terça-feira, 7 de março de 2023

Guiana tenta atrair petroleiras antes do ‘net-zero’, EPBR

 

O governo da Guiana tenta atrair grandes petroleiras para a primeira rodada de oferta de áreas offshore do país, que entrou no mapa da exploração e produção após descobertas da ordem de 15 bilhões de barris, desde Liza, projeto operado pela ExxonMobil
 
-- Segundo informações da Reuters, ao menos dez petroleiras demonstraram interesse na rodada, com aquisição do pacote de dados geológicos. A ExxonMobil e a QatarEnergy confirmaram avaliar os termos da rodada; Petrobras, Chevron e Shell preferiram não se manifestar sobre a participação na concorrência, segundo a agência de notícias.
 
“Vemos isso como grande e transformador para o nosso povo. Estamos com pressa para fazer isso antes que o net-zero chegue", disse à Reuters o vice-presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, durante a Ceraweek, em Houston (EUA), onde esteve para promover a oferta dos 14 blocos no país.
 
-- A Guiana está desenvolvendo um modelo de partilha da produção. A contratação das áreas está prevista para abril, mas a revisão das regras atrasou e representou um aumento das participações governamentais em relação aos contratos vigentes, como os da ExxonMobil.
 
-- Análise da S&P Global Commodity Insights, de dezembro, afirma que a Guiana chegou a um modelo competitivo para contratar áreas de exploração, com participação governamental total da ordem de 60%, próxima do praticado em países que concorrem por investimentos em E&P no offshore. 
 
Brasil. O sucesso exploratório na Guiana e o desenvolvimento do offshore no Suriname estão entre os argumentos favoráveis para a exploração da margem equatorial. A expectativa é que o sistemas petrolíferos possam se estender até o Brasil.
 
-- A perfuração na Foz do Amazonas segue nos planos da Petrobras. A área tem alta sensibilidade ambiental, e até o momento a companhia ainda não conseguiu todas as licenças necessárias, que chegaram a ser previstas para 2022. A Foz do Amazonas, em especial, enfrenta resistência de ambientalistas e preocupações do Ibama.
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O&G precisa “melhorar seu jogo” na corrida climática Ahmed al-Jaber, presidente da próxima conferência climática das Nações Unidas (COP28) e da Adnoc, petroleira dos Emirados Árabes, disse nessa segunda (6/3), na Ceraweek, que o setor de óleo e gás precisa descarbonizar rapidamente suas operações e ajudar a descarbonizar as de seus clientes.
 
Gasolina e etanol sobem na bomba após volta dos impostos federais O preço médio da gasolina foi de R$ 5,25 o litro na semana entre 26 de fevereiro e 4 de março – alta de 3,34% sobre os R$ 5,08 da semana anterior, segundo o levantamento da ANP. O litro do etanol na bomba subiu 2,37%, passando de R$ 3,79 para R$ 3,88 no mesmo período. g1
 
-- O aumento é efeito da cobrança parcial de PIS/Cofins e Cide sobre gasolina e etanol. A reoneração parcial foi estabelecida pela medida provisória 1.163/2023, em vigor desde 1o de março. Para amenizar seus efeitos sobre o preço final, a Petrobras reduziu o valor cobrado pela gasolina em suas refinarias no mesmo dia.
 
-- Já o diesel – que permanece isento de impostos federais – registrou queda no período. O preço médio do combustível caiu de R$ 5,95 para R$ 5,93 nas bombas, recuo de 0,33%.
 
O Brent operava em baixa de 0,24%, a US$ 85,97 o barril, na manhã desta terça-feira (7/3). Ontem, a referência fechou a sessão em alta de 0,4%, a US$ 86,18 o barril, influenciado pelas perspectivas de aperto na oferta e aumento da demanda chinesa pela commodity. Reuters
 
Saudi Aramco eleva preços de petróleo para compradores da Ásia De olho na restrição da oferta e na demanda da China, a empresa alterou o valor para abril do petróleo leve Arab, de referência no continente asiático, que subiu US$ 0,50 o barril. A  Saudi Aramco ainda elevou os preços por barril para suas variedades mais pesadas por uma margem maior: US$ 2,50, para a variedade pesada, e US$ 0,90, para a média.
 
-- A variedade extra light teve alta de US$ 0,45 o barril, enquanto os preços do super leve foram cortados em US$ 1 o barril. Estadão
 
Petrobras e Equinor estudam parceria de até 14,5 GW em eólica offshore As petroleiras assinaram, nessa segunda-feira (6/3), uma carta de intenções para ampliar a cooperação na avaliação de projetos conjuntos de geração eólica offshore na costa brasileira. Amplia o escopo de uma parceria firmada em 2018, que contemplava apenas dois parques eólicos.
 
Indústria cerâmica busca biometano para se proteger de preços do petróleo O setor cerâmico de São Paulo planeja substituir 50% da demanda de gás natural por biometano até 2030. É uma estratégia para reduzir emissões e proteger-se da volatilidade dos preços do petróleo – atualmente o principal indexador dos preços do gás natural vendido pela Petrobras e demais supridores no Brasil para as distribuidoras e indústrias.
 
ABB firma parceria tecnológica com o hub de hidrogênio do Pecém Com a assinatura de um memorando de entendimento com o governo do Ceará para integrar o hub de hidrogênio verde do Complexo Portuário do Pecém (CIPP), a companhia pretende ser uma das principais parceiras tecnológicas das empresas de energia que estão planejando produzir hidrogênio verde e derivados no estado.
 
  • Opinião Transição energética para quem? Antes de debater a transição energética, precisamos resolver primeiro as questões básicas do setor que fazem dele disfuncional, escreve Fernando Teixeirense
 
STF decide sobre divisão de royalties no Rio de Janeiro A corte conclui, nesta terça-feira (7/3), análise de um pedido dos municípios de São Gonçalo, Magé e Guapimirim, que reivindicam os recursos. A mudança pode reduzir em R$ 1 bilhão anuais as receitas da cidade de Niterói com royalties. Poder 360
 
Exxon é processada por símbolos racistas em fábrica de Louisiana Autoridades dos EUA processaram a petroleira por causa de cinco laços de forca que, segundo eles, foram encontrados na refinaria da Exxon em Baton Rouge, Louisiana. Para as autoridades, isso criou um ambiente de trabalho hostil e sujeitou os funcionários à discriminação racial, uma vez que o símbolo é associado à perseguição de pessoas negras nos EUA. Dow Jones
 
Mulheres ainda em baixa no setor de petróleo Representação de 22% de mulheres entre as palestrantes da Ceraweek 2023, em Houston, reflete a escassez de lideranças femininas no segmento de óleo e gás, diz a Bloomberg. Em uma recepção no evento denominada “Mulheres na Energia”, dois dos três palestrantes serão homens.

Cidade francesa promove boicote a supermercado brasileiro, Revista Oeste

 O grupo Carrefour, dono do Atacadão desde 2007, pretende instalar a primeira unidade do supermercado fora do Brasil. Para isso, o grupo escolheu a França, mais especificamente a cidade de Sevran, nos arredores de Paris.

No entanto, grupos de esquerda, liderados pelo prefeito de Sevran, Stéphane Blanchet, querem impedir a chegada do “atacarejo” brasileiro. A prefeitura lançou uma petição oficial contra os planos do grupo Carrefour e convocou uma audiência pública para mobilizar a população contra o projeto.

Blanchet, que milita no campo da esquerda, chegou a gravar um vídeo em frente ao hipermercado Carrefour que seria substituído pelo Atacadão, e, segundo o jornal Le Parisien, vai começar a fazer campanha contra a chegada do “atacarejo” em frente às escolas locais.

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A mobilização do prefeito tem o apoio da principal central sindical da França, a CGT, e dos partidos Socialista, Comunista Francês e a França Insubmissa.

“Os habitantes de Sevran merecem mais que esse projeto low-cost, que ameaça o emprego, que favorece a circulação motorizada, prejudica a oferta comercial e coloca em xeque o projeto de cidade sustentável, ecológica e solidária pelo qual nós trabalhamos com vigor há vários anos”, escreveram, em comunicado conjunto.

O grupo Carrefour ainda não confirmou oficialmente a instalação do Atacadão em solo francês. À imprensa local, a companhia informou que a decisão final ainda não foi tomada. Ao jornal Le Parisien, a equipe do prefeito disse que “não estamos mais no terreno do boato.” A previsão é que a unidade seja instalada em setembro deste ano.

O Atacadão representa quase 70% do faturamento do grupo Carrefour no Brasil. Em novembro, o varejista francês anunciou que importaria o “atacarejo” para seu país natal.

Campanha da prefeitura de Sevran contra o Atacadão | Reprodução

segunda-feira, 6 de março de 2023

Armas + impunidade: o ovo da serpente?, Roberto Livianu - OESP

Na terça de carnaval passada, Edgar Ricardo de Oliveira estava inconformado por ter perdido certa soma apostada na mesa de bilhar, num bar em Sinop, em Mato Grosso. Apesar dos maus antecedentes por violência doméstica, tinha obtido indevidamente porte de diversas armas, como colecionador, e as ostentava nas redes sociais. Inclusive a poderosa espingarda calibre 12 (que atinge o alvo a 420 metros de distância em 1 segundo) que ele foi buscar na picape, depois das primeiras derrotas no jogo, junto com Ezequias Souza Ribeiro, que também se armou de pistola semiautomática. Com elas, executaram implacavelmente sete pessoas em dez segundos.

Em Jabalpur, na Índia, vem de 1875 a mais remota partida de snooker da qual se tem notícia, em período chuvoso, quando oficiais ingleses do regimento Devonshire passaram horas a fio ao redor de uma mesa de bilhar, havendo referências no sentido de ter a prática chegado ao Brasil no ano da proclamação da nossa República, em 1889.

Ocorre que nestes quase 150 anos o jogo de bilhar, ou sinuca, como chamam outros, popularizou-se e passou a fazer parte do cotidiano de entretenimento popular tupiniquim, nos mais poeirentos rincões deste país-continente chamado Brasil. Aposta-se dinheiro neste jogo e muitos pequenos botecos têm mesas de sinuca, que, para muitos brasileiros, é o único lazer do fim de semana.

Edgar resistiu à prisão e acabou morto em troca de tiros com as forças policiais. Ezequias entregou-se às autoridades dois dias depois, declarando, com certa dose de cinismo, ter poupado a oitava vítima, que poderia também ter assassinado, mas que estaria arrependido pela chacina, que incluiu um vendedor de frutas que entrou no bar para olhar futebol na TV e uma criança que acompanhava o pai – com ele foi morta.

É abominável a insignificância da vida humana: sete pessoas assassinadas pelo único fato de presenciarem as derrotas do assassino no bilhar. Grita a motivação absurdamente fútil da chacina. Tudo sinaliza selvageria, o que não é novidade para nós. A banalização das explosões violentas e desarrazoadas é acontecimento de repetição constante em nosso país.

Cabem algumas reflexões, para compreendermos melhor estes fatos e procurarmos um caminho para seu enfrentamento. Primeiro ponto: a distribuição massiva de armas para a sociedade civil, pelo aumento exponencial do número de Colecionadores, Atiradores Esportivos e Caçadores (CACs) nos últimos quatro anos, como o caso do atirador Edgar, de Sinop – onde Jair Bolsonaro sintomaticamente recebeu 77% dos votos no segundo turno.

As figuras jurídicas dos CACs foram banalizadas, chegando-se a ponto de “atiradores” serem surpreendidos com armas nos mais variados horários, alegando sincronizada e sistematicamente que estariam se dirigindo sempre para supostos “clubes de tiro”.

A qualquer hora do dia, da noite ou mesmo da madrugada, ainda que o respectivo veículo não esteja posicionado em direção aos respectivos locais quando das abordagens policiais, evidenciam-se a falsidade sistemática dessas versões e a inconveniência de tais autorizações como política pública, multiplicadas na total contramão do interesse público.

Dados de organizações como o Instituto Igarapé e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram de forma robusta que, nos últimos quatro anos, a adoção do armamentismo – eternizado na frase presidencial “todo mundo tem de comprar fuzil”, ao invés de “comprar feijão” – trouxe consigo aumento dramático dos números da violência e da criminalidade, e não sua desejável contenção.

Tanto que o Tribunal Superior Eleitoral, de forma extremamente sensata, prudente e estratégica, visando a preservar a paz no processo eleitoral de 2022, revogou as autorizações dos CACs nos dias anteriores às eleições, tendo em vista os crimes que atingiram atores envolvidos no processo eleitoral nas semanas anteriores ao pleito, diante do nível extremo de beligerância observado.

O segundo ponto a ser analisado é aquele que diz respeito à percepção social generalizada de impunidade, hoje em boa medida garantida por lei. E decorrente da própria dinâmica da distribuição de justiça, a partir de julgamentos reiterados, como o recente caso do ex-governador do Estado do Rio de Janeiro Sérgio Cabral.

Cabral teve contra si proferidas sentenças que somam mais de 400 anos de condenação pela prática de atos de corrupção em 23 processos criminais, e é réu confesso. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) recentemente determinou sua libertação sob a justificativa de que nenhum de seus processos foi julgado em definitivo.

O boleiro Robinho, condenado em definitivo a nove anos de reclusão por estupro na Itália, despreza a vítima e vive escondido, demonstrando certeza de que, estando no Brasil, a lei não o alcançará. Como centenas de outros abusadores, agressores e matadores de mulheres que circulam livres, antes ou depois de condenados.

São alguns exemplos da impunidade, impossíveis de justificar e que podem, de certa forma, contribuir para alavancar a criminalidade, fora de controle. A matança fria e cruel de Sinop foi oportunizada pela irresponsabilidade estatal armamentista e pela catastrófica impunidade nossa de cada dia. Seria um ovo de serpente?

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PROCURADOR DE JUSTIÇA NO MPSP, DOUTOR EM DIREITO PELA USP, ESCRITOR, PROFESSOR, PALESTRANTE, É IDEALIZADOR E PRESIDENTE DO INSTITUTO ‘NÃO ACEITO CORRUPÇÃO’