A liquidação do Banco Pleno pelo Banco Central, na manhã desta quarta-feira, 18, enterra uma longa história de tentativas de salvamento da instituição financeira nascida como Indusval, no fim dos anos 60.
Inicialmente uma corretora de valores forte no Rio de Janeiro, o Indusval foi criado a partir da união da corretora do também liquidado Comind com a Baluarte, uma marca importante em São Paulo, em 1970. A licença para se tornar banco veio em 1991.

Para você
Voltada ao chamado middle market (segmento do mercado financeiro para empresas de médio porte), a instituição foi comandada por alguns nomes mais tradicionais do mercado financeiro e de capitais. Por décadas, esteve nas mãos das famílias Ciampollini e Mazagão Ribeiro, que deixaram o controle de maneira definitiva em 2020.
Antes disso, houve tentativas de fortalecer ou solucionar crises enfrentadas pelo negócio. Em 2003, o banco se juntou ao Multistock, comandado pelo então presidente da BM&F, Manoel Felix Cintra Neto. Ele passou a ser o principal nome do Indusval, que viveu seus anos mais pujantes, com a abertura de capital em 2007.
Com a crise financeira global de 2009, começaram a aparecer os primeiros sinais de que os negócios não andavam bem. Com o rebaixamento de suas notas de crédito pelas agências de classificação de risco, o Indusval se associou ao fundo norte-americano Warburg Pincus e os empresários Jair Ribeiro e Alfredo de Goeye. Além de aportes financeiros, o banco buscava novas frentes de negócios.
Saiba mais:
Em 2013, foi a vez de buscar uma saída para a corretora do Indusval, que dava prejuízo, transformando-a em Guide Investimentos. A operação seria vendida, em 2018, para o conglomerado chinês Fosun.
Em 2020, houve uma nova tentativa de reestruturação do banco. Como mostrou o Estadão, a instituição passou às mãos de Roberto de Rezende Barbosa, então um dos principais acionistas da Cosan. Nesse movimento, o Indusval foi transformado em Voiter e teve seu capital fechado. As famílias fundadoras deixaram o negócio.
No fim de 2023, foi anunciada a venda do banco para a Capital Consig, mas o negócio não foi adiante. A compra do Voiter pelo Master foi anunciada no início de 2024. Pouco depois, Augusto Lima anunciaria sua saída do Master e, no acordo, levou consigo a licença do Voiter, que se tornaria o Pleno.
Nenhum comentário:
Postar um comentário