O doutor Antonio Oliveira, diretor da Polícia Rodoviária Federal, anunciou que estão identificados os 28 agentes que foram ao hospital Adão Pereira Nunes, onde estava internada a menina Heloísa Santos Silva, de 3 anos, baleada na cabeça por uma patrulha. Ela morreu nove dias depois.
Numa fala repleta de platitudes, o doutor explicou: "Abrimos um procedimento para saber sobre essas frequências, visitas [ao hospital]. O que estava autorizado? O que não estava? (...) Então tem um procedimento administrativo disciplinar para apurar isso".
Os agentes da PRF acharam que o carro em que viajava a família de Heloísa era roubado e atiraram. Não era. Horas depois, o pelotão de agentes foi ao hospital e intimidou a família.
O doutor poderia ter explicado porque a PRF informou em nota oficial que, "na noite da ocorrência, a central de operações despachou viaturas operacionais ao Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes para apoio, ante a comoção popular e possibilidade de agressão aos policiais envolvidos na ocorrência".
A PRF, ao divulgar essa patranha, justificou e encobriu a intimidação da família da vítima. O doutor Oliveira acredita no que disse sua nota?
Desde 2016, a Polícia Rodoviária Federal matou 156 pessoas, uma delas asfixiada no porta-malas de uma viatura. Conhecida como Polícia Rodoviária do Flávio, numa referência ao senador filho do então presidente Bolsonaro, meteu-se em malfeitorias eleitorais e seu diretor acabou na cadeia, preferindo aposentar-se. Veio um governo petista e deu no que se está vendo.
O ministro Gilmar Mendes disse tudo: "Há bem mais a ser feito. [A PRF] merece ter a sua existência repensada. Para violações estruturais, medidas também estruturais".
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