Se você vivesse na França nos anos 40, teria se juntado à Resistência, colaborado com os nazistas ou apenas tentando levar a vida da melhor forma possível? Nossos narradores autobiográficos internos têm uma notável predileção por retratar-se como heróis, mas sabemos que a realidade é mais complexa. Gostaria de ter a certeza de fazer sempre a escolha moral certa, mas já li livros o suficiente para ter dúvidas. Quer dizer, no meu caso, como judeu, minhas opções seriam drasticamente limitadas, mas a maioria dos franceses tinha um leque maior de possibilidades.
"Sob a Sombra da Suástica", de Franciele Becher, faz um retrato detalhado do cotidiano dos franceses no período nazista. Ela cobre mais ou menos tudo. Começa antes da invasão, analisando a política do apaziguamento, que empoderou Hitler, os erros estratégicos do Estado-Maior francês, e a catástrofe de 1940. Daí se seguem os enormes êxodos de pessoas, o armistício, a instalação do regime colaboracionista de Vichy, as deportações.
As pessoas de carne e osso tinham de se posicionar. A maioria buscava sobreviver em tempos difíceis. Isso significa que agiam em conformidade com as determinações dos invasores ou do governo do general Pétain, mas de vez em quando, para tentar preservar a autoimagem, ensaiavam pequenos atos de desobediência.
Havia diferentes níveis de colaboração, desde os 30 mil que serviram ativamente na Milícia Francesa, caçando membros da resistência e judeus, até os funcionários públicos que só "cumpriam ordens", passando pelas francesas que foram para a cama com soldados alemães. Era a colaboração sentimental. Elas foram alvo de particular crueldade após a libertação.
Também os resistentes vinham em várias modalidades, desde aqueles que se arriscavam muito operando atrás das linhas inimigas até os que de vez em quando ajudavam alguém. Estima-se que, em 1944, no auge do movimento, 450 mil pessoas estavam envolvidas em operações contra os alemães.
"Sob a Sombra..." nos faz sentir o peso da história.

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