sexta-feira, 30 de junho de 2023

Com mensalidade de R$ 8 mil, Escola Eleva planeja abrir unidade em SP em 2024, FSP

 

SÃO PAULO

Com investimento estimado em R$ 100 milhões, a Escola Eleva planeja inaugurar em fevereiro de 2024 a sua primeira unidade na cidade de São Paulo. O objetivo, segundo a instituição, é formar gerações de líderes que vão causar impacto na sociedade. A mensalidade será de cerca de R$ 8.000.

O colégio premium bilíngue é originário do Rio de Janeiro, onde conta com três unidades —há outras também em Brasília e Recife.

Fachada da Escola Eleva, no prédio onde funcionava o Instituto Belas Artes, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo; unidade, que teve R$ 100 milhões de investimentos; tem início de aulas previsto para fevereiro de 2024 - Divulgação

O grupo pertencia até maio do ano passado à gestora de recursos Gera Capital, que tinha o empresário Jorge Paulo Lemann como um dos maiores acionistas, quando foi comprado pela Inspired Education por R$ 2 bilhões. Este grupo inglês tem mais de 80 escolas premium no mundo.

A unidade de São Paulo funcionará na antiga sede do Instituto de Belas Artes, na Vila Mariana, zona sul.

De acordo com a Eleva, o prédio, da década de 1920, foi renovado com projeto assinado pela arquiteta dinamarquesa Rosan Bosch, conhecida por trabalhos desenvolvidos para construção de espaços educacionais, e pelo brasileiro Miguel Pinto Guimarães, que projetou as outras escolas do grupo.

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Marcio Cohen, fundador da Eleva e CEO do Inspired Education no Brasil, afirma que inaugurar uma escola em São Paulo estava nos planos desde 2018, quando o número de alunos matriculados na unidade de Botafogo (RJ) saltou de 400 para mais de 1.000 no segundo ano após a inauguração.

Mas encontrar um local com estrutura nos padrões da escola, com bastante área livre, em uma região onde há perfil de famílias que possam migrar seus filhos para lá, foi o maior desafio. A pandemia de Covid-19 também contribuiu para frear os planos.

O prédio da Belas Artes, segundo o executivo, comporta cerca de mil alunos, porém, a ideia é abrir no próximo ano com no máximo 300 estudantes matriculados.

De acordo com Lucy Nunes, que estará à frente da unidade paulistana, no início a Eleva oferecerá matrículas do infantil três (para crianças de três anos) até o oitavo ano (13 anos), em período integral. Gradativamente, a meta é chegar à conclusão do ensino médio.

E há pais interessados, oito meses antes do início das aulas. "Hoje [sexta, 30], tivemos duas reuniões [com famílias] e na próxima semana temos mais sete marcadas. Já temos alunos pré-matriculados", diz Nunes, que foi diretora por sete anos da escola americana Chapel, que tem unidade em São Paulo.

Nas conversas, o corpo diretivo da escola faz o alerta de que a fluência no inglês é uma obrigação, e não uma opção, para quem vai estudar lá.

"Temos o mesmo número de aulas, de trabalhos e de apresentações em inglês e em português. E há aulas que são só em inglês", afirma Nunes. "Por isso, o aluno mais velho precisa ter algum nível [da língua inglesa] para entrar", acrescenta Cohen.

Nos dois primeiros anos, praticamente só se fala inglês, por causa da facilidade de assimilação das crianças. No infantil cinco, a alfabetização primeiro ocorre em português e, depois, em inglês.

Dizendo acreditar na importância da língua materna e na cultura brasileira como essenciais para a construção da identidade pessoal e cultural dos alunos, a direção afirma que os dois idiomas não são praticados ao mesmo tempo e que a escola dispõe de um modelo pedagógico baseado em metodologia ativa, com momentos espaçados para a criança se movimentar, conversar e se engajar pedagogicamente.

Segundo Cohen, a unidade paulistana pode ter algumas características próprias na comparação com as de outros estados. Ele cita, por exemplo, o maior interesse em São Paulo por universidades como USP e Unicamp, que adotam modelo totalmente diferente do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em seu vestibular.

Também há a negociação de parceria com clubes da região para desenvolvimento de um programa de incentivo ao esporte, com formação de atletas entre os alunos e até times da escola.

Com discurso de pagar salários que estão no topo do mercado, a Eleva agora começa a buscar professores, inclusive na concorrência, para formar a equipe de docentes, que só será definida em janeiro.

"Estamos identificando quem são as joias raras, conversando, inclusive, com as famílias de outras escolas, mapeando a região", afirma o CEO.

Silêncio, 12 em campo, vazio e indiferença: a noite que resumiu o ano do Santos, FSP

 Alex Sabino

SANTOS

A poucos metros dos portões 7 e 8 da Vila Belmiro, Zito aponta para o infinito. A estátua do grande capitão reproduz o que ele fazia em carne e osso na era dourada dos anos 1950 e 1960. Liderar, dar ordens e oferecer caminhos.

Isso é tudo o que o Santos parece não ter mais. Liderança e direção.

"Eu estou em frente à estátua. Não se preocupa. Você vai me achar fácil. Não tem ninguém aqui", fala, ao telefone, o comerciante Ricardo Montenegro, 44. Ele tem razão. O local que é referência para amigos que querem se encontrar antes das partidas, está vazio.

Torcedor assiste ao empate do Santos contra o Blooming atrás de um dos gols da Vila Belmiro
Torcedor assiste ao empate do Santos contra o Blooming atrás de um dos gols da Vila Belmiro - Adriano Vizoni/Folhapress

Em uma das noites mais melancólicas do clube nas últimas décadas, com estádio deserto e debaixo de chuva fina tão persistente quanto chata, o Santos empatou nesta quinta-feira (29) em 0 a 0 com o Blooming-BOL, em sua despedida da Copa Sul-Americana.

Era a estreia do técnico gaúcho Paulo Turra, que substitui o gaúcho Odair Hellmann, contratado por indicação do gaúcho Luiz Felipe Scolari e sob a supervisão do coordenador de futebol Paulo Roberto Falcão, catarinense e ídolo maior do gaúcho Internacional.

"Eu não sei o que estou fazendo aqui. Sinceramente, não sei", inconformava-se, antes da partida, Roberto, 37, que não quis dar o sobrenome ou sua profissão. Ele ficou dois minutos, cartão de Sócio Rei, o programa de sócio-torcedor do Santos, nas mãos, indeciso sobre o que fazer. Logo em seguida entrou no estádio com calma e sem enfrentar qualquer fila.

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As duas equipes já estavam eliminadas no torneio de segunda linha do continente. O empate nesta quinta-feira (29) foi o primeiro ponto conquistado pelo Blooming na competição.

O Santos chegou à 11ª partida consecutiva sem vencer. A última vitória foi contra o Vasco, pelo Campeonato Brasileiro, em 14 de maio. Não se pode dizer que o time desde então entrou em uma espiral de queda porque não estava no auge antes disso. Mas é um período em que foi eliminado da Copa do Brasil, da Sul-Americana e entrou de verdade na briga contra o rebaixamento no Nacional.

A dois pontos do Z4, enfrentará fora da casa o Cuiabá, no domingo (2), em confronto que pode ser encaixado no chavão de "jogo de seis pontos" na luta para evitar a queda.

O Santos não conquista um título de expressão desde 2016, quando foi campeão paulista.

"Já vi elencos péssimos no passado, nos anos 1980, por exemplo. As defesas eram ruins, mas no ataque aparecia um Paulinho McLaren… Esse time atual não faz nada na frente. Olha, se não cair neste ano, não cai nunca mais. Nunca vi a Vila tão vazia assim", diz, sentado na arquibancada atrás de um dos gols, o representante comercial Alexandre Suassuna, 50, que acompanhava a partida ao lado da mulher Cristina.

"Eles não ligam para nada. Se ganhar, tem bicho e nem para isso estão ligando", queixa-se, para dois integrantes da Torcida Jovem, Cosme Damião, presidente histórico do mais importante grupo de torcedores do Santos.

Em protesto, a organizada ficou a partida inteira sentada e em silêncio. Nenhuma manifestação de incentivo ou protesto. Quem fez barulho na quase vazia Vila Belmiro foram fãs do Blooming, recolhidos a um canto do estádio que antes era chamado, por causa da visão pouco privilegiada do campo, de "sócio-cachorro".

O comportamento da Jovem fez parte de 90 minutos que encapsulam o mundo bizarro que o Santos, eliminado pelo terceiro ano consecutivo na fase inicial do Campeonato Paulista, vive em 2023.

Os xingamentos começaram aos 10 do primeiro tempo e o alvo preferencial foi o meia-atacante Lucas Barbosa, em parte porque ele era o que mais de próximo havia da equipe titular em campo. Todos os outros estavam no banco. Os brasileiros tiveram mais posse de bola, mas as melhores chances, à exceção do último lance da partida, foram dos bolivianos.

Por mais de um minuto, durante o segundo tempo, o Santos teve 12 em campo porque o volante Camacho não reparou que tinha sido substituído. O árbitro equatoriano Augusto Aragon também não viu.

O único momento que a torcida se divertiu foi quando o sistema de som do estádio anunciou o público: 11.565 pessoas. A reação geral foi de escárnio. Pouco depois veio a correção. Eram 2.891 pagantes.

O santista tem se acostumando a sensações de deboche. Em reunião recente do conselho deliberativo, o presidente Andres Rueda disse que o clube não ficaria fora da Copa do Brasil de 2024 (o torneio nacional mais lucrativo do calendário), mesmo sem conseguir classificação em campo, porque haveria um convite da CBF.

Ele já havia causado indignação ao afirmar que o elenco atual não deve nada a nenhum outro do país e Lucas Lima seria o meia que todas as equipes do país gostariam de ter. Pouco utilizado pelo Fortaleza em 2022, estava inativo em 2023. Isso até aparecer a proposta do Santos, equipe em que já havia atuado e que depois passou a zombar repetidas vezes enquanto estava no Palmeiras. Ao voltar à Vila, ele pediu desculpas.

No final do ano haverá eleição presidencial e não há nenhum candidato que se lançou oficialmente. Rueda tem direito a tentar a reeleição mas sinaliza que não o fará. Um dos possíveis nomes da oposição é Marcelo Teixeira, que foi mandatário entre 1992-1993 e de 2000 a 2009.

A atual administração se orgulha de estar "colocando a casa em ordem" e pagado dívidas desde o início, em 2021. "Não contrato ninguém sem ter certeza de que vou pagar", disse Rueda à Folha. Na primeira semana no cargo, ele descobriu que a agremiação havia sido excluída do Profut, o programa do governo federal de financiamento das dívidas fiscais.

Nem a rara chance atual de ver o Santos ao vivo mobilizou a torcida. Por causa de tumultos provocados após a derrota por 2 a 0 para o Corinthians no último dia 21, o clube foi condenado a atuar 30 dias sem a presença de seus torcedores, mesmo em jogos fora de casa. Marcelo Mendes, advogado da agremiação no julgamento, disse "aplaudir" a decisão do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) que definiu a sentença.

Os 11 em campo contra o Blooming tiveram sorte por a Vila estar vazia. Quase todos receberam sua parcela de vaias e xingamentos. Mesmo os que têm muito pouco a ver com a crise técnica atual, como o meia boliviano Miguelito, alvo de gritos xenófobos.

Apenas Vladimir se salvou das ofensas. As defesas do seu goleiro evitaram que o Santos fosse derrotado, um cenário comum nos últimos três anos, geralmente com João Paulo como titular.

Preocupado com o empate, Turra começou a colocar titulares em campo no segundo tempo: Soteldo, Rodrigo Fernández, Mendoza e Lucas Lima.

Lance da partida entre Santos e Blooming-BOL, pela Copa Sul-Americana
Lance da partida entre Santos e Blooming-BOL, pela Copa Sul-Americana - Adriano Vizoni/Folhapress

Este último foi quem teve a oportunidade de acabar com o jejum de vitórias e dar um começo positivo para o novo treinador, apesar do jogo insignificante para a tabela. Ele chutou na trave pênalti no derradeiro lance.

"A gente precisa é apoiar as meninas, não esses aí", queixou-se, para um policial militar, torcedor que estava ao lado da grade de ferro atrás de um dos gols. O PM nada respondeu.

A equipe feminina está na semifinal do Brasileiro. Vai enfrentar o Corinthians em 26 de agosto, depois que a punição imposta pelo STJD tiver acabado.

A cobrança perdida por Lucas Lima foi a pá de cal. Calada, assim como entrou, a Torcida Jovem se levantou e foi embora, sem sequer vaiar.

Pior até do que a indignação, é a indiferença.