segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Doria diz que estatal chinesa tem interesse em despoluir o Pinheiros, OESP

Pedro Venceslau, enviado especial a Pequim
05 de agosto de 2019 | 11h38
PEQUIM - Em busca de investidores para patrocinar o projeto de despoluiçãodo Rio Pinheiros, o governador de São PauloJoão Doria, (PSDB) disse nesta segunda-feira, 5, em Pequim, que a estatal chinesa China Railway Construction Corporate mostrou "claro e vivo interesse" em aportar recursos na iniciativa em troca de explorar o transporte de cargas e passageiros no rio, além de entretenimento nas margens. 

João Doria em Pequim
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), reuniu-se em Pequim com executivos da estatal chinesa China Railway Construction Corporate Foto: Governo de São Paulo

O governador visitou a empresa com os presidentes da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Benedito Braga, e da InvestSP, Wilson Mello. 
A comitiva também visitou a Beigin Water Enterprise Group, estatal responsável pelo saneamento na capital chinesa, e firmou uma parceria de intercâmbio de técnicos. 
O governador prometeu durante a campanha que iria despoluir o Rio Pinheiros até 2022 e o Tietê em dez anos.
O projeto Novo Rio Pinheiros está sendo tratado como uma das maiores de Doria para apresentar na eleição de 2022, quando o tucano planeja disputar o Palácio do Planalto.  O modelo de parceria, porém, ainda não foi definido. 
Ao lado de Doria, o presidente da Sabesp, Benedito Braga, disse que já abriu licitação para tirar esgoto dos afluentes do Pinheiros. 

Desassoreamento do Rio Pinheiros
O plano anunciado por Doria mantém uma ação já adotada no Rio Pinheiros, mas em intensidade maior Foto: Felipe Rau/Estadão

Questionado sobre o projeto de despoluição do Rio Tietê, uma promessa de campanha não cumprida pelo ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), Braga disse que não há um prazo definido.
"Vamos melhorar o Tietê também, mas não dá para dar um prazo. Mas vai ser em menos de 20 anos", afirmou. 
Doria viajou à China com uma comitiva de cinco secretários, quatro presidentes de autarquias e 30 empresários. 
Na sexta-feira, 9, o governador vai inaugurar em Xangai um escritório na China para promoção de investimentos em São Paulo.
"A Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) sofreu em sete meses duas alterações de direção. Isso cria instabilidade em uma agência de promoção internacional. Inspirado nisso, criamos um novo modelo  (na InvestSP) com mais autonomia política e financeira"
Quando perguntado sobre os resultados concretos da última viagem à China como prefeito, em 2017, Doria afirmou que a aquisição da startup brasileira 99 pela chinesa Didi Chuxing foi "fruto" daquela viagem.

Aguapé remove poluentes pesados da água e ainda tem múltiplas utilidades 26 de janeiro de 2017 Liana John


As folhas são suculentas, de um verde vivo, e as flores oscilam entre diversos tons de azul, anil e violeta, com uma pincelada de amarelo no meio. Totalmente flutuante, o aguapé (Eichhornia crassipes) alcança um metro de altura, do topo dos talos, acima d’água, às pontinhas das raízes que se estendem abaixo da superfície. Eventualmente é considerada uma espécie-praga, quando se alastra sem controle, tomando a superfície de reservatórios de hidrelétricas ou de abastecimento. Ou mesmo quando chega a impedir a navegação em corixos e lagos do Pantanal.
Apesar dessa fama, o fato é que o aguapé também ganhou notoriedade como faxineiro das águas, capaz de remover poluentes orgânicos. Em geral, a espécie prolifera de maneira exagerada em águas excessivamente ricas em matéria orgânica. Porém, quando instalada em sistemas controlados de tratamento natural de efluentes, sem químicos, essa planta aquática é um excelente agente de limpeza.
Ocorre que os prosaicos aguapés se provaram aliados das águas cristalinas também quando a fonte de poluição é pesada e os efluentes se encontram contaminados com detergentesfenóis ou metais pesados(chumbo, cádmio, cromo). E ainda têm outras serventias depois de completar a faxina, transformados em adubo (após a compostagem), ração animal e matéria prima para a indústria de papel e celulose ou para a produção de artesanato.
Em seu mestrado de Engenharia Agrícola na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Juliana Bortoli Rodrigues Mees comprovou a eficácia do aguapé em remover poluentes orgânicos de efluentes de matadouros e frigoríficos. Além de reduzir a carga de matéria orgânica dissolvida na água e diminuir a turbidez, a planta aquática chegou a absorver 77% dos nutrientes associados à eutrofização, como nitrogênio, nitrogênio amoniacal e fósforo.
A eutrofização, vale lembrar, é um processo de “sufocamento” de um corpo d’água relacionado à poluição orgânica causada por esgotos domésticos, efluentes agroindustriais ou excesso de fertilizantes lavados pelas chuvas. Devido ao acúmulo de nutrientes na água, ocorre a multiplicação repentina de algas, que passam a impedir a penetração dos raios solares. Há, então, uma redução drástica da quantidade de oxigênio dissolvido (anóxia) com a consequente mortandade de microrganismos, invertebrados aquáticos e peixes.
No caso dos efluentes de matadouros e frigoríficos, os efluentes contém resíduos de sangue, carne, gordura e vísceras. A pesquisadora fez medições durante 11 meses em um tanque com aguapés de 870 metros quadrados e depois ainda avaliou quatro tipos de compostagem para saber qual o melhor tratamento para os aguapés retirados do sistema. Além de eficaz, o uso de aguapés também tem custo reduzido em relação aos tratamentos convencionais.
Outros estudos demonstraram o potencial do aguapé para limpar efluentes de laticínios e abatedouros de aves. Em seu mestrado em Ecologia Aquática na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Cátia Viviane Gonçalves ainda atestou a viabilidade de remover o metal pesado cromo dos efluentes da indústria de couro em um período mínimo de 5 dias num tanque com aguapés.
No experimento, a acidez da água foi monitorada diariamente pela pesquisadora. Segundo ela, o pH se manteve entre 6 e 7,2, caracterizando um ambiente ideal para o desenvolvimento da planta aquática, mas inviável para a redução do cromo hexavalente (industrial)  para o cromo trivalente (de ocorrência natural). Ou seja: o cromo industrial poluente foi mesmo absorvido e acumulado pelo aguapé e não houve redução por atividade microbiana. A conclusão é condizente com análises de amostras de tecido da planta, onde a concentração de cromo aumentou ao longo do tempo.
Resta dizer que o aguapé se alastra de forma vegetativa, lançando novos talos nos quais crescem raízes e folhas. Assim, uma planta de aguapé pode se duplicar em duas semanas. Em um corpo d’água rico em matéria orgânica, a produtividade média chega a uma tonelada de biomassa por hectare por dia! Essa tonelada de aguapés, se processada em biodigestores, gera 30 metros cúbicos de biogás, passíveis de serem transformados em 300 litros de metanol.
Haja utilidade para um modesto aguapezinho!
Foto: Liana John

Aguapés podem tornar-se alimento para suínos e ovinos, OESP

O Estado de S.Paulo
18 de julho de 2007 | 05h13

O Instituto de Zootecnia (IZ) vai ajudar a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) a dar um destino adequado para as cerca de 120 toneladas diárias de matéria vegetal - aguapé e outras gramíneas - que prolifera nas águas das represas hidrelétricas da companhia e dificultam os trabalhos de geração de energia. O objetivo é utilizar estas plantas aquáticas na alimentação de suínos em fase de crescimento e de ruminantes.De acordo com os pesquisadores do IZ, destinar as plantas aquáticas para a alimentação de suínos e ovinos pode abrir uma possibilidade de destino do material colhido, preservando o ambiente, apresentando novas alternativas e disponibilizando tecnologias à real demanda do produtor rural. "Faremos uma análise bromatológica e ensaios de digestibilidade para saber quanto os suínos conseguem aproveitar deste material", explica o zootecnista Fábio Henrique Lemos Budiño, um dos responsáveis pelas pesquisas com suínos.O outro projeto é voltado para a produção de feno à base de plantas aquáticas para a ovinocultura. De acordo com os zootecnistas Josiane Aparecida de Lima e Eduardo Antonio da Cunha, a alimentação é uma das principais preocupações dos criadores. O alimento volumoso representa elevado custo. As pastagens, destacam os pesquisadores, necessitam de critérios como correção da acidez do solo, fertilização, manejo efetivo e adequado à criação de ovinos. E, ainda, há épocas do ano em que o crescimento e produção de pastagens são limitados em qualidade e quantidade. "Nessas circunstâncias os produtores têm que produzir ou adquirir comercialmente volumoso conservado - silagem ou feno -, demandando mais gastos financeiros", explicam.A proposta elaborada poderá oferecer uma alternativa vantajosa não somente para os ovinocultores, mas também para outros segmentos da pecuária, como bovinos e caprinos, que poderão ter nas plantas aquáticas um componente barato para alimentação do rebanho.Após as pesquisas, o IZ fornecerá um relatório com os resultados e conclusões sobre a viabilidade de uso das plantas aquáticas na alimentação dos animais.