Deu no The New York Times. Em 1965, alpinistas americanos a cargo da CIA chegaram a metros do cume de uma das montanhas mais altas do Himalaia, na Índia, levando equipamento destinado à exploração do oceano e do espaço. Só que, nesse caso, com outras intenções: vigiar a China, que acabara de entrar no clube nuclear detonando uma bomba atômica. Iam plantar um espião no topo do mundo.
Mas o inesperado fez uma surpresa. Uma tremenda tempestade de neve provocou invisibilidade total do terreno —era impossível completar a subida. O comandante da expedição ordenou a volta antes que também ficasse impraticável e, com isso, o abandono do material. E assim foi feito: esconderam-no numa caverna de gelo, na esperança de que, quando retomada a subida, ele fosse recuperado.
Um ano depois, voltaram para continuar a missão, mas, para surpresa geral, não acharam o equipamento. O próprio entorno em que ele fora depositado desaparecera. E pior: dele fazia parte um gerador alimentado por um combustível radioativo, o SNAP 19-C, contendo quase um terço do plutônio usado na bomba que destruiu Nagasaki em 1945. O calor do gerador o levara para as profundas. Todo o material radioativo estava agora inalcançável.
Isso foi há 60 anos, mas só há pouco a abertura de arquivos alertou para a possibilidade de uma tragédia. Com o derretimento das geleiras pelo aquecimento do planeta, o dispositivo nuclear pode deslizar para o interior da montanha e despejar o plutônio nas nascentes do Ganges, o rio sagrado da Índia, de que dependem milhões de pessoas. E se a radiação chegar às suas águas?
Se acontecer, pense nas pessoas que tiveram suas cinzas despejadas no Ganges: o líder espiritual Mahatma Gandhi, os roqueiros George Harrison e Jerry Garcia, os governantes Jawaharlal Nehru e sua filha Indira Gandhi, o jazzista Charles Mingus e possivelmente John Coltrane, o citarista Ravi Shankar e muitos mais. Que fatalidade, não? Vera Fischer também se banhou no Ganges, mas, por sorte, há muito tempo.

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