Quatro anos depois, a Urbia discute com o governo do Estado a possibilidade de rompimento do contrato de concessão por 30 anos dos parques estaduais da Cantareira e Alberto Löfgren (Horto Florestal e áreas do entorno). Os espaços estão localizados na zona norte da cidade de São Paulo e em Mairiporã, na região metropolitana.
A negociação foi confirmada à Folha pelo secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini. Segundo ele, a Urbia sinalizou insatisfação e vontade de romper a concessão.
Ele ainda afirmou que a concessionária permanecerá responsável pelos parques ao menos até a assinatura de eventual contrato com uma nova concessionária. Também disse que será feito cálculo sobre possível indenização.
Em nota remetida à reportagem no fim da tarde, a Urbia respondeu que mantém diálogo com o governo sobre o futuro do contrato. Apontou que há tratativas que avaliam "diferentes possibilidades", entre elas eventual relicitação ou repactuação contratual.
"Neste momento, não há definição final sobre a solução que será adotada", destacou. Além disso, a concessionária apontou que cumpre integralmente suas obrigações contratuais, com a continuidade da operação e da prestação dos serviços aos visitantes.
Resolução no Diário Oficial desta quinta-feira (2) autoriza que "eventual relicitação" dos dois parques seja incluída no Programa de Parcerias e Investimentos do Estado. A decisão foi tomada em maio, durante reunião com o Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização e o Conselho Gestor de Parcerias Público–Privadas.
Também no fim da tarde desta quinta, a Secretaria de Parcerias em Investimentos enviou nota na qual reforça a avaliação de eventual relicitação ou repactuação contratual. Além disso, afirmou que a prioridade do governo é a garantia da continuidade dos serviços, da preservação ambiental, da manutenção dos equipamentos e do uso público dos espaços.
Urbia tentou renegociar contrato em 2024
A insatisfação da concessionária com os resultados não é de agora. Em setembro de 2024, por exemplo, teve pedido de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato negado pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo).
O argumento apresentado pela Urbia à época foi a necessidade de recompor a "frustração das expectativas" em relação à demanda de visitação e aos custos operacionais. Já a Arsesp considerou que os riscos da concessão estão previstos no contrato.
Desde que assumiu os espaços, em 2022, a concessionária recebe críticas de parte do público. A principal insatisfação envolve o valor dos ingressos do parque da Cantareira: a entrada hoje custa de R$ 30 (meia) a R$ 60.
Pela concessão, a Urbia precisou pagar R$ 851 mil, além de aceitar obrigações contratuais avaliadas em R$ 56,7 milhões. A receita então estimada pelo governo era de R$ 882,1 milhões, a partir de 2029.
O contrato abrange apenas as áreas de uso público, o que representa cerca de 3,6% do total dos dois parques. Os espaços integram reserva de mata atlântica, no "cinturão verde" de São Paulo.
Entre as obrigações, está a operação de sistema de transporte interno pago até o mirante da Pedra Grande, principal cartão-postal da Cantareira. Outras exigências incluem a entrega de novo mirante e do restauro do Palácio de Verão (antiga residência de veraneio de governadores, dos anos 1930) até 2027.
A Urbia é a mesma concessionária responsável pelo parque do Ibirapuera e outros cinco parques municipais (Jacintho Alberto, Eucaliptos, Tenente Brigadeiro Faria Lima, Lajeado e Jardim Felicidade).

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