Haddad confirma França como vice em SP; Marina e Tebet vão disputar o Senado

Anúncio sobre a chapa em São Paul foi feito nesta quinta-feira, após alinhamento com Lula na véspera. Crédito: Estadão
A campanha do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo, vai apelar para a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para tentar crescer no maior colégio eleitoral do País.
Haddad aparece atrás do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em todas as pesquisas de intenção de voto no Estado que nunca elegeu um quadro petista para o governo.
Ciente disso, o coordenador da campanha de Haddad, Marco Aurélio de Carvalho, quer nacionalizar o embate e comparar os investimentos realizados no Estado de São Paulo na gestão Bolsonaro e durante o governo Lula 3.
Em conversa com a Coluna do Estadão, Marco Aurélio explica que uma das estratégias é mostrar que, mesmo com um governador adversário, o presidente Lula já investiu mais recursos federais em São Paulo do que os quatro anos de governo anterior, que era aliado de Tarcísio.
Guerra de narrativas
Segundo Marco Aurélio, que também coordena a campanha de Lula no Estado, a ideia é dar “elementos de comparação” ao eleitor paulistano.
“Vamos oferecer elementos de comparação para mostrar ao eleitor de São Paulo o Brasil que recebemos, e o Brasil que estamos entregando. Haddad e Lula investiram R$ 13 bilhões no Estado de São Paulo, mesmo o governador sendo de outro partido. Com Bolsonaro, o investimento foi de R$ 2 bilhões”, disse à Coluna.
Como mostrou o Estadão, o repasse de verbas do governo federal sob Jair Bolsonaro caiu em 90% só na cidade de São Paulo, se comparado com o último ano da gestão de Michel Temer. O emedebista assumiu a presidência com o impeachment de Dilma Rousseff (PT).
Levantamento da Vox Brasil divulgado no último domingo, 28, aponta que Tarcísio tem 51,8% das intenções de voto, contra 37,5% de Haddad, uma diferença de mais de 14 pontos porcentuais. A aprovação da gestão do atual governador também se mostrou alta: 61,1%. Os que desaprovam a administração de Tarcísio, segundo a pesquisa, são 31,5%.
Petistas voltam a encampar discurso de frente ampla e Haddad como ‘o FHC do PT’
O PT de São Paulo também vai apostar nos quadros competitivos que têm na chapa ao Senado para as eleições de outubro, com as ex-ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente), para tentar dar fôlego à campanha de Fernando Haddad ao Palácio Bandeirantes.
Sem vaga garantida no segundo turno contra Tarcísio de Freitas, a estratégia da campanha é recorrer novamente à ideia de uma frente ampla, que estaria desta vez, segundo Marco Aurélio de Carvalho, representada na chapa do petista. Além das ex-ministras, o vice de Haddad é Márcio França, filiado ao PSB.
“A frente ampla que pode tirar São Paulo do apagão que está vivendo está na chapa de Haddad”, disse o coordenador.
A ideia de uma frente ampla será mais um dos embates travados entre Haddad e Tarcísio de Freitas. Apesar do discurso do PT, por enquanto só há partidos de esquerda e centro-esquerda na coligação petista, como o PSB, a Rede, o PSOL, o PCdoB e o PDT.
Tarcísio, por outro lado, já conseguiu reunir em sua órbita boa parte das legendas de direita e de centro-direita. Além do PL, apoiam o governador de São Paulo partidos como o MDB, PSDB, PP, União Brasil e Novo.
O pré-candidato ao governo e ex-ministro da Fazenda de Lula quer explorar o fato de nem Tebet e nem Marina, que lideram as pesquisas recentes para o Senado, serem quadros ligados ao PT. Segundo avaliação da campanha de Haddad, Simone Tebet é um nome de centro, de pensamento liberal.
Marina Silva, por sua vez, ainda que já tenha sido filiada ao PT, já “ultrapassou” a ligação com o partido e não é mais relacionada às fileiras petistas pelo eleitor, segundo pesquisas internas. Foi candidata a presidente, uma das deputadas federais mais bem votadas de São Paulo e criadora de um partido considerado de centro-esquerda. Marina, que é evangélica, carrega ainda uma percepção eleitoral de um pensamento conservador “genuíno”, exposto em pautas de costumes, como o aborto.


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