domingo, 5 de julho de 2026

Trens turísticos e Embratur assinam acordo para atrair estrangeiros para rotas ferroviárias, FSP

 

Ribeirão Preto

A associação que representa os trens turísticos que atuam no Brasil assinou um acordo de cooperação técnica com a Embratur para propagar os roteiros em operação no país no exterior.

Com 17 trens filiados à Abottc (Associação Brasileira de Operadoras de Trens Turísticos e Culturais), a expectativa da associação e da agência governamental é que o segmento receba 500 mil turistas extras nos próximos três anos em busca de roteiros ferroviários brasileiros.

Montanhas cobertas por vegetação densa sob céu azul com poucas nuvens, vistas de uma varanda com teto e grade de ferro decorativa preta em primeiro plano.
Brasil tem 17 trens turísticos ligados à associação do setor, como o que liga Curitiba a Morretes, no Paraná

Os trens atualmente são predominantemente frequentados por passageiros nacionais, embora algumas das operações recebam bom contingente de turistas estrangeiros, como o Trem do Corcovado, no Rio, e o Trem da Serra do Mar paranaense, que opera entre Curitiba e Morretes.

São cerca de 4,5 milhões de passageiros por ano em todas as rotas ferroviárias existentes no país, que representam a movimentação de R$ 4,2 bilhões nas economias locais, conforme a Abottc. Não integram a associação os dois trens de passageiros da Vale, que têm operação diária —o da Estrada de Ferro Vitória a Minas e o da Estrada de Ferro Carajás.

O acordo foi assinado nesta sexta-feira (3) na plataforma de embarque da rodoferroviária de Curitiba, de onde parte o trem entre a cidade e Morretes. Segundo a empresa Serra Verde Express, a sua operação ferroviária entre Curitiba e a cidade litorânea injeta anualmente R$ 300 milhões na economia do Paraná.

Presidente da associação, o empresário Adonai Arruda Filho, também diretor-geral da Serra Verde, afirmou que a presença de estrangeiros varia, mas chegou a ser de 24% no trem operado pela sua empresa.

"Chegamos a ter esse índice no passado, que na pandemia chegou a zero e aí começamos a reconstrução. Hoje estamos próximo de 17% de estrangeiros [...] Varia numa média de 10% a 20% de estrangeiros [no geral], mas também tem outros casos, como por exemplo o Trem do Corcovado, que esse número extrapola daí", afirmou.

A proposta do acordo de cooperação técnica entre a Abottc e a Embratur prevê várias ações, como o setor ser divulgado no exterior e, ao mesmo tempo, municiar a empresa do governo federal sobre a presença de estrangeiros nas operações.

"Entenderam a importância e o destaque que os trens turísticos já têm com o cenário internacional e virou uma política lá dentro. Nas ações de divulgação, nos materiais, o trem turístico vem fazer parte disso oficialmente. Esse é o grande diferencial. Do lado dos trens turísticos, o que é interessante também para a Embratur é que hoje nós já temos uma demanda de estrangeiros, porém a Embratur acaba não tendo esses dados. A gente também vai pegar esses dados dos estrangeiros e municiar a Embratur para que ela possa atuar mais estrategicamente, entender quais são esses mercados, as quantidades", disse.

Além dos trens que levam os turistas ao Cristo Redentor e ao litoral do Paraná, há outros que já têm atração de visitantes estrangeiros, como o Trem da República, entre as estâncias turísticas de Salto e Itu, no interior paulista, o Trem de Guararema e a Maria-fumaça Campinas-Jaguariúna, os dois últimos operados pela ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária).

"Tem muito turista que vai para São Paulo a trabalho e, como são trens que estão muito próximos da capital, às vezes ele estica para passar o dia e conhecer. A gente tem algumas operadoras estrangeiras que montam circuitos de trem no Brasil que são específicos para fanáticos por trem, e aí tem roteiros de dez dias de Brasil só andando de trem. Faz trem em Minas, São Paulo, Rio, Curitiba. É um público bem nichado, mas tem esse público fanático por trem."


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