Flávio Bolsonaro sugere toda semana que o anúncio do seu “Posto Ipiranga” é iminente — mas, até agora, nada. Imagino meus amigos economistas dos grandes bancos dando uma de Oscar Wilde diante de um convite (“não poderei aceitar, devido a compromissos que assumirei posteriormente”), escafedendo-se quando o “01” faz uma visita formal. O fato sugere que os economistas independentes, que têm apreço pela sua reputação, não querem sequer tirar uma selfie com o candidato.
Bolsonaro filho se apresenta como sendo mais educado do que o pai (um mérito modesto), com a mensagem subliminar de que é mais inteligente do que ele (um fato). Roberto Campos Neto declarou em entrevista que, “com Bolsonaro, eu sabia que tinha que explicar tudo em três minutos, porque depois ele não prestava atenção”. Com o filho, Galípolo poderá dispor de mais tempo. Não muito, porém, se nos guiarmos pelo desempenho constrangedor do candidato em recente encontro de CEOs.

O objetivo da campanha é criar a impressão de que “Flávio” é alguém com autonomia. Nesse ponto, a mensagem é difícil de vender. O slogan “o Bolsonaro que tomou vacina” não esconde as limitações do candidato. Não deve ter passado despercebido que o “filho” subiu nas pesquisas ficando mudo, prova de que na eleição o silêncio valerá ouro — o que se aplica também a outros candidatos.
O filho quer se diferenciar do pai, mas, como ele, parece não confiar na urna eletrônica e sugere que a eleição só vale se vencer. Reconhecerá a derrota, se perder?
Para você
Por mais que o senador procure passar a ideia de ser alguém com pensamento próprio, para que o eleitor possa aferir se isso procede ou não, é preciso que o candidato responda a perguntas como: se os votos são herdados e se Bolsonaro for indultado e reconquistar os direitos políticos, quem mandará no País? O filho ou o pai? Teremos um Alberto Fernández brasileiro, teleguiado por terceiros? A ex-presidente Cristina Kirchner lá, Jair Bolsonaro aqui?
O “júnior” escreveu que adotará um “tesouraço”, o que demonstra que não sabe do que está falando, por ignorar as restrições fiscais que enfrentará. A rigor, o que fica claro para qualquer pessoa que não se deixe arrastar pela polarização em que vivemos é que Flávio Bolsonaro simplesmente não tem a menor ideia do que propor para o Brasil.
Por enquanto, e já tendo sido noticiado 15 vezes que “ele tem conversado com o ex-ministro Sachsida”, continuamos esperando o anúncio do seu Posto Ipiranga. Pobre Brasil.




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