quarta-feira, 15 de setembro de 2021

São Paulo teve o maior investimento em saúde da década, FSP

 Jean Gorinchteyn

Médico infectologista e secretário da Saúde do estado de São Paulo

Internações, exames, cirurgias e consultas integram um sem-fim de atividades diárias do SUS sob responsabilidade dos gestores públicos, que devem zelar pela qualidade do serviço e pelo uso racional de recursos. Essas tarefas tornaram-se mais desafiadoras e dinâmicas na pandemia de Covid-19.

No final de 2019, quando o novo coronavírus surgiu, sabíamos que o impacto no estado de São Paulo seria questão de “quando” e “quanto”. Todo o planejamento para 2020 precisou ser adaptado para salvarmos vidas na maior crise de saúde pública da história. Precisamos ser mais ágeis e eficientes.

Ao lado de Jean Carlo Gorinchteyn e de Dimas Covas, Doria comemora a chegada de insumos para a Coronavac
O secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, e o governador João Doria (PSDB-SP) comemoram a chegada de insumos para a Coronavac - Divulgação - 4.fev.21

Partimos de um panorama pré-pandêmico, que previa, para o ano passado, ações como a entrega de novos hospitais e ambulatórios em Bebedouro, Bauru, Caraguatatuba, Suzano e Campinas. Redirecionamos nossos passos, pois jamais deixaríamos nosso desejo de entregar novas estruturas suplantar o dever de proteger a população. Assim, os investimentos nessas obras físicas foram redirecionados em caráter emergencial para transformá-las em hospitais de campanha —chegamos a 16 serviços do tipo na pandemia.

Ao passo que as obras ganharam outro ritmo naquele momento, a assistência à população mais que dobrou. Um exemplo é o Hospital Emílio Ribas, cujas obras foram reprogramadas, mas iniciativas de inovação em gestão permitiram que os leitos de UTI quase triplicassem.

Trabalhamos na criação de 8.000 leitos extras de UTI, compra e distribuição de 4.000 respiradores, remédios para intubação, equipamentos de proteção para profissionais de saúde, testes diagnósticos, seringas e 4 milhões de doses extras de Coronavac para avançar na campanha —a despeito dos descompassos do Ministério da Saúde. Mobilizamos a iniciativa privada e conseguimos reunir R$ 180 milhões para a construção de uma fábrica de vacinas do Instituto Butantan. Estes e outros recursos foram impactantes e ficam como legado. Tudo exigiu alta capacidade de organização, articulação, inovação e gestão, bem como horas a fio de trabalho dos gestores.

[ x ]

Os dados publicados nesta Folha na reportagem “Cai investimento em saúde em São Paulo durante governo Doria” (13/9) trouxeram uma visão equivocada sobre os investimentos em saúde no estado. O texto fez um contorcionismo numérico e abordou o tema sob um recorte injusto, como se uma única rubrica de gastos significasse todos os esforços do governo em ampliar a assistência. Descreve apenas uma árvore, como se ela, única e exclusivamente, representasse toda uma imensa floresta.

O governo João Doria (PSDB), que foi do outro lado do mundo atrás de uma vacina, registrou o maior gasto em saúde da última década, chegando a R$ 28,7 bilhões em 2020. O valor é 7,5% maior que os gastos com o setor realizados em 2018, que teve R$ 26,7 bilhões em valores já corrigidos pelo IPCA. Agora, sem descansar, avançamos na retomada, com mais de R$ 4 bilhões previstos para finalização de hospitais em construção, ampliação de programas e repasses a hospitais municipais, Santas Casas e entidades filantrópicas.

Os dados mostram que aprendemos a nos reinventar e agregaremos esse conhecimento para seguir ofertando prevenção, diagnóstico e tratamento à população. Um benefício que ficará para todos.


Nenhum comentário: