domingo, 18 de janeiro de 2026

O homem impossível, Helio Schwartsman, FSP

 Ele é um dos maiores físicos matemáticos de todos os tempos, mas nunca gostou muito de álgebra, com a qual tem até um pouco de dificuldade. Se há algo com o que ele nunca teve problema, foi em contrariar consensos científicos, mesmo os justificáveis. Estamos falando de Roger Penrose, um cientista para lá de singular. Foram, aliás, seus estudos sobre outro tipo de singularidade, os buracos negros, que lhe valeram o Nobel de Física de 2020.

Annette Schwartsman

"The Impossible Man", de Patchen Barss, pela riqueza dos detalhes e pela densidade psicológica que transmite, é uma biografia que impressiona. Mas Barss corre riscos. Ele violou o primeiro mandamento de Ruy Castro, que é o de jamais biografar pessoas vivas, para não se ver traído pelo personagem. Penrose, aos 94, segue vivo e atuante.

Penrose é a materialização do poder da geometria. Ele parece ser capaz de enxergar as várias dimensões do universo. Essa forma singular de pensar o levou a desenvolver teorias como a dos twistores, que, se não bastaram para unificar a mecânica quântica com a relatividade geral, serviram para pôr a discussão num patamar mais refinado. O veio geométrico aparece em sua dimensão estética. Penrose criou os mosaicos de Penrose e concebeu dezenas de "figuras impossíveis" com as quais alimentava o genial artista gráfico holandês MC Escher.

Embora Penrose tenha colaborado bastante com Barss —eles conversaram semanalmente ao longo de cinco anos—, "The Impossible Man" não é uma biografia oficial. Há vários momentos em que o biografado não aparece muito bem. Devido a suas ideias exóticas sobre consciência quântica, Penrose se envolveu com figuras controversas como Stuart Hameroff. E foi por pouco que não se deixou financiar por Jeffrey Epstein.

Outra dimensão em que o biografado não se sai bem são as relações familiares. Pai ausente e marido distante, Penrose jamais hesitou em sacrificar relacionamentos pelo trabalho. Barss até tenta evitar, mas achei que, nessa parte, o livro adquire um tom meio moralista.

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