No mundo invertido em que os três maiores jornais do país somam menos de 1,5 milhão de assinantes digitais enquanto perfis de fofoca nas redes sociais ultrapassam, alguns deles, 25 milhões de seguidores, não é de se espantar que redes digitais de influência sejam procuradas ou para espalhar desinformação ou para fazer propaganda disfarçada de notícia. Os casos do governo Tarcísio de Freitas e do Banco Master mostram a dificuldade de se escrutinar o mercado digital da influência e, em especial, quem paga por ele.
Em matéria veiculada no último dia 12, a Revista Piauí detalhou como perfis de fofoca no Instagram têm divulgado os feitos do governo Tarcísio de Freitas - de isenção de IPVA à inauguração do Rodoanel, pautas desconexas do conteúdo habitual destes perfis focado na vida de subcelebridades. O mesmo ocorreu com o Banco Master. O jornal O Globo, na coluna da jornalista Malu Gaspar, divulgou informações sobre tratativas contratuais envolvendo influenciadores recrutados para atacar o Banco Central e investigadores.
Em resposta, em geral, os perfis ou terceirizam a responsabilidade para suas equipes, ou afirmam se tratar de postagens orgânicas, ou simplesmente ignoram os questionamentos. A estratégia investigativa de refazer o caminho do dinheiro para verificar eventuais ilegalidades é prejudicada pela teia de intermediários contratuais neste mercado, incluindo, entre outros, agências de influência e times de comunicação.
Apesar do Brasil carecer de um marco legal específico sobre influenciadores, cabe mencionar que a publicidade com finalidade de autopromoção com recursos públicos é ilegal e postar conteúdo pago sem indicação de que se trata de publicidade também o é. Após o fiasco da CPI das bets em que influenciadores ganharam pedidos de selfie ao invés de pedidos de indiciamento, parte da classe política está pouco interessada em jogar luz sobre as redes de influência digital, pelo fato de que se beneficiam ou delas participam.
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