terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Núcleo duro do Ministério da Justiça deve deixar a pasta com Lewandowski, FSP

 Raquel Lopes

Brasília

O núcleo duro do Ministério da Justiça e Segurança Pública deve deixar o governo Lula (PT) junto com Ricardo Lewandowski.

Ao menos dois secretários já sinalizaram a pessoas próximas essa intenção: o secretário-executivo da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto, e o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo.

Homem idoso de cabelos brancos e expressão séria, vestido com terno escuro, camisa azul clara e gravata amarela, gesticula com as mãos abertas em frente a um fundo desfocado de árvores.
Lewandowski fala sobre as medidas do governo Lula após operação policial no Rio de Janeiro - Pedro Ladeira - 29.out.2025/Folhapress

Outro nome que deve deixar a pasta ainda no primeiro semestre é o do secretário de Assuntos Legislativos, Marivaldo Pereira, que deve se lançar como candidato a deputado federal nas eleições de 2026.

A previsão inicial era a de que Lewandowski deixasse o cargo após a aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança, ainda sem data definida para ser apreciada na Câmara dos Deputados. Segundo interlocutores, porém, a saída deve ocorrer na sexta-feira (9).

Lewandowski, com férias previstas até o fim da semana, adiantou o retorno e reassumiu as atividades nesta segunda (5). A saída do ministro da pasta foi antecipada pela colunista Mônica Bergamo.

Ainda segundo relatos, Lewandowski pediu uma audiência ao presidente Lula para esta semana, reforçando a suspeita de antecipação de sua saída.

Na conversa em que informou ao presidente que pretendia entregar o cargo, Lula pediu que esperasse até o fim de janeiro ou início de fevereiro para que saísse na mesma época que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Lewandowski tomou posse na pasta em 1° de fevereiro de 2024, após o ministro Flávio Dino deixar o cargo para se tornar ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Na ocasião, ele nomeou Manoel Carlos de Almeida Neto, Mario Sarrubbo, Jean Uema (Secretaria Nacional de Justiça), André Garcia (Secretaria Nacional de Políticas Penais) e Lilian Cintra (Secretaria Nacional de Direito Digital), além de promover a reorganização das demais secretarias com quadros que já integravam o ministério.

Em seu discurso, Lewandowski prometeu foco na segurança pública e falou da importância de combater o crime organizado, os delitos digitais e as milícias.

Em sua gestão, o ministério apresentou um arcabouço legal para o combate ao crime organizado. Além da PEC da Segurança, Lewandowski elaborou o PL Antifacção. Os projetos tramitam na Câmara dos Deputados e ainda não possuem data para serem apreciados.

O atual ministro da Justiça havia deixado o Supremo em abril de 2023, um mês antes de completar 75 anos, idade máxima de permanência na corte.

A indicação para ser ministro do governo Lula enfrentou inicialmente resistência de sua família. Durante as tratativas, o presidente chegou a falar por telefone diretamente com a esposa do magistrado, Yara de Abreu Lewandowski, fazendo um apelo para que ela apoiasse a indicação.

A saída de Lewandowski foi pactuada com Lula há poucos dias. A cúpula do governo percebe, há meses, cansaço no chefe da Justiça.

Há, entre aliados do presidente, grupos que defendem uma mudança no perfil de quem comandará a pasta. Principalmente se ela for dividida em um Ministério da Justiça e outro da Segurança Pública —hoje as duas áreas estão sob o comando de Lewandowski.

Para esses setores, falta alguém de perfil combativo em posição de destaque no governo para disputar a pauta da segurança junto à opinião pública. O assunto é tradicionalmente dominado por forças políticas de direita, adversárias de Lula.

No entanto, membros do governo Lula dizem que a criação do Ministério da Segurança Pública pode ocorrer apenas após a aprovação da emenda constitucional que trata das competências da União relativas ao tema.

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