Nickolas J. Themelis
Nos últimos anos, uma poderosa rede de ONGs internacionais mobilizou-se contra o Waste-to-Energy (WtE) —tecnologia que converte resíduos não recicláveis em eletricidade e calor, ao mesmo tempo em que reduz drasticamente as emissões de metano provenientes de aterros sanitários.
Por trás de slogans ambientalistas, porém, esconde-se uma verdade incômoda: muitas dessas organizações são financiadas por canais filantrópicos sem mecanismos de responsabilização, que ocultam tanto a identidade de seus doadores quanto as motivações políticas que os impulsionam.
Essas entidades apresentam-se como defensoras do meio ambiente; contudo, registros financeiros revelam que são beneficiárias de enormes somas provenientes de intermediários filantrópicos dos Estados Unidos e da Europa. Esse sistema permite que empresários, corporações e até interesses comerciais influenciem políticas ambientais sob o disfarce do altruísmo.
Uma dessas instituições, inclusive, tornou-se uma das vozes mais estridentes contra o WtE nos Estados Unidos e no cenário mundial, tendo financiado estudo com fake news elaborado e disseminado no Brasil. No entanto, seu orçamento é sustentado por subsídios institucionais provenientes de entidades de repasse sediadas nos EUA. Segundo declarações fiscais oficiais dos Estados Unidos (Form 990), essa mesma ONG recebeu milhões de dólares de fundos destinados à filantropia no últimos anos.
Em outro exemplo claro, há um vasto conglomerado filantrópico na Europa que financia centenas de organizações em todo o continente, mas se recusa a divulgar detalhes de subvenções por beneficiário.
Esse cenário revela uma contradição estrutural dentro da filantropia climática. Ao priorizar ideologia sobre dados científicos, esses financiadores minam os próprios objetivos que afirmam perseguir. Em outras palavras, os contribuintes europeus financiam ONGs que fazem lobby contra tecnologias que a própria União Europeia reconhece como essenciais para metas de economia circular, recuperação energética e mitigação do metano. Trata-se de um caso marcante de incoerência política —onde a ideologia, e não a evidência científica, define prioridades ambientais.
O consenso científico deixa pouco espaço para dúvidas. Usinas modernas de Waste-to-Energy, equipadas com sistemas avançados de limpeza de gases e monitoramento contínuo de emissões, operam dentro de alguns dos padrões ambientais mais rigorosos do mundo.
Diversos estudos renomados demonstram que sua contribuição para a poluição atmosférica é insignificante quando comparada a outras fontes industriais, além de reduzir significativamente o volume de resíduos enviados a aterros.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) identificou a mitigação do metano de aterros como uma das maneiras mais rápidas e econômicas de reduzir o aquecimento global no curto prazo. A recuperação energética de resíduos —juntamente com reciclagem e compostagem — é um componente crítico de estratégias integradas de gestão de resíduos.
O futuro ambiental do planeta não pode ser ditado por atores sem responsabilização, cujas agendas são ocultadas por camadas de patrocínio fiscal e anonimato de doadores. O WtE não é uma solução única para todos os problemas, mas é uma ferramenta essencial para reduzir emissões de gases de efeito estufa, gerar energia renovável e proteger a saúde pública.
Chegou a hora de um acerto de contas público. A transparência deve valer para todos —governos, empresas e ONGs. Somente quando as verdadeiras fontes de influência forem expostas será possível promover um debate honesto sobre como construir um mundo mais limpo e resiliente.

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