Revoltados com a iminente assinatura do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, agricultores franceses ocuparam com tratores na manhã desta quinta-feira (8) pontos icônicos de Paris, como o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel, e quase agrediram a presidente da Assembleia Nacional, o parlamento francês, Yaël Braun-Pivet.
Braun-Pivet foi vaiada ao sair das dependências da Assembleia para encontrar os agricultores, do lado de fora. Uma manifestante a acusou de "traidora" e outro jogou um líquido sobre ela, obrigando os seguranças a retirá-la às pressas.
Mesmo assim, Braun-Pivet disse apoiar a causa dos agricultores, e que iria recebê-los à tarde. "Os franceses têm o direito de exprimir sua cólera", afirmou. Isso demonstra o quanto o tema é delicado para os políticos do país, devido à popularidade da categoria junto à opinião pública.
Por sua vez, o porta-voz do partido Reunião Nacional, de ultradireita, Laurent Jacobelli, foi efusivamente recebido pelos agricultores no mesmo local.
Os manifestantes derrubaram uma árvore no oeste de Paris, para interromper o trânsito. Oito agricultores foram presos, mas a polícia pouco fez para reprimir a ocupação das ruas da capital.
A porta-voz do governo, Maud Bregeon, qualificou de "inaceitável" o comportamento dos manifestantes, o que só aumentou a irritação dos agricultores. Eles acusam o presidente Emmanuel Macron de traí-los ao permitir a aprovação do acordo, que, acredita-se, será assinado pelos dois blocos na segunda-feira (12), no Paraguai.
Após ter dado declarações ambíguas sobre o tratado, Macron conseguiu o apoio da Itália para adiar a assinatura, em dezembro. Agora, porém, o governo de Giorgia Meloni sinaliza aceitar a ratificação.
RUAS DE PARIS SÃO BLOQUEADAS POR MANIFESTANTES
Agricultores franceses iniciaram um bloqueio antes do amanhecer nas estradas que levam a Paris e em vários pontos turísticos da cidade, em protesto contra o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, bem como contra outras queixas locais.
Vários sindicatos convocaram os protestos em Paris em meio a temores de que o acordo de livre comércio planejado com o bloco de países da América do Sul inundará a UE com importações de alimentos baratos, e em indignação com a forma como o governo está lidando com uma doença que afeta o gado.
"Estamos entre o ressentimento e o desespero. Temos um sentimento de abandono, com o Mercosul sendo um exemplo", disse Stephane Pelletier, membro do sindicato Coordination Rurale, à Reuters ao pé da Torre Eiffel.
Os agricultores romperam as barreiras policiais para entrar na cidade, dirigindo pela avenida Champs-Élysées e bloqueando a estrada ao redor do monumento Arco do Triunfo nesta quinta-feira, enquanto a polícia os cercava.
Dezenas de tratores obstruíram as rodovias que levam à capital antes da hora do rush matinal, incluindo a A13 que liga Paris aos subúrbios ocidentais e à Normandia, causando 150 km de engarrafamentos, disse o ministro dos Transportes Philippe Tabarot.
O protesto aumenta ainda mais a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e seu governo, um dia antes da votação do acordo comercial pelos Estados-membros da UE. Sem maioria no parlamento, qualquer erro político de Macron pode resultar em um voto de desconfiança na Câmara.
Há muito tempo a França tem sido uma forte oponente do acordo comercial e, mesmo depois de obter concessões de última hora, a posição final de Macron ainda é desconhecida.
Nesta semana, a Comissão Europeia propôs disponibilizar 45 bilhões de euros de financiamento da UE mais cedo para os agricultores no próximo orçamento de sete anos do bloco e concordou em reduzir as taxas de importação de alguns fertilizantes em uma tentativa de conquistar os países que estão hesitando em apoiar o Mercosul.
O acordo é apoiado por países como a Alemanha e a Espanha, e a Comissão parece estar mais próxima de obter o apoio da Itália. O respaldo de Roma significaria que a UE teria os votos necessários para aprovar o acordo comercial com ou sem o apoio da França.
Uma votação sobre o acordo é esperada para sexta-feira (9).
Os agricultores também exigem o fim da política governamental de abate de vacas em resposta à doença altamente contagiosa conhecida como dermatite nodular contagiosa, que consideram excessiva, defendendo, em vez disso, a vacinação.
A polícia estava evitando confrontos com os manifestantes, disse o ministro. "Os agricultores não são nossos inimigos", afirmou Tabarot.
Com Reuters



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