A cientista brasileira Mariangela Hungria, da Embrapa, foi incluída na lista das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista Time, publicada nesta quarta-feira (15).
Vencedora do Prêmio Mundial de Alimentação, o "Nobel da Agricultura" no ano passado, a pesquisadora aparece na lista ao lado de nomes como os do papa Leão 14, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do líder chinês, Xi Jinping. O ator brasileiro Wagner Moura também está na lista.
"Hoje, graças ao seu trabalho, 85% da soja brasileira é cultivada com esses microrganismos em vez de fertilizantes sintéticos. Suas inovações científicas, utilizadas em todo o mundo, ajudaram os agricultores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano [R$ 124,75 bilhões, ao câmbio desta quarta] e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente", escreveu na Time Kyla Mandel, editora sênior da revista.
A inclusão da cientista na lista da revista norte-americana ocorre após seu nome já ter se destacado mundialmente no ano passado, ao conquistar o Prêmio Mundial de Alimentação de 2025, o World Food Prize.
"Comecei a chorar, e não acreditava no que estava ouvindo", disse ela à Folha ao ser informada do prêmio pela World Food Prize Foundation.
Na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) há 43 anos, Mariangela tem sido reconhecida por suas premiações recentes por sua trajetória dedicada ao desenvolvimento de tecnologia em microbiologia do solo. Isso permite aos produtores rurais a obtenção de altos rendimentos com custos menores e mitigação de impactos ambientais.
Quando a World Food Prize colocou Mariangela na mira do prêmio, levou em consideração o trabalho de uma microbiologista e cientista que desenvolveu dezenas de tratamentos biológicos de sementes e de solos que ajudam a planta a obter nutrientes por meio de bactérias do solo. Essa ação aumenta a produtividade de importantes culturas agrícolas e reduz a necessidade de fertilizantes sintéticos.
Seu trabalho visa ao aumento da produção e da qualidade dos alimentos, por meio da substituição dos fertilizantes químicos por microrganismos portadores de propriedades como fixação biológica e solubilização de fosfatos e rochas potássicas.
Formada em engenharia agronômica pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da USP (Universidade de São Paulo), com doutorado em agronomia pela UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), Mariangela atuou na Embrapa Agrobiologia entre 1982 e 1991 e, desde então, está na Embrapa Soja.
Além da soja, o trabalho de Mariangela contribui para a produtividade de trigo, milho, arroz, feijão e melhorias nas pastagens.

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