domingo, 15 de fevereiro de 2026

Empresas de IA dominaram o Super Bowl: mau sinal, Ronaldo Lemos, FSP

 O ponto mais importante do Super Bowl de 2026 não foi só o cantor Bad Bunny. Foi o fato de o evento ter sido tomado por anúncios das empresas de inteligência artificial. Só lembrando, esses espaços publicitários estão entre os mais caros do mundo.

Em 2026 houve anúncios de Anthropic, OpenAI, Amazon (focando na Alexa+), Google Gemini e de nomes menos conhecidos como a Base44, a empresa Artlist (que usou IA para criar seu próprio comercial) ou a startup Genspark.

Isso é um mau sinal. Nas duas últimas vezes em que a final do futebol americano foi dominada por anúncios de empresas de tecnologia, aquele foi também o ano de implosão de bolhas especulativas no setor.

Homem jovem com cabelo curto e barba aparada sorri para a câmera em ambiente externo com fundo desfocado de árvores. Texto branco sobreposto diz: 'Ads are coming to AI. But not to Claude.'
No Super Bowl, Anthropic usou o comercial para ironizar decisão da OpenAI de incluir publicidade na plataforma - Reprodução

Por exemplo, o ano de 2022 foi chamado de o Super Bowl das criptomoedas. As empresas de cripto viviam um momento de exuberância. Exibiram comerciais no evento a Crypto.com, a Coinbase, eToro e a FTX. Note que o Super Bowl foi realizado dia 13 de fevereiro daquele ano.

Três meses depois, as criptomoedas desabaram. Em maio de 2022, a stablecoin chamada LUNA implodiu, gerando prejuízos bilionários. Em novembro foi a vez da FTX. Não só a empresa capotou brutalmente, como pouco depois seu fundador acabou sendo preso por fraude financeira.

Um cenário similar se repetiu no ano 2000. Foi quando houve o espetacular colapso da bolha das chamadas empresas "pontocom". Naquele ano o Super Bowl teve anúncios de empresas como a Pets.com, que vendia ração pela internet. Ou a Computer.com, que vendia computadores pela rede. Ou ainda, a Ourbeginning.com, que oferecia serviços de listas de casamento online.

Com tanto dinheiro de investidores, essas empresas foram capazes de comprar espaços no Super Bowl. Dez meses depois de terem seus anúncios exibidos no evento, nenhuma delas existia mais.

Anúncios extravagantes geram desconfiança. Passam a impressão de que as empresas estão desesperadas por aumentar o número de usuários para amortizar o monumental investimento feito até agora no setor e na sua infraestrutura. Esse padrão não está acontecendo só nos EUA, mas na China também.

A semana que passou foi a de véspera do Ano-Novo Chinês. Trata-se do feriado mais importante do país. Milhões de pessoas viajam, a audiência na TV e na internet explode e os anúncios se multiplicam. Tal como no Super Bowl houve um frenesi de marketing das empresas de IA.

O Alibaba chegou a distribuir US$ 420 milhões em dinheiro entre quem entrasse na sua IA chamada Qwen neste período. A Tencent fez a mesma coisa e distribuiu US$ 140 milhões entre novos usuários da sua IA chamada Yuanbao. Houve até distribuição de "bubble tea" para novos usuários.

Já a ByteDance, dona da IA mais popular da China, chamada Doubao, comprou o espaço publicitário no Gala de Fim de Ano Chinês, o Super Bowl do país. Em suma, Ocidente e Oriente estão unidos no afã de conseguir novos usuários para suas plataformas de IA, em busca de convertê-las em produtos de massa. Antes que as bolhas do chá ou do dinheiro estourem. Aliás, feliz ano novo chinês!

Já era – o estouro da bolha das empresas pontocom do ano 2000

Já é – queda significativa do mercado de cripto neste começo de 2026

Já vem – o estouro da bolha da IA?

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