sexta-feira, 27 de março de 2026

Bradesco reativa prédio na avenida Ipiranga e abre espaço para retrofit em SP - FSP

 Vicente Vilardaga

São Paulo

A última boa nova veio do Bradesco, que anunciou a reativação de seu prédio na avenida Ipiranga no centro de São Paulo, fechado desde a pandemia. A construção passa por um retrofit, uma completa requalificação.

Pronta, vai receber 2.500 funcionários e dividir seus escritórios com comércio e serviços. Dezenove andares serão usados pelo banco e os cinco andares inferiores serão ocupados por restaurantes, lojas e galerias, oferecendo uma fachada ativa.

O projeto do Nova Central, construído em 1964, é de autoria do arquiteto Carlos Lemos. O edifício tem 33 mil m2 e, para revitalizá-lo e adaptá-lo, o Bradesco vai gastar R$ 200 milhões. Lemos foi parceiro de Oscar Niemeyer na construção do vizinho Copan, que também está sendo requalificado.

Edifício Nova Central
O edifício Nova Central, que pertence ao Bradesco, está sendo requalificado e terá uso misto - Vicente Vilardaga

Diante da grande quantidade de prédios desocupados ou maltratados que existem na cidade, o Bradesco dá um bom exemplo. O retrofit poderia ser adotado em maior escala para conter, pelo menos em parte, a onda de demolições e de construções de edifícios novos.

Mas isso teria de ser algo prioritário e mais urgente. O potencial de econômico da requalificação de prédios existentes ainda é subestimado pelas incorporadoras e construtoras.

O que não faltam em São Paulo são imóveis para serem renovados. Um levantamento recém-realizado pela Lello Condomínios identificou 836 condomínios no centro expandido da capital com condições técnicas e jurídicas para receber projetos de retrofit.

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Já a Caixa Econômica Federal, que pretende ampliar financiamentos para essa modalidade, mapeou 7.000 construções em toda cidade com potencial para serem modernizadas e melhoradas.

Edifício Basílio
Obras do edifício Basílio, outrora sede da Telesp, estão próximas da conclusão, prevista para julho - Vicente Vilardaga

"As construtoras estão se interessando, mas isso não é rápido, envolve uma mudança de mentalidade e de comportamento", diz a arquiteta e urbanista Adriana Levisky, sócia do escritório Levisky Arquitetos Estratégia Urbana, responsável pelo projeto do Bradesco.

"Isso não vai acontecer porque uma lei é aprovada ou porque alguém decide que no dia seguinte será diferente, mas por causa de uma lenta transformação cultural. A grande estrutura do mercado imobiliário ainda não abraçou o retrofit", afirma.

O que se espera é uma mudança da lógica desse mercado. Como o Brasil é um país continental que sempre teve terra à disposição, a legislação urbanística do passado e do presente foi escrita para produzir obras novas em lotes particulares, conta Levisky.

Segundo ela, não é uma legislação que compreende a preexistência das construções disponíveis e busca mantê-las de pé, mas é direcionada para o desmonte. "O retrofit vem trazer para a gente uma oportunidade de revisitar técnicas construtivas, mudar dinâmicas empresariais e compreender novas tecnologias", afirma.

Blocos do edifício Prestes Maia
Os dois blocos do edifício Prestes Maia, que já foi uma ocupação e hoje serve à habitação social - Vicente Vilardaga

A Prefeitura de São Paulo criou dois programas para estimular o retrofit: o Requalifica Centro e o Programa de Intervenção Urbana Setor Central. O primeiro já tem 26 projetos aprovados pela Secretaria de Urbanismo e Licenciamento e 38 sob análise. Há 47 prédios, contando os 26 aprovados, que estão incluídos em alguma etapa de requalificação e credenciados a receber cotas da subvenção econômica de R$ 1 bilhão para a reabilitação de edifícios.

O segundo programa vai na mesma direção, mas é geograficamente mais abrangente e também cria estímulos para construções novas. Ambos facilitam o licenciamento e oferecem incentivos fiscais. Uma regra em São Paulo estabelece que, para ser requalificado, um prédio precisa ter sido construído antes de 1992. Depois disso, a intervenção é considerada apenas uma reforma.

Além do projeto do Bradesco no Nova Central, há outras iniciativas de retrofit de destaque, como a do edifício Basílio, outrora sede da Telesp, a do edifício das Américas, na rua Riachuelo, a do edifício Chrysler, na praça da República, e a do edifício Prestes Maia, destinado à habitação social.

O caso do banco, porém, tem uma grande importância simbólica por reforçar a percepção positiva da retomada do Centro e indicar que a região pode voltar a ser o grande polo financeiro da cidade.

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