sexta-feira, 27 de março de 2026

Bolsonarismo afunda seu próprio berço, o Rio de Janeiro, Alvaro Costa e Silva, FSP

 

Que coincidência, não? No julgamento do TSE que condenou Cláudio Castro por abuso de poder político, econômico, irregularidades em gastos de campanha e conduta proibida a agentes públicos no período eleitoral de 2022, Nunes Marques votou a favor do réu. E André Mendonça divergiu da maioria, rejeitando a aplicação de inelegibilidade ao ex-governador. Os dois ministros foram indicados por Bolsonaro.

"As irregularidades abundam", resumiu o ministro Floriano Azevedo Marques, referindo-se à utilização da máquina pública, que no Rio de Janeiro está nas mãos do bolsonarismo há quase oito anos. Clientelista e corrupta, a gestão Castro foi um desastre geral e letal. Deixa como legado a chacina no Alemão e na Penha, 121 mortos —exploração midiática e eleitoreira que não abalou o poder das facções criminosas. Cerca de 4 milhões de pessoas vivem em territórios dominados.

Três homens vestidos com ternos escuros e gravatas apertam as mãos e sorriem em ambiente interno. Ao fundo, uma tela exibe as cores da bandeira do Brasil em amarelo, verde e azul.
Flávio Bolsonaro anuncia apoio ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e ao deputado Douglas Ruas, em evento realizado na sede do PL, em Brasília - Gabriela Biló - 24.fev.26/Folhapress

Castro foi um fracasso longevo. Ficou mais de 2.000 dias no Palácio Guanabara. Renunciou ao cargo como o primeiro governador eleito em mais de três décadas que não inaugurou uma única estação de metrô. Na saúde, produziu o escândalo dos transplantes, em que seis pacientes receberam órgãos contaminados com o vírus HIV. O banco Master não poderia faltar em seu currículo. O Rioprevidência é investigado pela PF por investimentos de R$ 2,6 bilhões em fundos ligados ao banco. Para 2026, a previsão do déficit orçamentário é de R$ 18,9 bilhões, o maior em cinco anos. No total, o Rio deve R$ 238 bilhões (84% à União).

Espelhando a tática dos governos de direita e de extrema direita, o Rio sob Castro viveu da propaganda enganosa de combater o crime. A operação Anomalia, da PF, revelou que policiais civis e militares usavam a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho. O ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar —candidato do capitão ao governo fluminense— foi denunciado pela PGR por vazar informações ao CV.

É um caso especial de brutalidade: o bolsonarismo destruindo seu próprio berço, o Rio de Janeiro.


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