domingo, 18 de janeiro de 2026

Mais cuidado com as áreas verdes de São Paulo, FSP

 

Área de construção em zona urbana com máquinas pesadas, incluindo escavadeira e equipamento de perfuração. Montes de terra e materiais de construção espalhados, com árvore grande ao fundo e prédios residenciais e comerciais ao redor sob céu nublado.
Árvore que seria derrubada em obra de empreendimento imobiliário no bairro de Pinheiros, em São Paulo (SP) - Rafaela Araújo - 15.jan.26/Folhapress

As mobilizações populares em defesa da arborização da capital paulista, ao lado de decisões da Justiça, têm produzido efeitos sobre a gestão de Ricardo Nunes (MDB).

Na última segunda (12), a prefeitura suspendeu por tempo indeterminado a autorização, emitida em agosto do ano passado, para que uma construtora derrubasse três árvores em empreendimento no bairro de Pinheiros.

A medida junta-se a outra do governo Nunes, que em novembro interrompeu o corte de 14 árvores na associação A Hebraica, clube da comunidade judaica.

Pode parecer pouco, mas cada metro quadrado de área verde importa numa metrópole permeada por ilhas de calor e que vem sendo cada vez mais impactada pela mudança climática oriunda do aquecimento global —como os temporais que derrubam árvores e o fornecimento de energia.

Quando a água liberada por plantas evapora, retira-se calor do ambiente. Já asfalto e concreto absorvem grande quantidade de calor durante o dia e o liberam lentamente à noite. Surgem as ilhas de calor: zonas mais quentes da cidade, que continuam assim mesmo após o pôr do sol.

Ademais, áreas verdes retêm a água das chuvas, contendo alagamentos. Centros na Europa e na China já estão implementando desenhos urbanísticos conhecido como cidades-esponja, que visam drenar e escoar essa água de forma natural por meio do aumento da vegetação.

O elevado custo desse tipo de projeto pode ser por ora impeditivo no Brasil, mas a cidade mais rica do país tem o dever de ao menos manejar suas áreas verdes de forma racional, levando em consideração a crise do clima.

O Judiciário paulista precisou intervir. Em dezembro, determinou a paralisação imediata de supressão arbórea na obra de uma construtora no chamado Bosque dos Salesianos, no Alto da Lapa.
Um mês antes, a derrubada de 384 árvores por um empreendimento imobiliário no Butantã foi interrompida pela Justiça.

Não se trata de travar o desenvolvimento, mas autorizações devem ser criteriosas e menos açodadas, e as políticas de compensação podem ser reavaliadas em prol do bem-estar da população.

Com suas duas suspensões recentes, a prefeitura parece ao menos estar atenta. Em outubro, deu início ao Inventário da Arborização Urbana, que vai identificar e catalogar as mais de 650 mil árvores em vias públicas da capital e está previsto para ser concluído em três anos. Trata-se de mapeamento crucial para o manejo técnico da vegetação que há muito tempo já deveria ter sido feito.

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