Hoje vai-se saber quem leva a Copa, mas o certame será lembrado como Copa das Apostas. Elas dominaram o evento, com jogadores servindo de garotos-propaganda de casas de jogo. No mundo dos jogos sérios, a seleção brasileira teve um desempenho sofrível porque não jogou com responsabilidade.
O governo legalizou a jogatina sem medir consequências, interessado apenas em arrecadar, mas não está conseguindo fazê-lo com responsabilidade.
Cobrança de pênalti a favor do Brasil em jogo contra a Noruega; seleção pentacampeã terminou eliminada - Mike Segar - 5.jul.26/Reuters
Decadência
A rainha consorte do Reino Unido, Mary of Teck (1867-1953), adorava joias e comprou a esplêndida tiara Vladimir a preço de banana de uma grã-duquesa russa destronada. Além disso, gostava de levar lembrancinhas das casas por onde passava, sem consultar os donos. Já Lord Mountbatten (1900-1979) apreciava bibelôs alheios. (A duquesa de Windsor trancava os seus quando ele ia visitá-la.)
FGC tomou mordida de R$ 40,3 bilhões
Fundo foi criado para proteger investidores, não para ser casa da sogra
Alto comando petista teme uma surpresa eleitoral amarga na Bahia
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O setor privado orgulha-se de ter uma capacidade regeneradora que falta ao setor público. Será? O Fundo Garantidor de Créditos foi criado na crise bancária de 1995 para proteger investidores de até R$ 250 mil, mas não pretendia ser uma casa da sogra.
O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro - Rubens Cavallari - 22.abr.24/Folhapress
Um finório como Daniel Vorcaro podia embolsar dois funcionários do Banco Central, podia até mesmo tentar fabricar uma elevação do teto da garantia para R$ 1 milhão. Alguém devia ter desconfiado que havia gato na tuba, e muita gente desconfiou. Nada disseram, e o FGC tomou uma mordida de R$ 40,3 bilhões.
A menos que os diretores dos bancos liquidados percam boa parte de seus patrimônios, essa conta irá para a clientela, embutida em taxas e juros.
Falta de aviso não foi.
Elisabeth, a menina de Renoir, viveu beleza de um século e ruindade de outro
Retratada aos 6 anos, ela foi deportada para Auschwitz aos 69
'Rosa e Azul' atravessou a Europa e as Américas antes de chegar ao Masp
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Um dos mais admirados quadros do Museu de Arte de São Paulo é do pintor francês Renoir e chama-se "Rosa e Azul". Retrata duas meninas: Alice (a de vestido rosa), de cinco anos, e Elisabeth (de azul), de seis, filhas do casal Louis e Louise Cahen d'Anvers, estrelas da granfinagem parisiense. Renoir recebeu 1.500 francos pelo serviço, não ficou muito satisfeito, mas o quadro foi bem recebido pela crítica. Acaba de sair nos Estados Unidos o livro "The Renoir Girls", com sua história.
Quadro "Rosa e Azul" de Renoir, no Masp - Eduardo Knapp/Folhapress
No fim do século 19, os Rothschild, com seu banco e seus castelos, eram conhecidos como os "reis dos judeus", e os Cahen d'Anvers (também judeus) estavam ligados aos Ephrussi, os reis do trigo. Faziam parte da elite francesa ou supunham fazer parte dela, pois o ranço antissemita estava sempre pronto para mais um bote.
As duas meninas viveram no esplendor. Hoje esse mundo denomina-se proustiano, rico e refinado. Elisabeth casou-se duas vezes. Essa parte da história é conhecida e o quadro a ilustra.
Mas o tempo passou e, depois da invasão da França pela Alemanha, em 1940, o antissemitismo tornou-se uma política de Estado. A partir desse momento, o livro da jornalista inglesa Catherine Ostler difere das narrativas habituais, entrando nas trevas do século 20. Alice casou-se com um oficial inglês e foi viver em Londres, enquanto Elisabeth (a menina de azul) converteu-se ao catolicismo e ficou na França.
Em janeiro de 1944, Elisabeth tinha 69 anos e vivia reclusa, por receio e por causa de sua artrite. A guerra estava perdida para a Alemanha. O Exército Vermelho já havia entrado na Polônia e, em Londres, os Aliados planejavam a invasão da Normandia e o general americano Dwight D. Eisenhower havia sido colocado no comando do Dia D. Os Aliados haviam desembarcado na Itália. (O Vaticano pediu que não entrassem em Roma com soldados negros.) Em Paris, as porteiras dos judeus depenaram suas casas. Nesse período, no interior da França, uma patrulha chegou a uma casa: procuravam uma judia. A senhora não andava sem ajuda. Elisabeth Cahen d'Anvers foi presa e colocada num Citroën.
O prefeito do lugar era um antissemita extremado e neto de Eugène Schneider, um titã da indústria francesa, e as duas famílias já se haviam cruzado. Ele informou que a senhora havia sido judia até os 20 anos. A menina de Renoir foi para uma prisão próxima e de lá para um campo de trânsito. Dias depois, estava em Drancy, a antessala da morte.
No dia 27 de março de 1944, ela foi colocada num vagão com destino ao campo de extermínio de Auschwitz. No comboio foram cerca de 1.000 pessoas (só 152 sobreviveriam). A viagem durou 55 horas, e cada prisioneiro recebeu apenas um pedaço de pão.
Elisabeth, a menina de vestido azul, desapareceu.
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O caminho do quadro
A família Cahen d'Anvers vendeu o quadro e, em 1909, ele foi comprado por uma família alemã. Passou para as mãos de galeristas e do governo francês. Em 1939, estava na Argentina, como parte de uma exposição. Passou por vários museus americanos. Em 1951, ele estava em Nova York, na coleção do galerista Sam Salz.
Em setembro, com o provável aconselhamento de Pietro Maria Bardi, que organizava o Masp, Salz ofereceu o quadro ao jornalista Assis Chateaubriand, que o comprou por US$ 120 mil (cerca de US$ 1,5 milhão em valores atuais). Ao seu estilo, Chatô conseguiu quem pagasse, e nele há a informação de que foi doado pela Cidade de São Paulo. Em 1954, quando a tela chegou a São Paulo, uma neta de Alice (a menina de rosa) posou diante dela.
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