quinta-feira, 21 de maio de 2026

O que vemos hoje não é metáfora, é o fascismo mesmo, diz Vladimir Safatle, FSP

  

Marcos Augusto Gonçalves
Marcos Augusto Gonçalves

Editor da Ilustríssima, formado em administração com mestrado em comunicação pela UFRJ. Foi editor de Opinião.

Vladimir Safatle, filósofo e professor da Universidade de São Paulo, está lançando um livro intitulado "A Ameaça Interna —Psicanálise dos Novos Fascismos Globais", pela editora Ubu.

No podcast Ilustríssima Conversa, o autor argumenta que aquilo a que estamos assistindo na cena política contemporânea, com a emergência do populismo autoritário em diversos países, não é uma metáfora do fascismo ou uma regressão ao fascismo, é o próprio fascismo que se constitui na sociedade em que vivemos.

Safatle estabelece uma relação muito próxima entre o que chama de fascismo global e as mentalidades e ideologias vigentes nas sociedades ditas neoliberais, o individualismo acirrado, a competição, a ideia de que alguém vai sempre perder. Ele prefere chamar esses regimes não de democracias, mas de fascismos restritos.

O neoliberalismo criou as condições para que, numa situação de crise estrutural, a opção fascista se torne uma opção racional. A gente esquece que o projeto neoliberal também nasce com a ditadura de Pinochet, no Chile

Vladimir Safatle

Filósofo e professor da USP

O professor também destaca a pouca consideração que se costuma dar ao fato de que o Brasil teve o maior partido fascista fora da Europa, o Partido Integralista, na década de 1930, fundado por Plínio Salgado, que teve participação no movimento modernista.

Seria preciso perceber, segundo ele, que o processo de modernização tem em si, como uma possiblidade de desdobramento, o fascismo.

O filósofo e professor da Universidade de São Paulo Vladimir Safatle - Daniela Toviansky - 2.jun.25/UOL

O autor também problematiza as explicações que buscam a ascensão do autoritarismo em regressões históricas ou nos ressentimentos de setores sociais. "O fascismo não é uma marcha à ré!", afirma.

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O professor ainda fala, no podcast, sobre a polêmica que se criou em torno de um artigo sobre as teorias decoloniais que publicou na revista piauí ("Estudos decoloniais e o grande FMI universitário").

O Ilustríssima Conversa está disponível nos principais aplicativos, como Apple Podcasts e Spotify. Ouvintes podem assinar gratuitamente o podcast nos aplicativos para receber notificações de novos episódios.

O podcast entrevista, a cada duas semanas, autores de livros de não ficção e intelectuais para discutir suas obras e seus temas de pesquisa.

Já participaram do Ilustríssima Conversa Elvia Bezerra, pesquisadora da obra de Manuel Bandeira, Leonardo Avritzer, para quem Bolsonaro tentou dar um golpe de Estado no fim do seu mandato, o arquiteto Gabriel Weber, autor de livro sobre a chamada linha do inferno do Rio de Janeiro, Rosane Borges, que discutiu como mulheres negras enfrentam o imaginário racista, a chef Bel Coelho, autora de obra sobre a cultura alimentar da amazônia, o sociólogo Reginaldo Prandi, pesquisador das religiões afro-brasileiras, a jornalista Marina Rossi, que apontou os impactos ambientais da pecuária na amazônia, o psicanalista Leopold Nosek, crítico da ideologia do empreendedorismo e da meritocracia, o diplomata Ernesto Mané, que afirma que o colonialismo e o racismo se entrelaçaram com a sua história familiar, o jornalista Jamil Chade, que debateu a corrosão da democracia dos Estados Unidos, entre outros convidados.

A lista completa de episódios está disponível no índice do podcast.

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