sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Pinheiros, em São Paulo, é um lugar hostil, FSP

  

São Paulo

Dois assaltos à mão armada aconteceram em cinco minutos na semana passada, em Pinheiros. O crime avança; os moradores têm medo. Cartazes colados em muros e postes da área avisam que lá é "o bairro mais perigoso de São Paulo". Hipérboles descontadas, Pinheiros se tornou um lugar hostil.

Para mim, particularmente, não é a alta da criminalidade que assusta. Vivi as décadas de 1980 e 90, lembro-me de como elas eram mais violentas do que os tempos de agora.

Sanduíche com fatias de carne e cebolas refogadas dentro de pão ciabatta levemente tostado, servido em prato azul.
Receita de sanduíche com a carne fatiada e cebola - Marcos Nogueira/Folhapress

O que me repele de Pinheiros é o perfil dos bares, restaurantes e seus frequentadores. Algo que mudou radicalmente nos últimos 40 anos, que está relacionado às intervenções urbanas feitas nesse tempo —e que contribui para atrair os criminosos que lá agem.

Pinheiros tornou-se lugar de hipsters, suas cafeterias e lojas de coisas de hipster. Lugar de Airbnb e de hostels cheios de gringos e turistas afins. Lugar de restaurantes hypados e superfaturados.

Nenhuma parte do bairro mudou tanto quanto o quadrilátero entre a marginal e a Faria Lima, entre o largo da Batata e a igreja da Cruz Torta. É o pedacinho que foi batizado de Baixo Pinheiros.

No início dos anos 1990, ali era uma zona residencial com casinhas e comércio miúdo, quase de interior. Minha patota se embrenhava pelas ruelas da várzea para frequentar um certo bar do Seu Armando, que não deixou rastros no mundo virtual.

Era uma casa antiga, de esquina, com bancos de madeira e paredes pintadas com cenas da vida rural. Servia, para bandos de pós-adolescentes que extrapolavam a calçada, cerveja mezzo fria, batidas adocicadas e um sanduíche de picanha que é a remota inspiração da receita que acompanha este texto.

Algumas partes do Baixo Pinheiros, com ambulantes de bebida, som alto de muitas procedências, fumaça e uma multidão juvenil, lembram destinos turísticos de que gosto de manter distância. É muito maior, mas na essência não tão diferente da muvuca do bar do Seu Armando. Talvez eu tenha mudado mais do que Pinheiros, que não é mais lugar para mim. Envelhecer é assim e só acaba quando não há mais lugar na terra para você.

Churrasquinho à Seu Armando

Rendimento: 1 sanduíche
Dificuldade: fácil
Tempo de preparo: 10 a 20 minutos

Ingredientes

  • 150 g de filé-mignon, picanha ou outra carne de grelhar
  • 1 colher (sopa) de óleo vegetal
  • ½ cebola em fatias grossas
  • 2 colheres (sopa) de saquê culinário
  • 2 colheres (sopa) de molho inglês
  • 1 pão francês ou ciabatta
  • 2 fatias de queijo muçarela ou minas padrão
  • Sal de parrilla e pimenta-do-reino

Preparo

  • Aqueça uma chapa ou frigideira de ferro em fogo alto por 5 minutos. Besunte a carne com o óleo
  • Grelhe a carne no ponto desejado. Reserve.
  • Reduza o fogo e grelhe a cebola. Junte o saquê e o molho inglês, que vão evaporar. Retire quando estiver macia e reserve
  • Corte o pão ao meio, coloque o queijo em uma das fatias e derreta na air fryer
  • Fatie a carne e tempere com sal e pimenta. Monte o sanduíche com a carne fatiada e a cebola

STF deveria fugir até do logotipo do Master, Hélio Schwartsman- FSP

 O caso Master virou uma batata quente para o STF. O melhor caminho para a corte se livrar da encrenca seria devolver o inquérito para a primeira instância.

O motivo pelo qual a investigação tramita no Supremo é, afinal, fragilíssimo: o material apreendido pela Polícia Federal traz documentos relativos a um negócio imobiliário jamais concluído em que o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) figura como parte. Não há, por ora, sinais de que o parlamentar esteja envolvido em malfeitorias e, se no futuro descobrirmos que está, seria viável desmembrar o processo e remeter ao STF só as acusações atinentes ao deputado.

Fachada de vidro de agência do Banco Master com logo azul e branco e nome em letras metálicas fixadas na parede externa.
Detalhe da fachada da sede do Banco Master, localizada na Rua Elvira Ferraz, no bairro da Vila Olímpia, zona sul de São Paulo - Rafaela Araújo/Folhapress

Cada dia a mais que o inquérito do Banco Master permanece no Supremo, maior é o prejuízo político para a corte. A razão principal para isso é que pelo menos dois ministros precisariam, por qualquer critério de bom senso, fugir até do reflexo do logotipo do banco.

O primeiro é Dias Toffoli. Antes de assumir a relatoria do caso, ele viajou a Lima de carona no jatinho de um empresário para assistir a uma partida de futebol. Acompanhou-o o advogado de um dos diretores do Master. Descobriu-se depois que parentes do ministro estiveram associados ao banco num empreendimento hoteleiro. Decisões extravagantes que Toffoli tomou neste caso não o ajudam a afastar suspeitas.

O outro é Alexandre de Moraes. O escritório de advocacia de sua família manteve com o Master um contrato pelo qual receberia astronômicos R$ 3,6 milhões mensais para defender interesses do banco.

Declarar-se suspeito para julgar um caso é com frequência um instrumento de proteção do magistrado. É que existem situações em que não existe possibilidade de o juiz tomar qualquer decisão sem sofrer enorme desgaste pessoal. O melhor a fazer aí é nem julgar.

O Judiciário brasileiro é ruim. É lento, ineficaz e pouco coerente. Se levarmos em conta o fator preço —1,43% do PIB--, é sério candidato ao posto de pior do mundo. Se o STF insistir em ficar com o Master e todo o passivo que vem com ele, poderá quebrar esse já superlativo recorde.


Delegada de SP é presa sob suspeita de ligação com o PCC, FSP

 Tulio Kruse

São Paulo

Uma delegada recém-empossada foi presa na manhã desta sexta-feira (16) sob suspeita de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). A detenção foi feita durante operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Corregedoria-Geral.

Mulher de cabelos escuros e lisos, vestindo vestido justo bege, tira selfie com celular prateado em ambiente interno. Ao fundo, sofá amarelo, parede rosa e espelho decorativo com moldura dourada.
Delegada Layla Lima Ayub, presa sob suspeita de ligação com membros do PCC - Reprodução/Layla Ayub no Instagram

Layla Lima Ayub mantinha vínculo pessoal e profissional com membros da facção criminosa, tendo, inclusive, atuado irregularmente como advogada, em audiência de custódia, para presos integrantes do PCC, mesmo após ter tomado posse no cargo de delegada de polícia, segundo investigação da Promotoria.

Ela havia sido empossada em dezembro de 2025, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista, com a presença do governador Tarcíso de Freitas. Na ocasião, 524 novos delegados foram nomeados.

A delegada foi presa em São Paulo e levada para a Corregedoria da Polícia Civil. De acordo com a investigação, ela namora um suspeito de integrar o PCC.

A reportagem tenta contato com a defesa dela. Procurada na manhã desta sexta, a Secretaria da Segurança Pública não havia se manifestado até a publicação deste texto.

Em suas redes sociais, Layla diz que já atuou como policial militar no Espírito Santos e como consultora jurídica. Como havia sido nomeada em dezembro, ela ainda fazia o curso de fomação de delegados —que tem duração de seis meses.

A operação também cumpre sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e de Marabá (PA), expedidos pela 2ª Vara Especializada de Crime Organizado da Capital. Um dos locais foi a Academia da Polícia Civil, na capital paulista.

Há, ainda, um mandado de prisão temporária contra um integrante do PCC que estava em liberdade condicional.

"Além da economia formal, o crime organizado tem também se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de Estado. Mas em São Paulo, graças aos setores de inteligência, isso tem sido coibido", disse o Procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Oliveira e Costa, em nota.