sexta-feira, 13 de março de 2026

Participação de bloco de controle na Raízen pode cair de 88% para 30%, Raquel Landim - FSP

 Notícia de presente

processo de recuperação extrajudicial da Raízen, protocolado nesta quarta-feira, 11, vai mudar bastante a composição acionária da empresa. Segundo pessoas ligadas às negociações, a empresa deve continuar com um bloco de controle, mas com uma participação acionária bem menor e com uma configuração diferente.

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Hoje, o bloco de controle detém 88% das ações da empresa. Esse bloco é dividido de forma igualitária entre Shell e Cosan, com 50% das ações para cada grupo.

Na nova configuração, esse bloco deve passar a deter algo em torno de 30% da companhia. O bloco passará a ser dividido entre Shell, Cosan e Aguassanta, a holding de Rubens Ometto, controlador da Cosan. A Shell será a maior acionista individual.

Para você

Não está claro ainda, no entanto, como esse controle da empresa será exercido. A questão da divisão do conselho de administração, por exemplo, ainda está em discussão.

Além disso, credores e outros acionistas da Raízen negociando uma conversão de cerca de R$ 25 bilhões de dívida em capital. Se chegarem a um acordo, devem se tornar sócios da empresa.

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A avaliação é que, ao final do processo de recuperação, a dívida da empresa, que está hoje em torno de R$ 65 bilhões, cairia para algo como R$ 35 bilhões. É o maior processo extrajudicial desse tipo já visto no Brasil. Oi e Odebrecht tiveram débitos maiores reestruturados, mas foram processos feitos já no âmbito judicial.

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Política
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As pessoas ouvidas pela reportagem, em condição de anonimato, dizem também que, nesse momento, não há uma busca por um novo investidor para a empresa.

Cenário macroeconômico e dificuldades setoriais

O aporte de capital dos controladores na Raízen deve ficar em R$ 4 bilhões: R$ 3,5 bilhões virão da Shell e R$ 500 milhões serão aportados por Ometto, por meio da Aguassanta.

Nas últimas semanas, representantes de Shell, Cosan, Raízen e BTG Pactual (acionista da Cosan) fizeram uma série de reuniões, buscando chegar a um acordo sobre quanto dinheiro deveriam aportar na empresa, que não evoluiu além dos R$ 4 bilhões decididos. As conversas incluíram até um encontro, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em fato relevante divulgado nesta quarta-feira, a Raízen atribui a deterioração da situação financeira do grupo a uma combinação de fatores macroeconômicos e setoriais, incluindo ciclos recentes de menor produtividade agrícola, compressão de margens e aumento do custo do endividamento.

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Segundo o documento, mudanças no ambiente econômico e no próprio setor sucroenergético prejudicaram o desempenho das companhias operacionais do grupo nos últimos anos e acabaram pressionando toda a estrutura financeira das empresas envolvidas.

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“A alteração do cenário macroeconômico e setorial - decorrentes de ciclos de colheita de menor produtividade, queda das margens e alto custo do endividamento financeiro - prejudicou a atividade das companhias operacionais e, por consequência, toda a operação estruturada pelas Devedoras ao longo de anos de atuação no segmento”, afirma.

O texto também destaca o impacto do forte aumento das taxas de juros no Brasil no período recente. De acordo com o documento, houve uma “alta expressiva da taxa básica de juros no mercado doméstico”, com a Selic passando de cerca de 2% em 2020 para aproximadamente 15% em 2026. Esse movimento, segundo o plano, elevou significativamente o custo do endividamento das empresas do grupo e contribuiu para o agravamento da situação financeira./Colaboraram Leandro Silveira e Gabriel Azevedo

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