quinta-feira, 23 de julho de 2026

Para cada feminicídio, Brasil registra 500 ameaças, 182 agressões e 79 crimes de perseguição contra mulheres, FSP

 A definição de tentativa prevista no Código Penal considera que o crime não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do autor.

Em São Paulo, os registros de feminicídio cresceram 8,1% em 2025, atingindo o maior número da série histórica para esse tipo de crime iniciada em 2018. Foram 266 casos de mulheres assassinadas em razão do gênero, contra 246 em, segundo dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública).

Entre os casos de violência que chamaram atenção no ano passado está o de Tainara Souza Santos, 31, atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro em 29 de novembro.

Ela morreu em 24 de dezembro, no Hospital das Clínicas, após quase um mês internada. Douglas Alves da Silva foi preso sob suspeita de ser o autor do crime. O réu segue preso no interior de São Paulo.

Homicídios de mulheres em queda

Os feminicídios passaram a corresponder a 44,4% —1.571 de um total de 3.539— dos assassinatos de mulheres no país, também a maior proporção da série histórica.

A evolução dos casos ocorre em um cenário em que a violência letal contra mulheres apresenta movimentos diferentes. Enquanto os feminicídios avançaram, os homicídios de mulheres tiveram queda de 5,5% entre 2024 e 2025.

Em 2025, foram registrados 1.968 homicídios de mulheres que não foram classificados como feminicídio.

Conforme Brandão, a ampliação dos registros de feminicídio pode refletir, em parte, uma melhora na capacidade de identificar e enquadrar essa violência. Mas a continuidade do crescimento ao longo dos anos indica que o fenômeno não pode ser explicado apenas pela melhoria da notificação.

"Se a gente estivesse lidando apenas com uma melhoria do registro, a gente esperaria uma estabilização após alguns anos, mas infelizmente o que a gente tem observado é o crescimento contínuo ao longo do tempo", afirma.

Segundo o Anuário, os dois movimentos não são contraditórios: o que os dados mostram é um recuo seletivo da violência letal contra mulheres, com a redução das mortes não registradas como motivadas por razões de gênero.

Essa diferença ajuda a evidenciar que as mortes classificadas como feminicídio seguem uma dinâmica própria, geralmente relacionada à violência de gênero e aos vínculos entre vítima e agressor, conforme os especialistas.

Em 79,8% dos feminicídios registrados em 2025, o autor era parceiro ou ex-parceiro da vítima. O ambiente doméstico também aparece como um dos principais cenários desse tipo de crime: 62,5% dos casos ocorreram dentro de casa.

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