terça-feira, 19 de maio de 2026

Calor extremo já custa bilhões e deve testar sistema elétrico em 2026, Eixos

 


Editada por Nayara Machado
nayara.machado@eixos.com.br
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A mais recente previsão de cientistas de meteorologistas aponta que o fenômeno que aquece as águas do Oceano Pacífico Equatorial estará de volta no segundo semestre do ano, trazendo com ele a intensificação de eventos climáticos como ondas de calor, secas e inundações.
 
Para este ano, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), calcula a probabilidade de 60% de desenvolvimento do El Niño, para o trimestre maio-junho-julho, e mais de 90% a partir da próxima primavera, em setembro. (G1)
 
E se, na média global, os três primeiros meses de 2026 foram os quartos mais quentes já registrados, com a expectativa de um El Niño forte – e potencialmente “super” – em setembro, prepare-se para o calor
 
Uma análise do Carbon Brief prevê que 2026 provavelmente será o segundo ano mais quente já registrado, e possibilidade de 2027 ser recordista.
 
Some ao fenômeno o aquecimento de longo prazo causado pelas atividades humanas, as temperaturas podem subir acima de 2,5°C no fim de 2026 e as consequências dos extremos climáticos são motivo de alerta para diversos setores da economia.
 
Só em 2025, empresas no mundo todo reportaram que eventos climáticos causaram quase US$ 3 bilhões em perdas reais, principalmente devido ao aumento de custos diretos e paralisações operacionais, sendo chuvas intensas o principal fator isolado dessas perdas (US$ 1,5 bilhão), segundo o CDP.
 
A plataforma de divulgação ambiental alerta em seu novo relatório que eventos climáticos extremos estão provocando impactos financeiros materiais em toda a economia global. 
 
Cerca de 62% das cidades, estados e regiões que reportaram dados na plataforma afirmaram já estar sendo significativamente impactados por eventos climáticos extremos. 
 
“Estes eventos estão sendo reconhecidos por governos subnacionais como um risco financeiro e econômico, com quase um quarto (23%) dos participantes destacando especificamente atividades financeiras e de seguros como altamente expostas à intensificação dos riscos climáticos”, diz o CDP.

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Pressão energética

Das perdas financeiras globais à Copa do Mundo de futebol masculino, o clima extremo também está impactando os sistemas energéticos e, no Brasil, a possibilidade de formação de um El Niño em 2026 é um ponto de atenção para o setor elétrico.
 
Estudo da Nottus, empresa de inteligência de dados e meteorologia, aponta que o fenômeno pode elevar o risco de extremos climáticos e pressionar o sistema elétrico nos próximos meses. 
 
De um lado, o aumento do calor significa maior consumo de energia para refrigeração. Do outro, secas prolongadas reduzem a capacidade de geração hidroelétrica, e prejudicam a produção de bioenergia — assim como chuvas intensas.
 
“O principal ponto não é discutir se teremos um El Niño forte ou muito forte, mas entender que eventos climáticos hoje acontecem em um contexto de aquecimento global, o que potencializa extremos meteorológicos e traz consequências em diversos setores como infraestrutura, consumo e energia”, comenta Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus.
 
A análise indica que as regiões Centro-Oeste e Sudeste podem registrar temperaturas acima da média no segundo semestre, com maior frequência de ondas de calor e aumento da demanda por refrigeração e consumo de energia elétrica. 
 
No Norte e Nordeste, a tendência de redução das chuvas pressiona recursos hídricos e afeta a geração hidrelétrica.
 
A consultoria traz exemplos do impacto do último episódio de El Niño, entre 2023 e 2024, sobre o setor elétrico brasileiro.
 
Naquele período, enquanto o país registrava recordes de demanda de energia associados às ondas de calor intensas e prolongadas, Centro-Oeste e Sudeste ardiam com incêndios florestais e estresse hídrico em lavouras de cana e grãos, com prejuízos para a produção de biocombustíveis. 

Ondas de calor dificultam planejamento

Ao mesmo tempo em que o planejamento é uma ferramenta para preparar o sistema energético para lidar com os desafios climáticos, a elevação das temperaturas e a maior frequência de ondas de calor estão tornando as projeções mais complexas.
 
Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgado no final de 2025 alerta que as variações nas condições climáticas tendem a gerar picos de consumo cada vez mais intensos e menos previsíveis. Consequentemente, fica mais difícil garantir que o sistema consiga atender às oscilações bruscas de demanda por eletricidade.
 
O ar-condicionado é um exemplo. Segundo a EPE, as aquisições cresceram 18% entre 2005 e 2019 e a climatização pode representar entre 13,7% e 17,9% do consumo residencial em 2036.

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CURTAS

Leilão das térmicas na Justiça. A ofensiva judicial contra os resultados do leilão de reserva de capacidade (LRCAP) ganhou força com uma ação civil pública da Fiesp pedindo para que os resultados da contratação de março sejam anulados. judicialização se soma a uma série de outros questionamentos, que levaram a Aneel a adiar a homologação dos resultados.

  • A Fiesp questiona a definição da demanda contratada, a metodologia da formação dos preços-teto, a baixa competitividade e os impactos econômicos dos contratos.  
Terras raras. O presidente Lula voltou a dizer nesta segunda-feira (18) que o Brasil não vai abrir mão de sua soberania para exploração de minerais críticos e terras raras existentes no país. Durante evento realizado em Campinas (SP), Lula destacou que outros países poderão se associar ao Brasil para explorar esses recursos, dentro do território brasileiro.
 
Corredor verde. A norueguesa Odfjell anunciou nesta segunda (18/5) o início da operação do primeiro corredor verde para navios-tanque entre o Brasil e a Europa movido a biocombustível. A iniciativa usará uma mistura de 24% de biodiesel e 76% de VLSFO (óleo combustível de baixa viscosidade) produzida pela Petrobras.
 
E por falar em biobunker… A Petrobras vai investir R$ 3,3 bilhões na segunda área contratada no Porto de Santos e ampliar a capacidade de tancagem na região, anunciou a presidente da estatal, Magda Chambriard, durante evento na Replan, nesta segunda (18/5), com a presença do presidente Lula (PT).
  • O valor vai ser destinado à ampliação do terminal aquaviário, um novo píer e maior área de tancagem. Com isso, a estatal será capaz de vender bunker com 24% de biodiesel em São Paulo.
Etanol competitivo. Os preços médios do etanol hidratado caíram em 19 estados e no Distrito Federal (DF), subiram em dois e ficaram estáveis em quatro na semana passada, segundo dados da ANP, compilados pelo AE-Taxas. Nos postos pesquisados pela ANP em todo o país, o preço médio do etanol recuou 1,35%, para R$ 4,38 o litro.
 
Infraestrutura resiliente. Nos últimos cinco anos, governos, investidores e bancos investiram cerca de US$ 100 bilhões em iniciativas para lidar com os efeitos das mudanças climáticas na Ásia, sendo que a maior parte desse capital foi destinada a projetos de água e infraestrutura, mostra levantamento. (Bloomberg)
 
Alívio no petróleo? Os EUA aceitaram suspender, em uma nova proposta, as sanções petrolíferas contra o Irã, segundo uma fonte próxima à equipe de negociações ouvida pela agência de notícias Tasnim, em mensagem enviada nesta segunda (18/5) via Telegram.
  • A suspensão das sanções significa uma flexibilização temporária das medidas restritivas sobre a commodity iraniana e pode aliviar os preços do petróleo.

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