domingo, 12 de abril de 2026

Ḿás noticias _ The News

 

"If it bleeds, it leads" — em tradução não literal, se tem sangue, tem audiência. É um ditado antigo nas redações de jornal e que, recentemente, ganhou um upgrade.

AI & data. Um estudo analisou mais de 105 mil variações de manchetes para entender o que realmente nos faz clicar nas notícias e adivinhe…

A negatividade é um dos maiores motores de consumo de notícias online.

A pesquisa utilizou milhões de impressões e descobriu que, quanto maior o viés negativo de uma notícia, mais ela engaja. Na prática, e em números:

  • Para uma manchete de tamanho médio, cada palavra negativa adicional aumenta a taxa de cliques em 2,3%;

  • Palavras positivas têm o efeito oposto. Cada termo mais positivo reduz a chance de clique em cerca de 1,0%;

  • Termos como ‘’errado’’, ‘’ruim’’ e ‘’terrível’’ foram os campeões de audiência, superando de longe qualquer variação com ‘’amor’’ ou ‘’lindo’’.

Mas por que clicamos no que nos assusta?

O cérebro humano é programado para priorizar estímulos negativos como uma ferramenta de sobrevivência. É uma questão biológica.

Na prática, as informações negativas ativam respostas automáticas tal como uma ameaça. Volte aos homens pré-históricos e lembre-se que saber de algo “errado” nos permite planejar e nos ajuda a evitar a dor.

Voltando ao estudo… Foi feita uma análise para entender quais sentimentos específicos movem a curiosidade da audiência.

O resultado mostra que o consumo privado (o que você lê sozinho) difere do consumo público (o que você compartilha):

Emoção

Impacto no Clique

Observação

Tristeza

+ 0,7%

Aumenta a propensão ao clique significativamente.

Alegria

- 0,9%

Reduz o interesse imediato na notícia.

Medo

- 0,7%

Ao contrário do esperado, afastou o leitor do consumo direto.

Raiva

Neutro

Move o compartilhamento social, mas não necessariamente o clique individual.

O efeito colateral 🤑

Quanto mais cliques, mais dinheiro. Ao preferirmos o tom negativo, criamos um incentivo econômico para que veículos de mídia pesem a mão no pessimismo ou no sensacionalismo.

Até o período pré-pandemia, quando a circulação de jornais impressos ainda era “uma coisa”o Super Notícias, conhecido por suas manchetes violentas na capaera o periódico de maior circulação no país — tudo bem que o preço ajudava. risos. 

Capa do Super Notícias de 20 de agosto de 2018

O fator horror também influencia bastante os temas “Governo e Economia", já que a exposição constante a manchetes negativas comprovadamente contribui para a polarização política e um sentimento de “crise permanente”.

Bottom-line: No fim do dia, o mercado de notícias não entrega o que dizemos que queremos, mas sim aquilo que o nosso cérebro instintivo não consegue parar de olhar.

Nenhum comentário: