Praticamente terminada a safra de verão, IBGE e Conab chegam mais próximos nas suas estimativas de safra para 2026. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que começou com uma estimativa de 333 milhões de toneladas na sua primeira previsão, apontou 349 milhões. A Companhia Nacional de Abastecimento espera um volume de 358 milhões de toneladas, 3 milhões a mais do que previa em outubro de 2025, quando fez a primeira estimativa.
A evolução da safra de grãos foi rápida no Brasil nas últimas décadas. No começo deste século, o país ainda tinha uma produção total inferior a 100 milhões de toneladas, volume que foi atingido em 2001, segundo a Conab. Para o IBGE, o Brasil atingiu essa marca em 2003. Os 200 milhões vieram em 2015, e os 300 milhões, em 2023.
Soja e milho determinaram esse crescimento. O Brasil iniciou o século com produção de 32 milhões de toneladas, tanto de soja como de milho. Os dados deste ano indicam 180 milhões para a oleaginosa e 140 milhões para o cereal. A soja tem um volume maior atualmente, mas o milho vem com uma evolução mais acelerada.
Nos últimos cinco anos, a produção de soja cresceu 29%, e a de milho, 61%. Em um encontro da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo), nesta quarta-feira (13) em Brasília, a aposta foi de que o cereal ultrapasse a soja em volume rapidamente.
A demanda por soja e por milho tem crescido muito. No caso da oleaginosa, o avanço se deve ao apetite da China. Já a procura pelo cereal vem muito do mercado interno. Dois setores movimentam essa demanda por milho: a indústria de etanol e o setor de proteínas. A produção de carnes deve manter o ritmo de crescimento, mas não tão acelerado como o da indústria de etanol.
O avanço do volume produzido vem mais da aceleração da produtividade do que do aumento de área plantada, no caso do milho. A área que foi destinada à safra de verão e a que foi semeada na safrinha deste ano é 78% superior à do início dos anos 2000. A produtividade, no entanto, aumenta 151% no período. Os produtores do cereal acreditam que a média Brasil, que atualmente é de 6.214 kg por hectare, deverá evoluir muito nos próximos anos, uma vez que já supera 10 mil kg em Santa Catarina.
No caso da soja, a produtividade evolui em ritmo menor. O volume atual, de 3.689 kg por hectare, supera em 54% o do início do século. A área, no entanto, cresceu 261%. O milho segue o caminho da soja e, em boa parte do país, é semeado logo após a colheita da oleaginosa. Há muito espaço ainda para o cereal ocupar, tomando-se como base a área já ocupada pela soja.
A safra brasileira cresce, no entanto, baseada em poucos produtos. O volume dos três principais (soja, milho e arroz) soma 93% de toda a produção anual de grãos. O país começa a diversificar, e aumenta a área com outras culturas, como a de sorgo e de gergelim. Esses produtos, no entanto, ainda representam muito pouco em relação às principais culturas.

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