quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Brasil precisará dobrar produtividade da cana para atender nova era do etanol - EIXOS

 O consumo de etanol no Brasil pode mais do que dobrar até 2040, em meio a uma demanda aquecida em setores que vão além dos veículos leves, projeta um estudo publicado nesta terça (4/11).

 
Elaborado pela LCA Consultores por encomenda do Instituto MBCBrasil, o relatório (.pdf) aponta que o etanol servirá como insumo para combustível sustentável de aviação (SAF, em inglês), além de abastecer navios, caminhões off-road e máquinas agrícolas. 
 
O que fará a demanda atual, calculada em 33,6 bilhões de litros, saltar para 72,5 bilhões de litros em 2040, em um cenário base de substituição de combustíveis fósseis, podendo alcançar 81,3 bilhões de litros no mesmo período, no cenário alternativo.
 
Neste último, o estudo considera maior participação do biocombustível na navegação, no lugar do metanol.
 
A transição dos transportes aéreo e marítimo, onde a eletrificação ainda é inviável, é nova fronteira de biocombustíveis brasileiros, como etanol e biodiesel, para ampliar sua demanda, hoje atrelada ao modal rodoviário.
 
Uma agenda abraçada pelo governo Lula (PT), que levará à COP30, em Belém (PA), a proposta de um compromisso para quadruplicar produção e consumo de combustíveis sustentáveis até 2035 — incluindo também os derivados de hidrogênio.
 
Mas suprir esta demanda será desafiador. De acordo com o relatório do MBCBrasil, no caso do etanol, será necessário investir em inovações para dobrar a produtividade da cana de açúcar no período. E sem desmatar.
 
Mesmo com um crescimento exponencial na produção a partir do milho, a estimativa, para o cenário base, é que a oferta total do biocombustível (cana + milho) alcançará 58,3 bilhões de litros em 2040.
 
Já no cenário alternativo, considerando o dobro de etanol de primeira geração de cana, e o de milho alcançando 25 bilhões de litros, a oferta pode chegar a 79,6 bilhões de litros no período.

Calixcoca: vacina brasileira contra dependência de crack e cocaína está prestes a iniciar testes em humanos, SInal News

 A vacina Calixcoca, desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), está prestes a iniciar a fase de testes clínicos em humanos, marcando um momento decisivo no combate à dependência de crack e cocaína no Brasil. Tanto o crack quanto a cocaína (em pó) são substâncias de altíssimo potencial de dependência, atuando como fortes estimulantes do sistema nervoso central e interferindo no sistema de recompensa do cérebro.

A Calixcoca é um tratamento terapêutico que impede a sensação de euforia causada pela droga, estimulando o corpo a produzir anticorpos que se ligam às moléculas de cocaína no sangue. Isso impede que a droga atinja o cérebro, interrompendo o ciclo da compulsão e evitando recaídas.

O Ministério da Educação confirmou que o projeto está em etapa final de preparação de documentos para dar início aos ensaios clínicos em pessoas. O Governo de Minas Gerais destinou cerca de R$ 18,8 milhões para financiar esta nova fase de testes. A tecnologia já possui patente nacional e internacional concedida, o que protege a inovação brasileira.

Testes em animais mostraram que a vacina é segura e eficaz na produção de anticorpos em camundongos, além de proteger filhotes de ratas prenhas expostas à droga. A previsão é que a vacina esteja disponível na rede pública de saúde em cerca de 4 anos, após a aprovação regulatória pela Anvisa.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Hélio Schwartsman - Ciência não é natural em humanos, FSP

 A polilaminina funciona? Talvez. O mecanismo de ação da droga tem plausibilidade biológica e ela conta com evidências anedóticas animadoras. A verdade, porém, é que nós ainda não sabemos se o polímero é capaz de devolver os movimentos a pacientes que sofreram lesão medular completa.

Piaget descreveu crianças como "pequenos cientistas", mas a imagem tem um problema de base. Seres humanos, crianças e adultos não costumam pensar como cientistas. Há poucos modos de raciocinar mais contraintuitivos do que o método científico. Em estado natural, a maioria das pessoas não pensa cientificamente, mas se deixa levar por suas preferências pessoais e lealdades tribais temperadas pelo viés de confirmação e outras armadilhas cognitivas.

Mão com luva branca segura frasco pequeno de medicamento Lamínina 100 mcg/mL, solução injetável de 0,5 mL para administração intramedular.
Frasco de laminina no laboratório Cristália, mantenedor das pesquisas com polilaminina - Eduardo Knapp - 11.nov.2025/Folhapress

Os próprios cientistas não escapam a essas vulnerabilidades psicológicas, de modo que há quem afirme que o saber é uma empreitada social, que só se materializa dentro de arquiteturas que coloquem grupos rivais para tentar destruir as teorias uns dos outros. Não é preciso se afastar da medicina para perceber a escala do problema. Durante milênios, do antigo Egito ao Ocidente oitocentista, médicos submeteram seus pacientes a sangrias, que, sabemos hoje, com frequência os matavam. E os médicos envolvidos, presos a suas teorias favoritas, eram incapazes de ver isso.

Foi só depois que a estatística chegou para socorrer a medicina de seus pontos cegos e produziu dados demonstrando que as sangrias mais matavam do que curavam que os médicos relutantemente as abandonaram.

O único jeito de saber se a polilaminina funciona é testá-la num número suficientemente grande de pacientes e compará-los a um grupo controle. Idealmente, o grupo controle deveria receber placebo. Nem médicos nem pacientes deveriam saber quem está em qual grupo. Os desfechos primários e secundários devem ser previamente descritos. Não são, evidentemente, coisas em que uma criança (ou um adulto sem treinamento específico) pensaria. Mas, sem isso, simplesmente não sabemos se uma droga funciona.