terça-feira, 14 de abril de 2026

Márcio Elias substitui Alckmin na Indústria e promete ser "portador" de demandas do setor privado, FSP

 Marcos Hermanson

Brasília

O procurador Márcio Elias Rosa tomou posse simbolicamente como chefe do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria Comércio e Serviços) nesta terça-feira (14) e prometeu representar as demandas da indústria e do comércio dentro do governo.

Ele substitui o vice-presidente e ex-ministro Geraldo Alckmin (PSB), que deixou o cargo no início de abril para disputar as eleições.

Antes de assumir a pasta, Márcio Elias foi secretário-executivo do ministério. Antigo aliado de Alckmin. Foi procurador-geral do estado de São Paulo por três anos antes de ser nomeado secretário de Justiça do estado em 2015, durante o último mandato do então tucano à frente do estado.

Ao falar no evento desta terça-feira, Márcio Elias se comprometeu a "manter fielmente o dever de dialogar com o setor privado" e ser um portador das demandas da indústria e do comércio junto ao governo. "Me comprometo a domesticar minha vaidade pessoal todo dia", disse também o ministro.

A nomeação dele para chefiar o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) foi adiantada pela Folha.

Homem idoso com cabelo grisalho e barba curta usa óculos, terno azul escuro, camisa azul clara e gravata azul. Fundo de painéis de madeira escura.
O então secretário-executivo e hoje titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, no coquetel de premiação do "Melhor Dentista do Mundo" no Theatro São Pedro - Ronny Santos - 9.dez.2025/Folhapress

O novo ministro toma posse num ano sem grandes desafios legislativos para o Mdic, após a aprovação do Acordo UE-Mercosul, mas com a tarefa de botar de pé o Redata, programa do governo que queria usar incentivos fiscais para trazer data centers ao Brasil.

Instituido por medida provisória no ano passado, o Redata ficou travado no Senado e caducou. Agora o governo tenta uma solução legislativa que possa ressuscitar o programa sem ferir a legislação, que proíbe a criação de benefícios fiscais em ano eleitoral.

Em conversa com jornalistas após a cerimônia desta terça-feira, Elias prometeu buscar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para uma conversa sobre o Redata.

Também ficará a cargo do ministro a coordenação da Camex (Câmara de Comércio Exterior), que decide sobre elevação e redução de alíquotas de importação no Brasil. Em fevereiro, uma medida elevando impostos sobre importação de celulares pegou mal e obrigou o governo recuar.

Por último, Márcio Elias deve continuar a costurar acordos de livre comércio com países e blocos estrangeiros. É o caso do tratado Brasil-Canadá, que o ministro disse esperar ver assinado até o fim do ano.

No evento desta terça-feira (14), um vídeo institucional exaltou algumas das políticas implementadas durante o mandato de Alckmin à frente do Mdic. O material citou a política industrial Nova Indústria Brasil e os acordos comerciais firmados com blocos estrangeiros, como a União Europeia e o Efta –Suíça, NoruegaIslândia e Liechtenstein.

Em sua fala, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou a aprovação da Lei do Combustível do Futuro, a criação das LCDs (letras de crédito do desenvolvimento) –títulos públicos para financiar a indústria–, e os programas Move e Mover, voltados para o setor de automóveis pessoais e caminhões.

Os ministros Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e Herman Benjamin, presidente do Superior Tribunal de Justiça, estavam presentes no evento. Ambos fizeram carreira no MP-SP (Ministério Público de São Paulo), assim como o agora ministro Márcio Elias.

O vice-presidente Geraldo Alckmin esteve presente ao lado da esposa, Lu Alckmin.

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