quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Elio Gaspari - Lula 3.0 é ruim de gestão, FSP

 Lula está a caminho do fim de seu terceiro mandato e arma a barraca para disputar o quarto. A sorte deu-lhe inimigos que ocuparam a agenda nacional com a punição dos responsáveis pela trama golpista de 2022/2023. A neblina do golpe embaça a percepção da má qualidade da terceira gestão do presidente. Tomem-se três casos:

1) O escândalo do Banco Master, no qual a autonomia do Banco Central serviu para manter debaixo do tapete um problema que, nas palavras do ministro Fernando Haddad, "pode ser a maior fraude bancária da história do Brasil".

2) A promessa, feita no discurso de posse, de zerar a fila do INSS ficou no papel.

3) A promessa de criação de uma Autoridade Climática, feita em setembro de 2024, também ficou no papel.

Três assuntos, todos relevantes, todos congelados por má gestão.

Homem branco de cabelos e barba grisalhos, vestindo terno escuro, camisa azul clara e gravata azul, com mão no rosto em gesto pensativo. Ao fundo, bandeira do Brasil desfocada com cores verde, amarelo e azul.
O presidente Lula durante evento relativo à regularização fundiária, no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira - 5.fev.26/Folhapress

Começando pelo Banco Master. O doutor Daniel Vorcaro remunerava seus CDBs a taxas absurdas. O Banco Central, presidido por Roberto Campos Neto, fez que não viu.

Em dezembro de 2024, o ex-ministro Guido Mantega levou Vorcaro a Lula. Segundo o Planalto, na presença de Gabriel Galípolo, o presidente nada lhe prometeu além de uma decisão técnica do BC.

Tudo bem, mas em fevereiro o BC pediu ao Fundo Garantidor de Crédito (uma instituição privada) um empréstimo de R$ 11 bilhões para salvar o Master. Levaram R$ 5,7 bilhões. Galípolo viria a ser presidente do BC.

Se a decisão foi técnica, podiam contar quais foram os critérios para injetar R$ 5,7 bilhões num banco quebrado. Faltou gestão para prevenir o rombo e faltou gestão para impedir que se agravasse.

No seu discurso de posse, Lula prometeu: "Estejam certos de que vamos acabar, mais uma vez, com a vergonhosa fila do INSS, outra injustiça restabelecida nestes tempos de destruição".

A fila estava em 930,6 mil vítimas e hoje passa de 3 milhões. Enquanto esteve no Ministério da Previdência, Carlos Lupi prometia mutirões e nada aconteceu

De novo, o INSS só produziu o agravamento da roubalheira do dinheiro dos aposentados, iniciada no governo Bolsonaro.

Faltou gestão para reduzir a fila.

Finalmente, cadê a Autoridade Climática? Faltou gestão ao prometer o que não consegue entregar. Aí está um caso onde a falta de gestão confunde-se com simples empulhação. Lula sabe há anos que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aceita a criação dessa Autoridade desde que ela fique no quadrado de sua burocracia. Assim, ela detonou a criação de um organismo com poderes transversais, sediada no Planalto, lidando com diversos ministérios.

Se a ministra congelou a ideia quando ela era uma promessa de campanha, fica uma pergunta: por que Lula retomou a bandeira no segundo ano do mandato? Pior, podia ter atendido a ministra, criando a Autoridade para servir de girafa no quadrado do Ministério do Meio Ambiente. Não fez uma coisa nem outra.

Os três casos são diversos entre si. O Master virou o que virou porque o Banco Central não quis mexer com a banda podre do andar de cima. A fila do INSS triplicou porque a burocracia não sabe se mexer quando precisa trabalhar pelo andar de baixo. Com a Autoridade Climática, é apenas o velho vício de prometer por prometer.

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