém, se eu fosse esperta o suficiente para saber quando ou onde, diz a economia, eu seria rica.

Portanto, ninguém pode dar garantias —certamente não eu. Você e eu só podemos pregar e praticar a igualdade da dignidade humana.

Portanto, trate todos como seus iguais e pregue o evangelho do amor e da paz.

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