quarta-feira, 13 de maio de 2026

Deirdre Nansen McCloskey - Lamento pelos liberais perdidos, FSP

 Um dos heróis dos EUA é Henry David Thoreau, nascido em Concord, Massachusetts, em 1817, e morto na mesma cidade em 1862.

Observe que sua vida foi curta, apenas 44 anos. Eu tenho 83 e fui salva muitas vezes, como a maioria das pessoas, pela medicina moderna, que um ministro de Trump quer abandonar. Hoje em dia, pego-me calculando a terrível brevidade da vida nos tempos antigos. Alguns dos grandes viveram muito —Sócrates, Milton, Euler, Goethe, Twain, Borges e o próprio Joaquim Maria Machado de Assis. Eles viveram o suficiente, em todo caso, para explorar plenamente a extensão de seu talento e habilidade surpreendentes.

Estátua de Henry Thoreau e réplica de sua cabana às margens do lago Walden

Mas choca qualquer pessoa que os conheça ouvir falar de John Keats, o poeta inglês (1795-1821), Franz Schubert, o compositor alemão (1797-1828), ou Srinivasa Ramanujan, o matemático indiano (1887-1920). As mortes de Mozart, aos 35, e de George Orwell, aos 49, me enlouquecem. Orwell estava se tornando um grande liberal. E Mozart era, bem, era Mozart. Meu maior lamento é por Jane Austen (1775-1817).

Quarenta e um anos não foram suficientes. Ela estava começando a ampliar seu foco para a vida urbana e comercial —em relação à qual não era automaticamente hostil, como tantas outras figuras literárias. Baudelaire.

John Hurt em cena do filme "1984", baseado na obra de George Orwell - Divulgação

Thoreau é geralmente considerado um ambientalista pioneiro. E era. Observe que ele nasceu e morreu em uma cidade pequena. Estudou em Harvard, perto da grande cidade de Boston, mas voltou e passou o resto da vida refletindo sobre como viver em harmonia com a natureza. Foi trabalhador braçal e agrimensor e em certo momento administrou a empresa de lápis do pai. Depois passou a dar palestras e escrever. Seu livro mais famoso, "Walden ou A Vida nos Bosques", de 1854, narra seus dois anos e meio de vida solitária numa cabana na margem de um pequeno lago em Concord.

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Durante toda a vida ele foi um naturalista, intensamente curioso e extremamente observador da vida em todos os seus detalhes. Teve tempo de ser um dos primeiros leitores americanos de "A Origem das Espécies", de Charles Darwin, que confirmou, contrariando a crença comum da geração espontânea de vida a partir de matéria inorgânica, sua tese de que toda a vida veio de sementes, desde a origem. "Walden" inspira os amantes da natureza desde então.

Mas a melhor razão para amar Thoreau, e lamentar que ele não teve tempo de elaborar esse lado de sua vida e seu pensamento para ter uma influência maior no mundo por meio dele, é o fato de ele ter sido um liberal convicto. Foi um abolicionista ferrenho, por exemplo, e atuante na chamada Ferrovia Subterrânea, que levava ao Canadá negros escravizados que fugiam.

Mas sua obra liberal mais importante é o longo ensaio "A Desobediência Civil" (1849). Ela serviu de inspiração para movimentos de libertação em todo o mundo, como o de Gandhi na Índia, o de Martin Luther King nos EUA e o de Nelson Mandela na África do Sul.

Mas a maioria das pessoas que pensam em Thoreau como um homem da esquerda estatista moderna não percebe a profundidade de seu liberalismo. O início de "A Desobediência Civil" é: "Aceito de todo o coração o lema ‘O melhor governo é o que menos governa’; e gostaria de vê-lo posto em prática de forma mais rápida e sistemática".

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