BRASÍLIA — Convocado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a explicar por que usou voos da Força Aérea Brasileira (FAB) e recebeu diárias para participar de leilões de cavalos de raça em São Paulo, além de uma série de outras irregularidades reveladas pelo Estadão, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, afirmou neste sábado, 4, estar comprometido em esclarecer o que chamou de “denúncias infundadas feitas pela imprensa”. O chefe da pasta das Comunicações está no exterior e vai se reunir com Lula nesta segunda-feira, 6, cinco dias após ser cobrado publicamente pelo presidente da República. Será o primeiro encontro entre os dois desde que o ministro tomou posse.
O Estadão revelou que, além de usar aeronave da FAB e receber diárias para compromissos privados, Juscelino Filho abriu as portas de seu gabinete nas Comunicações a seu consultor de compra de cavalos, escondeu do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 2,2 milhões em cavalos de raça, apresentou informações falsas à Justiça Eleitoral durante sua campanha no ano passado e desobedeceu ordem do presidente ao recontratar para postos chaves demitidos por ocuparem cargos de confiança no governo Bolsonaro.
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O ministro, quando deputado, também usou dinheiro do orçamento secreto para asfaltar uma estrada que passa em frente a sua fazenda no Maranhão. O dono da empreiteira foi preso acusado de corromper um servidor da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) indicado pelo grupo do ministro e responsável por avalizar a obra da estrada. Enquanto isso, 1/3 da população da cidade de Vitorino Freire vive em ruas de terra.
Em entrevista à Rádio BandNews FM quinta-feira, 2, Lula afirmou que o ministro das Comunicações estará fora do governo se não conseguir se explicar. “Eu tentei essa semana conversar com o Juscelino. O ministro Juscelino está viajando, está no exterior a serviço do ministério, discutindo num encontro de telecomunicações. Eu já pedi para o (ministro da Casa Civil) Rui Costa para convocar ele para, segunda-feira, a gente ter uma conversa porque ele tem direito de provar sua inocência. Mas se ele não conseguir provar sua inocência, ele não pode ficar no governo. Eu garanto a todo mundo a presunção de inocência”, disse o petista.
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