terça-feira, 14 de abril de 2026

Biogás repaginado embarca na agenda de soberania energética

 

Itaipu Binacional reinaugurou na segunda (13/4) seu centro dedicado a pesquisas para novos combustíveis a partir do biogás. O espaço, que passou a se chamar Unidade de Demonstração Biocombustíveis e quer atrair universidades e empresas para testar novas tecnologias.

A mudança de nome é simbólica. Antes focada no biogás e biometano, a instalação se propôs a expandir horizontes, alcançando mercados como a aviação — de olho na soberania.

“Com biogás e biocombustíveis, a gente pode chegar também na agenda de soberania”,  aponta Felipe Marques, diretor-presidente do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás). 

“O que estamos vendo na geopolítica dos últimos meses torna urgente a produção de fertilizantes no país, a produção de energia no país. Então reduzir a importação de combustível e de fertilizantes se torna uma estratégia essencial para a produtividade do país”, explica. 

A iniciativa é resultado de uma parceria entre Itaipu Binacional, CIBiogás e Itaipu Parquetec, que desde 2017 transforma resíduos orgânicos do complexo hidrelétrico e de apreensões da Polícia Rodoviária Federal em biogás, que pode ser convertido em energia elétrica, biometano, petróleo sintético, hidrogênio e fertilizantes.

Um levantamento realizado em 2022, pela Cooperação Brasil-Alemanha e o CIBiogás, identificou que o Paraná tem potencial de produção de cerca de 15 mil metros cúbicos por ano de combustível sustentável de aviação (SAF, em inglês) a partir do biogás.

O volume corresponde a aproximadamente 4% do fornecimento total de querosene de aviação na região Sul do país.

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Novos combustíveis

 

Em momentos como o atual, em que a guerra no Oriente Médio pressiona os preços dos combustíveis, contar com outras alternativas além do petróleo pode ser uma carta na manga.

O SAF, no entanto, ainda custa de quatro a oito vezes mais que o querosene fóssil, justamente por falta de escala de produção e necessidade de diversificar matérias-primas e rotas.

A proposta da Unidade de Demonstração é ajudar a encontrar novas soluções energéticas.

Rogerio Meneghetti, superintendente de Energias Renováveis na Itaipu Binacional, conta que a unidade já transformou mais de 720 toneladas de resíduos orgânicos em 480 mil km rodados em biometano — o equivalente a 12 voltas na Terra. E o plano é ir além.

“O importante não é só fazer tratamento, gerar biometano, é toda a inovação que começou pelo biogás e, mais recentemente, com a unidade de hidrocarbonetos que inauguramos há um ano e meio”, diz.

“Nessa reinauguração, queremos possibilitar uma integração maior dos nossos processos com o turismo, com a vinda de universitários e empresários, para ver o que estamos fazendo, mas também trazer tecnologias para serem testadas aqui”, completa Meneghetti.

Hoje, a unidade produz 100 m3 por dia de biometano a partir da purificação do gás de resíduos, para abastecimento de veículos da frota interna.

O combustível equivalente ao gás natural também é utilizado em uma planta de produção de hidrocarbonetos sintéticos.

A partir da rota Fischer-Tropsch, o gás é convertido em líquido, dando origem ao bio-syncrude, o petróleo sintético.

A unidade é capaz de gerar diariamente 6 kg de óleo que serve de matéria-prima para a produção de SAF e diesel sintético.

* A jornalista viajou a convite e com despesas pagas por Itaipu Binacional

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