quinta-feira, 19 de junho de 2014

Precisa ficar rico? - CARLOS ALBERTO SARDENBERG


O GLOBO - 19/06

Embora seja o quarto mercado em tamanho, o carro brasileiro vai lá para trás quando de trata de produto competitivo


As vendas de automóveis caíram neste ano. Ainda assim, o Brasil disputa com a Alemanha a posição de quarto mercado mundial de veículos. China (20 milhões/ano) e EUA (15 milhões) estão lá na frente. Depois vem o Japão, com produção superior a seis milhões e, pronto, logo chega o Brasil, na casa de 3,8 milhões de unidades produzidas e consumidas em 2013. Alemanha e Índia estão logo ali, na cola, mas reparem: aqui se produzem muito mais carros do que na Inglaterra, França, Itália e Coreia do Sul.

Em economia, tamanho é documento. E isso explica por que as grandes montadoras globais estão todas aqui. Os executivos sempre reclamam da dificuldade para se fazer negócio no país, queixam-se das normas tributárias, trabalhistas e ambientais, estão sempre pedindo (e conseguindo) ajuda do governo. E continuam investindo. Não podem ficar de fora de um mercado que é quase 5% do global.

Isso vale para os demais setores. Por exemplo: celulares. Chegamos aqui aos 280 milhões de linhas, de novo entre os cinco maiores mercados do mundo. Computadores? Terceiro ou quarto. Cerveja? Ali entre os cinco primeiros.

Muita gente acha que assim já está mais que bom. O Brasil é grandão, coloca-se entre as dez maiores economias do planeta, grande mercado interno, o pessoal tem que vir aqui para produzir e vender, certo?

Errado.

Na verdade, é um atraso pensar assim. Pode-se produzir aqui uma carroça ou um carrão, um modelo velho ou uma inovação gerada localmente. Pode-se ainda ficar limitado ao mercado local ou ganhar o mundo. E o Brasil está se isolando.

Há alguns anos, as empresas chinesas, estatais e privadas, colocaram-se um desafio: tornarem-se globais. Ora, não haverá maior mercado interno que o chinês, já grande e com enorme capacidade de expansão. Ou, perguntando de outro modo: se eles já dispõem lá de um mercado próximo dos 20 milhões de carros, por que querem disputar um pedaço dos nossos 3,8 milhões?

Porque não há progresso sem globalização — ou internacionalização, se não gostarem da outra palavra.

A demanda traz a oferta, o mercado traz o produto. Mas a qualidade da oferta, a boa qualidade, depende de uma economia aberta, exportadora e importadora, com um ambiente favorável aos negócios privados. Não custa repetir: o que gera riqueza não é o governo, mas o investimento privado.

Ou seja, embora seja o quarto mercado em tamanho, o carro brasileiro vai lá para trás quando de trata de produto competitivo. Além do Brasil, só se vende carro brasileiro na Argentina, cuja indústria, além de menor, é até mais atrasada.

Mas por que estamos falando disso? Porque a gente deveria buscar “padrão Fifa” para tudo, de estádios a automóveis e celulares. Quando se diz que já está bom o “padrão Brasil”, que não tem nada de mais oferecer aos torcedores um aeroporto ou metrô lotado e fazê-los caminhar uns poucos quilômetros — isso é conformar-se com a segunda classe.

O que queremos? Ser um país rico, uma sociedade afluente, ou está bom do que jeito que está?

Dizem que isso é reclamação da elite. Ao mesmo tempo, a presidente Dilma diz que um dos grandes avanços do país, um sinal de progresso, é a presença das classes C e D nos voos nacionais e internacionais.

Ora, por que esse pessoal, que trabalha pesado, não merece ou precisa de aeroportos classe A? Quando se diz que não precisamos de “padrão Fifa”, é como dizer: caramba, essa gente já escapou das rodoviárias e já está nos aeroportos. O que querem mais?

Ou ainda: já estão de carro, o que querem, uma Mercedes?

E mais: já têm celular, o que queriam — que a linha não caísse nunca?

O problema não é o aeroporto parecer uma rodoviária. O problema é que as rodoviárias não servem corretamente à população.

Dizer que o atual padrão brasileiro é o suficiente equivale a reconhecer a incapacidade de produzir um país rico. Ora, por que não podemos querer mais?

Ajuda

Parece que a indústria automobilística vai levar mais uma ajuda do governo. Parece também que o governo não vai colocar nenhuma condição séria em troca. O que seria condição séria? Por exemplo: produzir carros que sejam competitivos nos EUA e na Europa.

Impossível nas condições atuais do ambiente de negócios?

Impossível.

Mas as condições podem ser mudadas, não podem?

Anistia é da alçada do STF, diz presidente do STM (pauta)


Primeira mulher a assumir o Superior Tribunal Militar quer digitalizar os arquivos.

A ministra Maria Elizabeth Rocha, que assumiu, ontem, a presidência do Superior Tribunal Militar (STM), afirmou que cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) decidir sobre a aplicação da Lei da Anistia sobre pessoas que cometeram crimes durante o regime militar, entre 1964 e 1985.
"Se o STF for instado a se manifestar no caso Gomes Lund, poderemos ser chamados a exercer a nossa jurisdição. Mas tudo isso está nas mãos do STF. Ele é que decidirá", disse Maria Elizabeth, a primeira mulher a comandar a Justiça Militar. A ministra se referiu ao caso em que a Corte Interamericana de Direitos Humanos, com sede em San José, na Costa Rica, condenou o Estado brasileiro pelo desaparecimento de 62 pessoas, incluindo Guilherme Gomes Lund, militante que participou da Guerrilha do Araguaia, em 1973. Em 2010, o STF negou uma ação em que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu a responsabilização de agentes de Estado por crimes cometidos durante a ditadura, como mortes e torturas. Após esse julgamento, a Corte Interamericana responsabilizou o Estado brasileiro por desaparecimentos e mortes. Em seguida, a OAB recorreu ao próprio STF. Mas esse recurso ainda não foi julgado. Na avaliação da nova presidente do STM, é preciso esperar por um novo posicionamento do Supremo.
A ministra afirmou ainda que houve a tentativa de julgar a presidente Dilma Rousseff por duas vezes pelo mesmo crime e coube ao STM negar o pedido. "No caso de Dilma, tentou-se julgar a presidente duas vezes e sancioná-la pelo mesmo crime e foi essa Corte que disse que havia litispendência [repetição do pedido] e ela não poderia ser julgada", explicou Maria Elizabeth, referindo-se ao processo contra Dilma na década de 1970, quando ela foi presa por envolvimento com organizações de oposição ao regime militar. A ministra disse que o STM não foi um tribunal de condenações de civis durante o regime militar. Segundo ela, o tribunal militar "deu a primeira liminar em habeas corpus" contra presos pelo regime.
Maria Elizabeth substitui o mandato do ministro Raymundo Cerqueira, que se aposentou. Indicada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2007, para o STM, ela deve permanecer na presidência até março de 2015. Antes da indicação, a ministra trabalhou na Casa Civil da Presidência da República durante a gestão de José Dirceu.
A principal meta da presidente do STM é digitalizar os arquivos do tribunal. Maria Elizabeth acredita que os processos na Corte, que tem 206 anos, podem auxiliar pesquisadores e historiadores e, portanto, devem ser disponibilizados de maneira acessível ao público.
A ministra também quer que a Justiça Militar tenha um integrante no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo ela, essa ausência foi "um esquecimento imperdoável", já que a Justiça Militar deve cumprir as determinações do CNJ.
A presidente do STM defendeu a não discriminação de homossexuais nas Forças Armadas. "Essa é uma luta que eu tenho empreendido desde que tomei posse nesse tribunal. Nós, no STM, muito antes de o Supremo ter prolatado a importante decisão sobre união homoafetiva, já tínhamos julgado um caso de uma companheira que queria ser beneficiada por plano de saúde", continuou. Segundo Maria Elizabeth, não há lei que impeça homossexuais nas Forças Armadas. "Mas há preconceitos que todos nós sabemos. Eu defendo a igualdade. Todos nós, cidadãos brasileiros, temos um compromisso com a pátria. E ninguém pode ser segregado. O Estado não pode promover o discurso do ódio."

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Nota sobre coluna de Míriam Leitão, do Instituto Lula

Nota sobre coluna de Míriam Leitão

Infográfico: Ilustre Bob
Nesta terça-feira (17), a jornalista Míriam Leitão da TV Globo, do jornal O Globo, da Globonews, da CBN e do portal G1 escreveu em sua coluna que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria, em sua fala de sexta-feira (13), reduzido a importância da educação e do estudo. É importante esclarecer que isso não é verdade e que a jornalista deturpou a fala do ex-presidente com uma interpretação incorreta. A frase de Lula foi: “comeram demais, estudaram demais e perderam a educação”, claramente dizendo que anos de estudo não significam, necessariamente, bons modos e respeito, visto que muitas pessoas com recursos se comportaram de forma desrespeitosa e mal-educada ao xingarem a presidenta na abertura da Copa.
O governo Lula investiu mais em educação do que qualquer gestão anterior. O orçamento do Ministério mais que triplicou: passou de 33 bilhões de reais em 2002 para 104 bilhões de reais em 2013. Lula e seu vice, José Alencar, os dois sem diploma universitário, foram o presidente e o vice-presidente que mais criaram universidades no Brasil: 14 novas universidades. Nos últimos 11 anos, o número de estudantes universitários no Brasil dobrou, subindo de 3,5 milhões em 2003, para mais de 7 milhões em 2013. E o programa Prouni permitiu que 1,5 milhão de jovens sem condições financeiras pudessem estudar e obter um diploma.
Assessoria de Imprensa do Instituto Lula