quarta-feira, 5 de novembro de 2025

'Vale Tudo': Taís Araujo denunciou Manuela Dias ao compliance da Globo após discussão ,FSP

 Gabriel Vaquer

Aracaju

"Vale Tudo" chegou ao fim há duas semanas, mas os desdobramentos da novela ainda ecoam nos bastidores da GloboTaís Araujo denunciou a autora Manuela Dias ao compliance da emissora. A queixa aconteceu após uma discussão entre as duas sobre como Raquel, protagonista da história, estava sendo desenvolvida.

Procuradas, Taís Araujo e a Globo não quiseram se manifestar. Manuela Dias não respondeu aos contatos feitos pela coluna. A reportagem apurou que a queixa de Taís ainda está sob investigação do setor responsável.

A celeuma começou em agosto, quando Taís procurou a autora para falar sobre sua personagem. A atriz alegou que Raquel era mais uma negra protagonista escrita para sofrer em demasia e que não estava contente com os rumos.

Taís também relatou que estava sendo pressionada por entidades do movimento negro de que faz parte. Integrantes teriam relatado a ela que se sentiam decepcionados pela forma como Raquel era retratada no folhetim.

Manuela Dias discordou, e as duas tiveram uma forte discussão de cunho profissional. Taís, no entanto, decidiu levar o relato para o compliance da Globo, com o intuito de ajudar a empresa a discutir a forma como ela retrata pessoas negras em novelas.

Houve também uma reclamação sobre como Raquel perdeu espaço no folhetim. Como a coluna mostrou em setembro, a mocinha de "Vale Tudo" aparecia em poucas cenas. Boa parte delas eram em ações de merchandising.

O fato ocorreu antes da entrevista dada à revista Quem, em agosto, quando Taís tornou pública sua insatisfação com os rumos da personagem. Chateada com a fala, Manuela Dias também entrou com queixa contra Taís no compliance da Globo, com a alegação de quebra do código ético da empresa.

Manuela ficou incomodada especialmente por Taís ter levantado a questão racial. A autora tem presença ativa no movimento negro, tendo escrito o filme "Malês", lançado no último mês de outubro nos cinemas, e que conta a história da Revolta dos Malês, considerada a maior revolta de escravizados da história do Brasil, ocorrida na Bahia em 1835.

Desde a discussão, Taís e Manuela não se falam. A pessoas próximas à atriz diz que não tem nada pessoal contra a autora. Seu objetivo é mudar a cultura dentro da empresa sobre como o negro é retratado nos seus folhetins.

Após o fim de "Vale Tudo", alguns atores mostraram descontentamento com a história. Luís Melo, o Bartolomeu, admitiu em uma entrevista que "esperava mais" da produção. A trama teve audiência satisfatória para a emissora e foi a novela de maior faturamento da história da Globo.

Fim do devedor contumaz levaria bilhões para os cofres públicos sem criar impostos, FSP

 

A aprovação de um único projeto de lei é capaz de ampliar a arrecadação pública, combater o crime organizado e melhorar o ambiente de negócios no país. Trata-se do PLP 125/2022, que estabelece critérios objetivos para distinguir um devedor eventual daquele que utiliza a sonegação como modelo de negócio, o chamado devedor contumaz. A proposta já foi aprovada por unanimidade (71 a 0) no Senado e aguarda votação na Câmara dos Deputados.

Conforme um manifesto a favor da aprovação do PLP 125, assinado por oito frentes parlamentares, estima-se que o Brasil tenha hoje cerca de 1.200 CNPJs classificados como devedores contumazes, acumulando mais de R$ 200 bilhões em dívidas tributárias. Com a aprovação do projeto, até R$ 30 bilhões por ano poderão ser recuperados. Se observado apenas o setor de combustíveis, a aprovação do projeto representaria, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), uma recuperação de arrecadação de R$ 14 bilhões por ano.

E a questão tem ligação direta com a segurança pública, pois o crime organizado está usando brechas legais para burlar regras fiscais e atuar em mercados formais. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) o lucro obtido por organizações criminosas com fraudes no mercado de combustíveis chega a R$ 62 bilhões anuais, superando em quatro vezes o lucro do tráfico de cocaína - R$ 15 bilhões por ano.

Consenso pela urgência

O manifesto assinado por oito frentes parlamentares já sinaliza um consenso pela aprovação do PLP 125. O texto do documento argumenta que a atual legislação enfraquece o trabalho dos órgãos fazendários estaduais e compromete a atuação da Receita Federal e da Polícia Federal no combate ao crime tributário e à lavagem de dinheiro.

O deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, é um dos que aderiram ao movimento. Em recente encontro realizado em Brasília para reunir os movimentos sociais de apoio ao projeto, o parlamentar destacou que a FPA defendeu o PLP no Senado e continua com o posicionamento na Câmara. "Acredito que já há maturidade suficiente para que o projeto seja votado", afirmou.

Nesse mesmo encontro, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, foi taxativo ao diferenciar: "Devedores contumazes não são contribuintes. Eles não abriram empresa para prestar um serviço. Eles abriram para não pagar tributos e, com isso, ter uma vantagem em cima de todos os outros empresários. Estamos falando de bandidos, que se utilizam dessas estruturas, muitas vezes para movimentar, ocultar ou lavar dinheiro de atividades criminosas."

O presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, também é enfático ao defender a aprovação imediata do PLP 125: "Estamos à beira de uma 'mexicanização do Brasil' no setor de combustíveis, onde o crime organizado utiliza a brecha da sonegação como principal fonte de financiamento. Aprovar este projeto é um ato de defesa da nossa soberania e da integridade do mercado, antes que a ilegalidade se torne incontrolável."

O presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz, destaca que a sonegação "corrói o ambiente de negócios e financia uma cadeia criminosa. A aprovação do PLP 125/2022 não é apenas uma medida fiscal, mas uma ação fundamental de segurança pública e de defesa do mercado legal."

Defesa da Concorrência Leal

A votação do projeto é vista como uma forma de proteger as empresas que operam na legalidade. O PLP 125/2022 propõe regimes especiais de fiscalização para cessar novas dívidas impagáveis e mecanismos de exclusão do mercado para os fraudadores, ao mesmo tempo em que estabelece programas de conformidade que beneficiam o bom pagador com um tratamento mais orientador do Fisco.

Barreirinhas detalha: "Com o PLP 125, se o auditor chegar em um estabelecimento de alta conformidade e encontrar alguma coisa incorreta, vai poder orientá-lo e dar prazo para a sua correção. Porque é assim que o fisco tem que tratar. É mais eficiente."

Kapaz finaliza, descrevendo o impacto no mercado: "Já vimos casos de empresas idôneas fechando as portas por não conseguirem acompanhar preços abaixo do custo praticados por grupos fraudulentos. O resultado é devastador para a economia formal".

*conteúdo patrocinado produzido pelo Estúdio Folha

Crime não nasce no colo materno, Mariliz Pereira Jorge - FSP

 Um recorte da operação no Rio escancara o retrato de família à brasileira. Um terço dos mortos não tinha o nome do pai no registro. Não é detalhe burocrático, é herança social, mas reforça a tese conveniente e falaciosa de que "faltou homem em casa". Mulheres criam filhos sem a figura masculina todos os dias e não os perdem para a marginalidade. Este é, infelizmente, o resultado da falta de Estado, políticas públicas e responsabilidade paterna.

Planejamento familiar é direito desde 1996. Na realidade, repete-se a velha sequência: pobreza, gravidez não planejada, maternidade forçada, nenhuma rede de apoio, infâncias sem horizonte. A adolescência segue sendo terreno da omissão. No Brasil, adolescentes engravidam quatro vezes mais que em países desenvolvidos. É uma fase da vida que não combina com fila de emprego nem com creche que fecha ao meio-dia. Há outro golpe no mito do "lar, doce lar".

Várias pessoas deitadas lado a lado no chão, seminuas, com marcas visíveis no corpo, cercadas por uma multidão que observa em ambiente externo.
Corpos de mortos recolhidos em matas por moradores são alinhados em rua do complexo da Penha - Eduardo Anizelli - 29.out.2025/Folhapress

estupro de vulnerável domina as estatísticas, e a maioria das vítimas é menor de 14 anos. Mesmo assim, há quem queira criminalizar meninas violentadas, equiparando o aborto após 22 semanas a homicídio. É a política do castigo, que pune a vítima para tentar "resolver" um problema social que começa muito antes da violência sexual.

E os pais? Em 2023, 172 mil crianças foram registradas sem o nome do pai, mas o raciocínio cruel culpa quem ficou pelo sumiço de quem foi embora. Ausência paterna não é exceção, é estatística. O que falta não é "chefe" em casa, mas homens que exerçam a paternidade sem romantismo: apareçam no registro, paguem boleto e participem do cuidado, com presença, tempo e corresponsabilidade.

Esse recorte trágico revela o óbvio que o poder prefere calar. Quando o Estado falha no começo —planejamento, escola, saúde, proteção—, "compensa" no fim com fuzil. Não existe vácuo. Onde faltam creches, renda e política pública, sobram milícia, tráfico e morte precoce. A conta não é da mãe sem marido. É de um país que terceiriza a paternidade, demoniza direitos reprodutivos e só aparece na porta de casa para recolher o corpo.