domingo, 4 de janeiro de 2026

Betty Boop, Freud e Mondrian liberados em 2026, Ronaldo Lemos, FSP

 Boas-vindas às obras elevadas ao domínio público no dia 1º de janeiro de 2026. Só para relembrar, todo dia 1º de janeiro, um conjunto enorme de filmes, músicas, livros e outras criações são promovidas ao domínio público. Isso significa que podem ser utilizadas por qualquer pessoa sem a necessidade de pedir autorização. Dá para regravar, publicar, distribuir, remixar, adaptar e muito mais.

O domínio público de 2026 é de tirar o fôlego. Pela lei dos EUA, há um conjunto magnífico de obras que se tornaram de todos nós. Em literatura, temos a íntegra do Falcão Maltês de Dashiell Hammett. Ou ainda, o impactante poema "Quarta-Feira de Cinzas" de T.S. Eliot, que marca sua conversão religiosa e abandono do niilismo. Temos também a edição alemã de Civilização e Seus Descontentes de Sigmund Freud (o saudoso psicanalista M.D. Magno, que perdemos em 2025, iria gostar).

Em termos de personagens, a primeira versão da Betty Boop ingressou no domínio público. Além dela, a primeira versão do Pluto (que ainda se chamava "Rover", antes de ter o nome trocado posteriormente) agora também é parte do glorioso domínio público.

Betty Boop, personagem animada em preto e branco, está em pé com vestido curto preto e brincos grandes, em cenário urbano estilizado com postes e calçada.
Betty Boop, personagem criada nos anos 1930 - Paramount/Reprodução

No cinema temos preciosidades. O seminal filme Sem Novidades no Front agora é nosso (aliás, é um bom momento para rever e fazer lembrar sua mensagem anti-bélica). Temos também A Idade do Ouro de Luis Buñuel e Salvador Dali, um marco do cinema surrealista. Ou ainda, O Anjo Azul que projetou Marlene Dietrich internacionalmente com a inesquecível personagem Lola Lola.

A seleção musical é perfeita para se apaixonar neste começo de ano. Temos a composição de Georgia in My Mind promovida ao domínio público. Ou ainda, a maravilhosa Dream a Little Dream of Me. Dos irmãos Gershwin temos I Got Rhythm, I Got a Crush on You e But Not For Me. São suficientes para gerar muitos suspiros coletivos daqui para toda a eternidade.

Já no campo das gravações, temos Bessie Smith cantando junto com Louis Armstrong a música St. Louis Blues. E também Louis Armstrong cantando If I Lose, Let me Lose (Mama Don´t Mind).

No quesito obras de arte temos Piet Mondrian com sua Composição com Vermelho, Azul e Amarelho promovida ao domínio público (camisetas e canecas estão liberadas). E uma obra de especial importância para nós brasileiros: a Taça Jules Rimet, criada por Abel Lafleur. O Brasil conquistou a duras penas o troféu, que foi furtado da sede da CBF e destruído. A taça agora retorna a todos nós. Podemos recriar quantas Jules Rimet quisermos.

Pela lei brasileira, temos a elevação de todos os criadores que faleceram no ano de 1955. Isso inclui a deliciosa composição de Falsa Baiana de Geraldo Pereira. Ou os lindíssimos choros de Garoto (Aníbal Augusto Sardinha). Além disso, as obras completas de Ataulfo de Paiva e Amadeu de Queiroz. E claro, Carmen Miranda, que faleceu em 1955, também tem sua parte em obras como Os Home Implica Comigo em domínio público. Mas cuidado, a composição foi feita com Pixinguinha, que ainda não foi ainda elevado ao domínio público. Vale aguardar!

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