Há duas décadas, quando eu ainda estava construindo minha formação como economista e me iniciando nos caminhos que me levariam à Amazônia, a reputação se erguia sobre alicerces sólidos. De um lado, relacionamentos de longo prazo com comunidades ribeirinhas que nos ensinavam sobre a floresta, compromissos com os extrativistas que dependiam da biodiversidade para sua subsistência. De outro, vínculos de confiança com parceiros ao redor do mundo.
Naquele tempo, o custo de agir de forma superficial ou performática era altíssimo. Pagava-se esse preço no mundo real —nas conversas com autoridades governamentais, assembleias comunitárias na beira do rio, ou premiações internacionais— onde as consequências não se apagam com um clique.
Hoje, o capitalismo vive um paradoxo perigoso. O algoritmo —força que molda comportamentos e define sucesso— recompensa o volume em detrimento da substância, o barulho em vez da reflexão estratégica, a reação impulsiva no lugar da coerência. Ignora-se o silêncio produtivo, vital para decisões transformadoras, e a profundidade necessária para gerar impacto sustentável.
Neste novo ecossistema digital, observamos distorções preocupantes. Aqueles que atacam ganham visibilidade instantânea, confundindo polarização com liderança. Quem simplifica excessivamente questões complexas é celebrado como "autêntico", quando está apenas vendendo soluções rasas para problemas profundos.
O exibicionismo é confundido com grandeza, enquanto a escuta ativa —essa competência essencial para qualquer líder que deseja servir verdadeiramente— praticamente desaparece do radar.
Mas precisamos ter coragem de afirmar: o mundo que realmente importa opera sob princípios diferentes. No universo dos negócios regenerativos e do capitalismo de partes interessadas, a inteligência genuína ainda se manifesta na capacidade de ouvir —ouvir os cientistas climáticos, ouvir as comunidades locais, ouvir os sinais da natureza.
A verdadeira força empresarial não está na agressividade competitiva, mas na estratégia que constrói ecossistemas colaborativos. A grandeza corporativa permanece discreta, medida não por campanhas publicitárias, mas pelo impacto positivo silencioso na vida de milhões.
A riqueza real não se acumula em métricas trimestrais vazias, mas na simplicidade de modelos de negócio que servem ao bem comum. E a sabedoria —aquela que os conselhos administrativos deveriam buscar— continua sendo o fruto da calma, da visão de longo prazo e da coragem de escolher o caminho certo, mesmo quando não é o mais popular.
Precisamos recalibrar nossos indicadores de sucesso. O futuro pertence às organizações e líderes que rejeitam a tirania do curto prazo e abraçam a responsabilidade intergeracional. Não podemos continuar otimizando para o algoritmo quando deveríamos estar otimizando para a vida.

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