terça-feira, 21 de abril de 2026

Prédios do Cine Marrocos e do hotel Esplanada vão a leilão em SP, FSP

 Vicente Vilardaga

São Paulo

O governo do Estado de São Paulo tem o desafio de dar um destino adequado para os prédios ocupados hoje por suas secretarias que serão esvaziados a partir da instalação de nova sede administrativa nos Campos Elíseos até 2030. São ao todo 40 edifícios na região central e na região circundante, com 820 mil metros quadrados de área ocupada por 22 mil a 25 mil funcionários. Das 24 secretarias estaduais, 15 ficam na região central.

"Nós não queremos esperar a mudança final para os Campos Elíseos, mas iniciar o leilão e a requalificação dos imóveis antes disso", diz o secretário de Projetos Estratégicos, Guilherme Afif Domingos.

Fachada de prédio antigo com detalhes arquitetônicos clássicos, janelas alinhadas e varandas. Em primeiro plano, árvores e palmeiras densas sob céu nublado.
Fachada do antigo Hotel Esplanada (Edifício Antonio Ermírio de Moraes), que pode renascer - Eduardo Knapp/Folhapress

"E nossa diretriz, obrigatoriamente, é dar uma destinação de uso misto para os prédios, uso comercial, de lazer e habitacional." Afif fala em trazer mais moradores para a região central, que vira uma cidade fantasma durante a noite.

A curto prazo, o governo está olhando para os chamados prédios icônicos e tombados, como o do antigo colégio Caetano de Campos, na praça da República, hoje Secretaria da Educação, e o do que foi o Hotel Esplanada, na praça Ramos de Azevedo, sede da Secretaria da Agricultura. Há também o Banco de São Paulo, na praça Antônio Prado, onde fica a Secretaria de Esportes, e o edifício Saldanha Marinho, no largo São Francisco, endereço da Secretaria de Segurança Pública.

"Vamos pegar prédio por prédio e começar pelo Banco de São Paulo", afirma Afif. "Ele está em fase bastante avançada de destinação e é um típico edifício para ser de uso de lazer e habitacional, seja em forma de hotel seja em forma de apartamentos menores porque a dinâmica no centro é desse tipo de moradia." Como a Secretaria de Esportes é pequena não haverá problema em mudá-la temporariamente. O governo tem outras construções vazias na região que podem ser utilizadas em um período de transição.

Edifício Saldanha Marinho
O Saldanha Marinho, primeiro edifício em estilo art déco de São Paulo, vai passar por um retrofi - Vicente Vilardaga/Folhapress

O prédio do Hotel Esplanada, segundo Afif, irá a leilão a curtíssimo prazo, junto com o do Cine Marrocos, hoje abandonado, e com um terreno na esquina da rua Conselheiro Crispiniano. No Cine Marrocos, também tombado, a ideia é fazer "um belo conjunto habitacional". O cinema será reabilitado como sala de espetáculos. "Já o Hotel Esplanada tem que recuperar o esplendor, ele foi o Copacabana Palace de São Paulo, e depois abrigou a sede do grupo Votorantim", conta o secretário.

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Outro prédio icônico da cidade que ganhará novo uso antes da conclusão do centro administrativo é o Caetano de Campos. "Esse prédio é intocável, um clássico da cidade, obra de Ramos de Azevedo com uma longa história", afirma. Nesse caso, está descartada a instalação de residências ou escritórios. O plano mais maduro do governo é transformá-lo na sede da Emesp – Tom Jobim (Escola de Música do Estado de São Paulo).

Antigo colégio Caetano de Campos
A Casa Caetano de Campos deve se transformar na sede da Escola de Música Tom Jobim - Vicente Vilardaga/Folhapress

O edifício Saldanha Marinho, projetado por Elisiário Bahiana, também terá novo destino a curto prazo. Considerado o primeiro prédio art déco da cidade, inaugurado em 1933, foi sede da Cpef (Companhia Paulista de Estradas de Ferro). Segundo Afif, o projeto principal para essa construção é fazer um retrofit e transformá-la num conjunto residencial de classe média, mas também se pensa num hotel.

O retrofit está previsto em pelo menos mais dois edifícios do governo no Centro: o Cidade 1 e o Cidade 2, na rua Boa Vista. O primeiro é sede da Secretaria da Habitação e o segundo, da Secretaria de Desenvolvimento Social. Um deles poderá virar hotel e o outro, moradia social.

Uma opção analisada pelo governo é transferir alguns de seus prédios para a prefeitura, que tem interesse em instalar secretarias mais perto de sua sede, no Viaduto do Chá. "O prefeito Ricardo Nunes já me ligou para tratar dessa possibilidade", diz Afif.

Segundo o secretário, o governo vai se beneficiar muito com a venda de seus imóveis. "Nós temos ativos bastante importantes e não precisamos ficar com estoque imobiliário", afirma. "O dinheiro que arrecadarmos vai nos permitir pagar inclusive parte dos custos do centro administrativo."

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