Aluno esforçado das lições marqueteiras, Flávio Bolsonaro desistiu da dancinha ao som do funk "Zero Um, Novo Capitão". Na avaliação de quem cuida de suas redes, imitar a postura tiktoker de Donald Trump não pegou bem. Um político moderado não pode rebolar descendo até o chão.
A ordem é abrir a boca o menos possível, evitar as entrevistas do tipo quebra-queixo, escapar das cascas de banana. Uma palavra sobre o escândalo Master? Nem pensar. A finalidade da estratégia low profile é reprimir a natureza golpista do filho 01.
Mas os ares do Texas bagunçaram o coreto da falsa moderação. Em sua quinta viagem internacional desde que foi ungido por Bolsonaro como candidato ao Planalto, Flávio caprichou na fantasia de Duas-Caras, o vilão do Batman, e só faltou pedir a anexação do Brasil pelos Estados Unidos, país que ele orgulhosamente chama de América.
Num convescote da extrema direita global, Flávio definiu as eleições presidenciais brasileiras como uma batalha decisiva para as pretensões imperialistas de Trump: "Esta é a encruzilhada que a América enfrenta", ensinou ele. "Ou vocês têm o aliado mais poderoso do continente ou um antagonista que se alinha com adversários e torna a política para a região impossível".
Para sensibilizar os trumpistas, disse que o pai está preso por defender "nossos valores conservadores" e não por ter sido condenado por uma tentativa fracassada de golpe de Estado. Afirmou que Bolsonaro lutou contra a "tirania da Covid", esquecendo as 700 mil mortes e o desprezo na condução da pandemia. Sem provas, acusou o ex-presidente dos EUA Joe Biden de interferir nas eleições de 2022 a favor de Lula. Também sem provas, atacou o petista: "O presidente do meu país faz lobby para proteger organizações terroristas".
No discurso em inglês, Flávio deu a entender que, se eleito com a mão grande de Trump, irá governar um quintal: "O Brasil é a solução da América para quebrar a dependência da China em minerais críticos, especialmente terras raras". Vibrai, patriotas.

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