quinta-feira, 9 de março de 2023

Como países mudaram seu orçamento de defesa em 2023?, Sputnik Brasil

 Em particular, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o orçamento militar que prevê gastos militares para 2023 em uma quantia recorde de US$ 858 bilhões (R$ 4,4 trilhões). A China, com gastos previstos de US$ 225 bilhões (R$ 1,2 trilhão), segue em segundo lugar.

Veja no infográfico da Sputnik como mudou o orçamento de defesa em outros países para o ano atual.

Cracolândia, no Centro de SP, vira bairro no Google Maps, g1

 Por Deslange Paiva, g1 SP — São Paulo

 


Região da Cracolândia marcada no Google Maps. — Foto: Reprodução

Região da Cracolândia marcada no Google Maps. — Foto: Reprodução

A região da Cracolândia, no Centro de São Paulo, foi delimitada como bairro na plataforma Google Maps. O g1 notou a mudança no sábado (4).

A demarcação considerou a área entre a Rua Helvétia, a Alameda Barão de Piracicaba e o Largo Coração de Jesus. Após ações do governo e a Prefeitura de São Paulo, os usuários se espalharam por diversos pontos no Centro, mas ainda se concentram nas ruas que foram marcadas pela plataforma.

A reportagem questionou a empresa sobre o motivo da delimitação e, em nota, o Google disse que "o objetivo do Google Maps é fornecer informações precisas e úteis ​​sobre lugares ao redor do mundo. Consultamos uma variedade de fontes ​​para determinar o nome de um lugar ou um recurso na plataforma. A contribuição dos usuários ajuda as pessoas a basear suas decisões sobre onde ir e o que fazer num mundo em constante mudança".

Nesta segunda (6), após contato da reportagem, a marcação da Cracolândia como bairro sumiu da plataforma.

Quando questionada se foi retirada, a empresa informou que "quando há imprecisões, nós trabalhamos para removê-las o mais rápido possível. Além disso, trabalhamos continuamente para identificar e remover conteúdos que violam nossas políticas e incentivamos as pessoas a denunciarem esses conteúdos, para que possamos revisar e agir quando necessário.”

Cracolândia espalhada

Pertences de usuários de drogas na Rua Helvétia após ação da polícia nesta terça-feira (14) na região da Cracolândia, no Centro de São Paulo.  — Foto: ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO

Pertences de usuários de drogas na Rua Helvétia após ação da polícia nesta terça-feira (14) na região da Cracolândia, no Centro de São Paulo. — Foto: ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO

Em 2022 a prefeitura e o governo do estado realizaram diversas ações para tentar combater o tráfico de drogas da região.

As medidas, entretanto, não impediram a venda e o consumo no local, apenas fizeram com que os usuários se espalhassem pelo Centro.

Donos de hotéis do bairro chegaram a enviar pedidos de ajuda à Secretaria do Turismo por causa dos prejuízos acumulados por conta das ações de dispersão.

No ano passado, mais de 100 hotéis registraram queda nas reservas. A área é procurada principalmente por dois tipos de turistas: os que vão para as compras em regiões como a 25 de Março e o Brás, e os que participam de eventos corporativos.

De acordo com a Associação da Indústria de Hotéis, por medo, as pessoas estão preferindo se hospedar em áreas mais distantes.


Restaurante eslavo em SP une culturas da Rússia e da Ucrânia contra a guerra, OESP

 

Uma casa vermelha de dois andares no bairro da Aclimação, na região central de São Paulo, reúne a relação secular entre russos e ucranianos através da culinária e da língua. Nela, estão localizados o restaurante russo Barskiy Dom e o Clube Eslavo, uma escola que dá aulas de ucraniano, russo e polonês. Os dois foram fundados por Snizhana Maznova, uma ucraniana de 45 anos nascida na última geração da União Soviética, filha de pai russo e mãe ucraniana, com uma biografia que personifica as histórias entrelaçadas das duas nações hoje em guerra.

No cardápio do restaurante, os pratos tradicionais russos – como o estrogonofe, apropriado pelos brasileiros em receitas mais temperadas – se misturam com os pratos ucranianos – a exemplo do varêniki, uma massa cozida e recheada que também se tornou popular no Brasil – e outros de influência de países vizinhos, como Uzbequistão e Coreia.

Um bom ponto de partida para experimentar a diversidade eslava são os golubtsi, charutos de repolho recheados com arroz e carne preparados no forno durante horas, acompanhados das panquecas de batata belarussas conhecidas como drániki. Para beber, o restaurante oferece kompot de maçã, uma bebida leve e suave feita com a fruta cozida, e kvas, que tem um gosto amargo e se caracteriza pela fermentação.

Imagem mostra ucraniana Snizhana Maznova, fundadora de Clube Eslavo e restaurante russo em São Paulo
Imagem mostra ucraniana Snizhana Maznova, fundadora de Clube Eslavo e restaurante russo em São Paulo Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Nascida em 1978, Snizhana cresceu dividida entre a Rússia, onde morou com os avós até os seis anos, e a Ucrânia, onde os pais moravam, quando ambos os países faziam parte da URSS. Na infância, falava russo e não via distinção entre as duas nações, mas aos seis anos foi estudar em uma escola comandada por ucranianos e teve um choque ao descobrir a existência de uma identidade que a diferenciada dos russos. “Uma professora começou a apresentar muitos poetas que não estavam nos livros da escola, criados todos pela União Soviética”, conta.

Quando a URSS caiu em 1991 outro mundo se revelou e ela passou a saber da existência de poetas ucranianos que tinham sido mortos, levados para a Sibéria e apagados da história oficial. Mesmo os poetas que a professora havia apresentado tinham segredos agora descobertos. “Eu tinha mais dois anos de escola quando a União Soviética caiu. Essa professora começou a acrescentar coisas que eram proibidas antes, como poemas ucranianos que falavam da história de um povo massacrado e escravizado pelos russos”, continua.

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Uma volta ao mundo que acabou no Brasil

Nesta mesma época, a Ucrânia vivia uma década dura, colapsada pelo fim da URSS e com a missão de se reconstruir como um país independente, após séculos de dominação do Império Russo e soviético. “Nessa época não tinha salário. Vivíamos de batata e chá”, diz a ucraniana. Por isso, decidiu trabalhar no Japão, onde casou-se com um brasileiro e decidiu vir para o Brasil. Pouco tempo depois, foi abandonada com um filho recém-nascido pelo marido.

Em São Paulo desde 2008, Snizhana começou a dar aulas de russo, uma língua que dominava melhor que o ucraniano por ter sido o idioma oficial de onde cresceu, para sobreviver financeiramente. Escolheu se instalar no bairro Paraíso porque percebeu que era o local mais acessível pelas linhas de metrô da cidade. Aos poucos reuniu alunos, aprendeu português e se estabeleceu. Acompanhava as notícias sobre a Ucrânia à distância e ouvia ainda no início da década passada alguns políticos russos afirmarem que o país pertencia à Rússia. Julgava bobagem, uma loucura que ninguém levava a sério, até a Crimeia ser invadida em 2014.

Quase dez anos depois da invasão da Crimeia, a ucraniana lembra a sensação ao ver as notícias. “Foi uma coisa super louca porque era inacreditável. Você pode imaginar Portugal chegar ao Brasil e falar que um Estado pertence a eles porque historicamente eles foram colônias portuguesas?”, relembra. Desde então, os conflitos na Ucrânia nunca foram interrompidos. O país viveu uma guerra no leste entre o exército ucraniano e grupos separatistas pró-Rússia; pouco a pouco, a aspiração do presidente Vladimir Putin sobre o vizinho cresceu, a relação entre os dois países se deteriorou e a guerra eclodiu.