Flávio Bolsonaro apresenta-se ao eleitorado como um "Bolsonaro moderado". Equivale ao círculo quadrado e ao fato imaginário, especialidades da família Bolsonaro. Um de seus argumentos é que se vacinou contra a Covid. E daí? Se achava a vacina tão importante a ponto de tomá-la, o que fez para sustar a política omnicida de seu pai, que sonegou enquanto pôde a vacina à população, mentiu sobre ela, ridicularizou-a e, como um misto de camelô e curandeiro, vendeu um substituto sabidamente ineficaz? Dos 700 mil brasileiros mortos pela Covid, quantos não terão sido crédulos bolsonaristas? E onde estava Flávio Bolsonaro enquanto seu pai, indiretamente, matava em série?
Flávio Bolsonaro no Planalto será um boneco de engonço do Bolsonaro titular, o qual ressurgirá de repente com notável disposição e não será surpresa se se sentar à cadeira para a qual elegeram o feto. Ou alguém tem ilusões a respeito do conceito dos Bolsonaros sobre democracia? A desfaçatez com que acham normal passar de moto por cima das instituições, demonstrada em quatro anos de um governo que desmoralizou o país, permite qualquer conjetura. E todos sabemos do conceito bem particular, para eles, da família no dístico "Deus, pátria e família".
Mesmo os outros dois termos são duvidosos. Não se conhecem as relações de Flávio Bolsonaro com Deus. Será religioso o suficiente para merecer os votos dos evangélicos? O que eles acham de sua relação com comprovados assassinos de aluguel, a ponto de espetar-lhes medalhas no peito sob a cartucheira?
E o que dizer da pátria, que Flávio Bolsonaro planeja abertamente entregar a Donald Trump, em cujas costas seus aliados se escondem para fugir à lei no Brasil? Falando em Trump, sua guerra contra o Irã custa US$ 2 bilhões por dia. Com esse dinheiro, pode-se salvar da fome 7,2 milhões de pessoas —são números oficiais da ONU. Quase a população do estado de Santa Catarina, acrescento eu.
Numa coisa Flávio Bolsonaro será, com razão, moderado. Não dará um pio sobre corrupção.
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